quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Juan de Los Muertos (Cuba, Espanha, 2011)

Filme: Juan de Los Muetos / Juan Dos Mortos / Juan of the Dead
Diretor: Alejandro Brugués
Ano: 2011
País: Cuba / Espanha
Duração: 92 minutos
Elenco:  Alexis Díaz de Villegas, Jorge Molina, Andrea Duro
IMDb: 6,3


Juan é um sobrevivente, que ao invés de ir para Miami trabalhar, como fazem muitos cubanos, prefere ficar em Cuba em busca de oportunidades e vadiando, um direito básico. Ele vai levando a vida como pode com suas malandragens, até que certo dia, sua vizinha o chama para averiguar seu marido, que possivelmente está morto. Mas o homem volta a vida e tenta atacar Juan que se obriga a pedir ajuda para seu amigo trapalhão Lazaro e Vladi Califórnia, o filho deste. Lazaro, com seus dedos leves, acaba disparando o seu arpão, atravessando o velho e parando em sua esposa, a matando. Mas o velho continua "vivo", andando em direção a eles com o cabo do arpão o atravessando, em uma das mais criativas e divertidas cenas que vi nos últimos tempos. 


Ainda nesta cena hilária os três tentam cravar estacas no peito do zumbi, achando se tratar um vampiro. Juan tenta detê-lo com uma cruz e rezando, como se estivesse possuído pelo demônio, mas só surte efeito quando a cruz é batida com força na cabeça do velho morto-vivo, sem saber que se trata de um zumbi. 


Para livrarem-se dos corpos, empacotam a velha e a levam para o elevador. O elevador para na metade do andar e eles a colocam para fora, mas suspeitando que alguém está vindo pelo corredor, fazem, com pulos, o elevador descer, mas o cadáver da velha é cortado ao meio quando o elevador desce.

Mais tarde, em uma manifestação anti-EUA, os zumbis passam a atacar as pessoas, mordendo muitas delas e as tornando também zumbis, espalhando-se rapidamente. Há zumbis, inclusive, nadando e sendo devorados por tubarões, lembrando Zombie, de Lucio Fulci. Há também outras referências à filmes de zumbis, a começar pelo título ao estilo Romero e até ao Fome Animal, quando o padre americano fala a célebre frase: I will kick ass for the lord! 


Enquanto muitos estão indo para Miami, Juan, mesmo com as dificuldades, aproveita para fazer negócio com a situação. Eles abrem o "Juan dos Mortos", cujo slogan é "Matamos seus entes queridos" que, quando chamados, vão às casas matar os zumbis e fazer um dinheiro.
Além do carismático Juan, a equipe é formada também por Lazaro, Vladi, a travesti China e Primo, um grandalhão que tem pavor a sangue e precisa cobrir os olhos. Mais tarde Camila, a filha de Juan junta-se ao grupo. Acabamos simpatizando com os personagens, cada um com suas habilidades, passando por situações divertidas, trapalhadas e sempre tentando tirar vantagem, como quando pegam a cadeira de rodas de um deficiente para carregar caixas de bebidas e o deixam para ser atacado pelos zumbis. Engraçado também é a dança das algemas e o último pedido que Lazaro faz a Juan.


Diferente de muitos filmes genéricos de zumbis que têm saído nos últimos anos, Juan de Los Muertos é bastante criativo e divertido, fazendo uma forte critica o governo cubano, mostrando a coragem do diretor através deste gênero tipicamente norte-americano. Há críticas também para a mídia controlada pelo governo que, neste caso chama os zumbis de dissidentes, como se eles estivessem a serviço dos americanos. Outra possível crítica é para o próprio povo cubano que insiste em tentar a sorte nos EUA, e também os retrata como folgados que tentam tirar vantagem o tempo todo. 

O lado negativo é o uso de CGI em algumas cenas que acabaram não ficando das melhores, mas como é pouco usado, não chega a comprometer este bom filme que termina ao som da impagável versão de Sid Vicious para My Way. 
Juan De Los Muertos é uma co-produção de Cuba e Espanha, escrita e dirigida por Alejandro Brugués, que ironicamente é argentino.

sábado, 24 de agosto de 2013

Baby Blood (França, 1990)

Filme: Baby Blood
Diretor: Alain Robak
Ano: 1990
País: França
Duração: 82 minutos
Elenco: Emmanuelle Escourrou, Christian Sinniger, Jean-François Gallotte 


Baby Blood é, para mim, mais uma grata surpresa vindo da França, país no qual tem se destacado nos últimos anos pelas produções violentas e perturbadoras como Eles (Ils), Alta Tensão (Haute Tension), A Fronteira (Frontière(s)), A Invasora (À l'intérieur), entre outros. Mas muito antes desta recente safra de horror, foi produzido Baby Blood de Alain Robak em 1990.


Um bizarro início apresenta a formação do planeta Terra narrado pela estranha voz de um ser presente há milhões de anos mas que ainda espera para nascer (só não me pergunte como ele pode falar sem ter nascido, mas isso não é importante).



O ser parasita se hospeda em um leopardo que é trazido da selva para um circo na França, lembrando o início de Fome Animal, que seria filmado mais tarde. No circo o animal acaba sendo explodido pela estranha criatura que vai buscar abrigo no corpo de Yanka, entrando por aquele local que você está pensando, enquanto ela dorme.






Ela foge do circo, deixando seu namorado/marido autoritário, e o parasita começa a se comunicar com ela, exigindo sangue para se desenvolver e finalmente nascer, por horas até com certo bom humor. Hesitante no início, depois, como toda boa mãe, ela não mede esforços e leva os instintos maternos às últimas consequências, mudando-se constantemente e levando uma vida independente. Por onde passa, ela vai empilhando cadáveres, a maioria homens, para saciar o apetite de seu incomum filho. Este objetivo nos proporciona cenas de homens mutilados, cabeças esmagadas, Yanka sequestrando um ônibus para doação de sangue e matando quem se puser em seu caminho. Uma das melhores cenas é quando ela está na ambulância prestes a dar a luz e enche o enfermeiro de gás, fazendo-o inchar e explodir deixando a ambulância repleta de sangue e restos humanos. 




O filme vai se tornando cada vez mais sangrento e, por fim, após Yanka simpatizar com a criatura, o bebê finalmente nasce sob a forma humana, que depois é abandonada dando lugar à sua verdadeira e monstruosa forma.
O gore é abundante neste filme, também com destaque para o sonho que ela tem quando braços sangrentos saem de sua barriga. Ainda há alguns momentos de nudez da protagonista e algumas passagens cômicas.


O filme tem um ritmo rápido com uma edição bastante interessante, até alguns efeitos de fast-forward, tornando-o agradável e divertido de assistir e nos deixando curiosos para ver os desfecho do filme, que não deixa a desejar.  Destaque para a constante sanguinolência bem empregada em bons efeitos.



Um filme diferente e único, bem feito e com um bom roteiro, misturando elementos de bebês demoníacos presentes em O Bebê de Rosemary e Nasce Um Monstro (It's Alive) com a sede de sangue de outros como Enraivecida na Fúria do Sexo (Rabid, de Cronenberg), O Soro do Mal (Brain Damage) e Basket Case, mas sem tanto humor destes últimos. 
É sempre bom descobrir filmes surpreendentes como este.

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Plan 9 From Outer Space (EUA, 1959)

Filme: Plan 9 From Outer Space / Plano 9 do Espaço Sideral
Diretor: Edward D. Wood Jr.
Ano: 1959
País: EUA
Duração: 79 minutos
Elenco: Gregory Walcott, Mona Mckinnon, Duke Moore, Vampira, Bela Lugosi, Criswell
IMDb: 3,8



"Estamos todos interessados ​​no futuro, por que é onde você e eu vamos passar o resto de nossas vidas. E lembre-se meu amigo, eventos futuros como estes irão afetá-lo no futuro." Criswell e suas previsões.

Muitos consideram Plan 9 From Outer Space um dos piores filmes já feitos, motivo que o tornou tão popular, embora saibamos que existam coisas bem piores. 

Logo no início começamos a ver o motivo de tal fama. Após a incrível previsão citada no início deste texto, um avião é surpreendido por um disco voador (uma tampa de panela segurada por um fio).  O interior do avião é de uma tosquice ímpar, com destaque para o manche do piloto e a cortina de banheiro ao fundo. Sem contar o discreto microfone aparecendo na parte superior da tela.


Após um passeio pelos céus, o disco voador pousa em um cemitério. De trás das tumbas sai uma mulher morta (Vampira, em seu papel clássico) e, enquanto ela aparece num cenário à noite, os coveiros que se assustam com sua presença, ainda estão na luz do dia! Mais tarde os coveiros são encontrados mortos pela polícia, que passa a investigar o caso. 


O disco voador volta a atacar com suas luzes e um homem que acabara de morrer (o húngaro Bela Lugusi, com seu clássico traje de Drácula) sai de outra tumba (porém, nesta cena já não é mais Lugosi, e sim seu sósia) . Ele e Vampira atacam o inspetor Clay (Tor Johnson, um ex-lutador de luta livre que fez vários filmes com Ed Wood), que atira neles, mas sem resultado e acaba morrendo. Interessante é o cenário tosco do cemitério feito de papelão e com uma estranha neblina apenas em uma parte do cemitério.
Vários discos voadores aparecem na cidade, em efeitos dos mais convincentes, sobrepondo-se à cenas de locais da cidade.


O exército é convocado, com imagens de arquivo de mísseis sendo disparados e caças sobrevoando, se misturando a tosquice do filme, com o coronel em uma sala sem fundo. Os três discos voadores ficam balançando nos céus, (quase sempre com o mesmo fundo), enquanto as explosões (que mais parecem estalinhos) não são capazes de abatê-los.


Depois disso as naves voltam para a central, que mais parece um pogobol metálico, para receberem a recarga. Os alienígenas tem a mesma forma que humanos e falam sobre o plano 9. Trata-se de uma medida para ressuscitar os mortos com suas armas de eletrodos  Eles não controlam os mortos, apenas os ligam/desligam com suas armas, que são jogadas no chão para voltarem a funcionar, quando estas falham. Realmente um povo muito avançado.


O piloto do avião, voa novamente e faz uma ligação diretamente do avião para a sua esposa. A tonta não fecha a porta dos fundos e é atacada e perseguida por um defunto (novamente o sósia de Bela Lugosi, fisicamente bem diferente), com toda a sua agilidade. Naturalmente ela vai para o cemitério, enquanto, repetidas vezes, uma hora está claro, outra está escuro, dependendo do ponto de vista, mostrando que Ed Wood realmente se preocupava em fazer algo bem feito e de qualidade, refazendo milhares de vezes cada tomada (não). Após ficar noite mais uma vez, o inspetor Clay ressuscita e ficam passeando infinitas vezes pelo mesmo cenário enquanto, é claro, continua alternando entre o dia e a noite. 


Os militares com toda a sua inteligência desenvolvem um tradutor para qualquer idioma, mesmo os desconhecidos!! Este grava as transmissões alienígenas que revelam que estes seres são muito mais evoluídos que os humanos (tanto que até sabem que eles inventaram este tradutor universal!). Eles questionam os humanos que se acham os únicos no universo e que com suas armas nucleares colocam todo o universo em risco, e dizem que vieram salvar a terra. Eles pedem para os discos não serem mais atacados, porém, como isto não é respeitado, acabam sendo como os humanos: intolerantes. Assim, eles, para salvarem o próprio planeta tentarão destruir a ameaça terráquea.

Os policiais e o piloto, que até recebe uma arma dos oficiais, chegam até a nave escondida e, para o nosso espanto, a nave não tem o formato arredondado de uma tampa de panela, como vimos nos céus, mas sim quadrado, parecendo um prédio! Talvez a nave possa se adaptar a diferentes formas, deve ser isso. Detalhes à parte, eles entram na nave sem problemas e lá encontram os extra-terrestres, que não parecem tão evoluídos como dizem. Ele volta a falar nos perigos que os humanos podem criar para todo o universo e que, para sobreviverem, precisam destruir o planeta terra e fala, até mesmo que também foram criados por deus. Realmente não são nada evoluídos.

Os terráqueos ainda são melhores lutando e conseguem derrotá-los e destruir os equipamentos cheios de luzes piscantes e saírem a tempo, antes da nave sair voando em chamas e explodir.

Com toda a onda de filmes Sci-Fi dos anos 50, com histórias de ameaças alienígenas, numa época de guerra fria, Ed Wood também não podia deixar de fazer a sua obra do gênero. O filme foi produzido em 1956 e somente em 1959 foi comercializado. Foi financiado pela Igreja Batista, sob o pretexto de, com o sucesso do filme, filmar 12 filmes sobre os apóstolos. O nome original do filme seria Ladrões de Túmulos do Espaço Sideral, mas como a igreja não gostou, foi alterado para Plano 9 do Espaço Sideral. Ele e sua equipe chegaram a serem batizados pela igreja para conseguir o financiamento. Ed Wood ainda teve que dar um dos papéis principais, o do piloto, para um integrante da igreja.

Vampira, na época estava em decadência, acabara de ser demitida do programa de TV que apresentava e assim como o personagem de Bela Lugosi (ou seu sósia), acabou apenas andando de um lado para outro no diminuto cenário sem falar nada e sempre com a mesma expressão. Na época, Lugosi, depois de estar falido e drogado, acabara de morrer. As cenas em que aparece seriam do filme "Tomb of the Vampire", quando Lugosi morreu no início das filmagens, mas acabaram sendo aproveitadas em Plan 9 From Outer Space. Por isso a necessidade do sósia atuar cobrindo o rosto, mesmo assim nota-se que é um homem mais jovem, magro e alto que o original.

De fato o filme é muito ruim e mal feito, com microfones aparecendo, atuações horríveis, gritos descontrolados, efeitos e cenários (principalmente o cemitério e a cabine do avião) nada convincentes, atores lendo o texto, as citadas mudanças repentinas de dia/noite, o disco voador tampa de panela (que é na verdade quadrado) que sempre aparece no mesmo fundo, além de uma narração querendo ser poética, muitos diálogos inúteis, cenas repetidas, a utilização de cenas de arquivo, roteiro furado... ufa! Algo interessante é a trilha sonora, que não chega a ser ruim. Tudo isso feito com o orçamento de $ 60.000, que acho até que foi gasto muito para este filme que não tem nenhum cuidado com a qualidade. Mesmo assim é um filme divertido, certamente não é o pior filme de todos os tempos, como foi eleito e coloca juntos em tela zumbis, vampiros, alienígenas e "grandes" estrelas do horror. 

E além disso, não sei se foi a intenção de Wood, mas pode-se ver o filme também como uma critica à contínua busca por aperfeiçoamento tecnológico e bélico, sendo a maior ameaça para o planeta e todas espécies que vivem nele. 

E mesmo que Ed Wood tenha sido um péssimo diretor e sem talento para tal, era apaixonado por cinema e fazia o possível para realizar os seus filmes, sempre com criatividade e improviso para contornar o baixo orçamento, sendo além de diretor, também roteirista e ator. 

terça-feira, 30 de julho de 2013

Attack of the Killer Tomatoes (EUA, 1978)

Filme: Attack Of The Killer Tomatoes / O Ataque dos Tomates Assassinos
Diretor: John De Bello
Ano: 1978
País: EUA
Duração: 83 minutos
Elenco:  David Miller, George Wilson, Sharon Taylor
IMDb: 4,5



Este filme, produzido em 1978 e dirigido por John De Bello é, indiscutivelmente, um dos principais representantes do cinema trash. Feito de forma independente e com baixo orçamento, o filme não prima pela qualidade e sim pela diversão. E o próprio título (um dos melhores de todos os tempos) já demonstra que não deve ser levado a sério em momento algum, o que é comprovado durante a exibição da película com ideias absurdas e sem sentido. 

Os créditos iniciais, com a ótima música tema composta e interpretada pelo próprio diretor começam o filme em grande estilo. Aparecem anúncios falsos e até a propaganda de "este espaço está disponível", além de uma piada com o filme Pássaros de Hitchcock, citando que no seu lançamento todos riram, mas depois que pássaros realmente atacaram, ninguém estava rindo. Portanto, tenha medo!


A história, basicamente consiste em tomates que, misteriosamente ganham vida e começam a atacar e matar as pessoas, gerando pavor entre todos. Para investigar o caso é designada pelo exército uma distinta equipe. Esta equipe é composta por uma nadadora russa anabolizada, um mestre dos disfarces, um paraquedista e um mergulhador, estes dois últimos que nunca tiram seus equipamentos. Já o perito em disfarces é um homem negro capaz de se passar despercebido por Adolf Hitler com seu característico bigode. Este mesmo ainda consegue se disfarçar de tomate, entrando no esconderijo deles, mas por um descuido é descoberto ao pedir ketchup durante a janta com os gigantes frutos vermelhos.




Depois de uns ataques dos tomates, um grupo do exército discute em uma minúscula sala, onde para entrar é necessário passar por cima da mesa, em uma cena que lembra muito o Monty Python.

Além do humor pastelão e cenas sem sentido, o filme traz algumas críticas (embora não muito profundas) ao governo, mídia e propaganda. Vemos cenas de políticos discutindo e não chegando a acordo algum, o governo tentando esconder a verdade (no caso, os mortais frutos vermelhos - sim, são frutos mesmo), a imprensa disposta a fazer o que for necessário por uma notícia, e empresários que veem em tudo uma oportunidade de negócio.

Grande parte do reduzido orçamento do filme, totalizado em $ 90.000, foi gasto para pagar o helicóptero que acidentalmente caiu, mas que foi, sabiamente usado no filme como se fosse causado pelos tomates kamikazes! Porém, apenas esse empecilho acabou custando $ 60.000, triplicando o valor gasto com todo o filme. Fora isso os efeitos do filme são basicamente tomates normais rolando pelo chão, sem qualquer expressão, como engana o pôster do filme. Ou tomates gigantes toscos que passeiam com rodinhas. Também há uma cena de stop-motion no ataque dos tomates no supermercado, além dos fones de ouvido para o tomate gigante feitos de tampas de privada.


E há algo que nem mesmo os tomates podem suportar: música ruim.



O filme ainda faz algumas piadas com grandes produções, como Superman e Tubarão.

Esta obra gerou mais três filmes em seguida: O Retorno Dos Tomates Assassinos (1988), Os Tomates Assassinos Atacam Novamente (1991) e O Retorno Dos Tomates Assassinos Na França (1992). Também rendeu um desenho animado produzido pela Fox, em 1990 e a THQ lançou o jogo Attack of the Killer Tomatoes, para NES e Game Boy.

Desenho Animado
O jogo de NES

Um clássico para lembrar aquelas tardes onde a TV aberta passava filmes toscos e divertidos.

domingo, 14 de julho de 2013

Father's Day (Canadá, 2011)

Filme: Father's Day
Diretor: Adam Brooks, Jeremy Gillespie, Matthew Kennedy, Steven Kostanski e Conor Sweeney
Ano: 2011
País: Canadá 
Duração: 99 minutos
Elenco: Adam Brooks, Matthew Kennedy, Conor Sweeney, Amy Groening
IMDb: 5,8



Depois de abordar o dia das mães no filme Dia das Mães Macabro (Mother's Day) de 1980, que poderei falar em outra oportunidade, nada mais justo que a Troma focar o dia dos pais, como fez em seu mais recente filme, Father's Day. 

Um cruel psicopata chamado Chris Fuchman está de volta a aterrorizar os pais, os matando e comendo-os, tanto no sentido canibalesco como "bíblico", sodomizando os pobres senhores. Uma de suas vítimas é o pai de Twink, um problemático jovem, que faz programas para bater a carteira de seus clientes. Para ajudá-lo em sua perda, o padre John recorre a um velho e cego padre, que sabe que Fuchman está de volta às ruas, e apenas uma pessoa pode combatê-lo. E este homem é Ahab, um justiceiro caolho que teve seu pai morto em sua frente pelo sádico assassino. Com os anos, Ahab treinou artes marciais e passou a perseguir Fuchman. Certa vez Ahab conseguiu matar aquele que ele pensava ser Fuchman, mas tratava-se de uma emboscada, que o deixaria preso por alguns anos. Ahab, agora em liberdade, morava isolado em uma floresta e foi lá que o padre o encontrou pedindo sua ajuda para deter o impiedoso assassino.


Após se negar de início, Ahab aceita voltar e lá reencontra sua irmã Chelsea, que ele havia abandonado após a morte do pai. A bela Chelsea, interpretada por Amy Groenig (sobrinha do criador dos Simpsons, Matt Groening) é dançarina em um clube de stiptease.

Ela é namorada ou algo do tipo de Twink e, juntamente com outro amigo, Walnut, vão para o apartamento de Chelsea. Lá, a luz se apaga e Fuchman dá as caras, mastigando o pescoço de Walnut e arrancando seu órgão com os dentes antes de desaparecer pela janela. Quando Ahab chega ao apartamento e é informado da situação, não restará outra saída senão caçar o assassino, tendo como aliados, Chelsea, Twink e o padre John. Porém, antes disso, precisam despistar o investigador que neste momento bate na porta. O plano de disfarce é ridículo e hilário: Twink e Ahab se vestem de mulher e conseguem passar pelo policial, mesmo com a barba de Ahab e a maquiagem toscamente aplicada.


O padre John, antes de acompanhá-los, começa a duvidar de sua fé e de deus, após o padre cego ter sido assassinado.

Fuchman não perde tempo e invade a boate de Chelsea e lá é desafiado por uma loira com seios à mostra, com sua conveniente MOTOSSERRA. Infelizmente ela não é bem sucedida e acaba tendo a cabeça destroçada pelo próprio brinquedo.




Fuchman sequestra Chelsea, e Ahab e sua turma farão o possível para encontrá-la e matar e o assassino do dia dos pais.

<<Spoilers violentos adiante>>


Ocorre uma bela perseguição mas Fuchman se safa e Ahab acaba se ferindo. Ele é reanimado por suas bagas tóxicas que provocam alucinações nos demais, lembrando um pouco o efeito da birita tóxica do Redneck Zombies. Isso faz Ahab recuperar suas forças e continuarem sua busca pelo assassino. Eles encontram onde Chelsea estava presa, em meio a muito sangue e restos apodrecidos de corpos. Logo depois encontram Fuchman fugindo, que é facilmente alcançado e atingido pela arma de Ahab, que impiedosa e brutalmente esmaga sua cabeça, em um belo efeito onde parece ter sido usado um melão cheio de sangue, que convenhamos, ainda é melhor e mais divertido do que um efeito digital moderno.


Pensando em tudo estar resolvido, voltam às suas vidas normais, mas ainda sentindo-se estranhos e com Chelsea inconsciente no hospital. Então o padre descobre um velho livro, semelhante ao Necronomicon do Evil Dead, que fala sobre o espírito demoníaco de Fuchman. Mas é tarde demais pois o demônio já havia possuído Chelsea, que seduz seu próprio irmão, Ahab, e ambos fazem uma orgia interminável nas mais variadas posições, para consolidar o plano maligno do demônio que é produzir um filho desta incestuosa relação.

Chelsea é levada para o inferno, e Ahab, Twink e o padre decidem ir até lá para buscá-la. E para isso não há maneira mais rápida e prática do que um bom tiro na cabeça. Ainda mais quando retratado cheio de sangue e restos como muito bem executado no filme. Ahab e Twink vão para o inferno, afinal, são pecadores e deus não gosta de praticantes de incesto ou homossexuais. Mas o padre vai parar no céu, onde encontra deus, muito bem interpretado pelo deus do trash, Lloyd Kaufman, da Troma. John ameaça matar deus, que responde dizendo que isso seria ruim para os negócios. Há cenas e diálogos hilários por lá e finalmente o padre consegue escapar quando deus é ameaçado pelo armado padre cego!

O filme que já está ótimo fica ainda melhor neste final altamente sangrento e nojento. O inferno é um lugar escuro cheio de fantasmas e demônios, fumaça de gelo seco, mas o mais incrível é o monstro gigantesco e nojento (com alguns efeitos stop-motion) que está com Chelsea. Ao olhar para os seus olhos, Ahab vomita milhares de litros de sangue, suas tripas e tudo que tem direito. John é cortado ao meio com um tapa da criatura. Mas com o soro mágico de Ahab conseguem fazer o monstro diminuir.





Hilário e épico também é o momento em que uma torneira é cravada no monstro e, quando aberta, passa a jorrar milhares de litros de sangue, no melhor estilo de Fome Animal, se tornando um horrível bebê que é pisoteado por Chelsea até ser totalmente esmigalhado.

E vejam só, deus também é o proprietário do inferno, para evitar concorrência e atender a todas os nichos de mercado.

Pretendendo voltar a vida normal, eles precisam de muita esperança, mas os resultados não são como os esperados, terminando o filme com seus corpos destruídos como resultado dos tiros na cabeça que haviam disparado.


<< Fim dos spoilers >>

Os créditos iniciais, após Ahab perseguir Fuchman, são muito bons, mostrando cenas como se fossem de uma história em quadrinho, com um pesado surf music ao fundo. Já os créditos finais e o próprio pôster, muito bem feitos, lembram antigos filmes de horror e produções grindhouse.

Também vale ressalvar que a equipe Astron-6, que escreveu o roteiro e dirigiu o filme também participa do filme atuando. São eles: Adam Brooks (Ahab), Matthew Kennedy (padre John) e Conor Sweeney (Twink). Além destes, Steven Kostanski e Jeremy Gillespie também participam do roteiro e direção.

Mesmo sendo trash, os efeitos gore, em sua maioria, são bem feitos e convincentes, além de muito sangrentos. Há cenas de corpos abertos com órgãos expostos, pênis sendo cortados, tripas sendo devoradas, tiros na cabeça e crânios emagados, além do final genialmente trash.

Apesar de lançado pela Troma, o filme foi produzido pela canadense Astron-6 e remete diretamente aos filmes dos anos 70 e 80, lembrando o projeto Grindhouse de Robert Rodriguez e Quentin Tarantino, com aquele aspecto proposital para o filme parecer antigo. Este também tem influência dos antigos e originais filmes grindhouse, tendo inclusive, propagandas de outras produções durante o filme, como um falso filme chamado Star Raiders, que parece bastante divertido e poderia virar um futuro filme. O crédito de Father's Day é mostrar que não são necessários milhões, (como por exemplo Machete, um filme que custou 10 milhões) para se fazer um bom filme neste estilo. Mesmo com o pequeno orçamento de $ 10.000, a Astron-6 surpreendeu e conseguiu fazer um excelente filme, violento, honesto, criativo e muito divertido.


E, como é comum em filmes lançados pela Troma, são abordados temas polêmicos como o homossexualidade, incesto, críticas à religião e suas seitas e muito humor negro regado por litros e mais litros de sangue, nojeiras, além de uma boa dose de nudez. Um excelente filme e dos melhores que conheço lançados pela Troma, que tem tudo para se tornar futuramente, um clássico do gênero. Não considerem muito pela nota no IMDb e divirtam-se.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Dünyayi Kurtaran Adam / Star Wars Turco (Turquia,1982)


Filme: Dünyayi kurtaran adam / O Homem Que Salvou o Mundo / Star Wars Turco
Diretor: Çetin Inanç
Ano: 1982
País: Turquia
Duração: 91 minutos
Elenco: Cüneyt Arkin, Aytekin Akkaya, Füsun Uçar
Procura um filme trash em sua essência? Então não pode deixar de dar uma conferida no cinema turco dos anos 70 e 80.
Além dos recursos escassos para as produções, os diretores turcos copiavam descaradamente os grandes filmes de Hollywood, inclusive roubando cenas destes, sem a mínima vergonha.

Como explicado no blog Cinediondo, a época mais produtiva do cinema turco foi no início dos anos 60 até o início dos 80, época em que a Turquia tinha um governo liberal e democrático, que permitia o livre comércio e a criatividade nos filmes, mas teve seu término, como em muitos outros países, através de um golpe de estado que deu lugar a um governo repressivo.

Durante este período, os distribuidores tinham acesso às estreias de Hollywood antes de todo mundo. Como o custo para a distribuição era alto, eles mandavam os produtores fazerem suas versões destes filmes americanos, gastando o mínimo possível a fim de obterem maior lucro. Assim, os filmes eram feitos o mais rápido possível, sem nenhum cuidado com a qualidade ou o bom gosto por pura ganância dos distribuidores. Os filmes eram feitos, em média em apenas dois meses, embora cita-se uma história de um produtor que entregava em quatro dias um filme com "aparência profissional".

Os atores atuavam em vários filmes ao mesmo tempo, indo de um estúdio para outro, para aprenderem o roteiro escrito no dia anterior.
Entre os maiores sucessos provenientes da Turquia neste período, estão versões para Rambo (Korkusuz), ET (Badi), Exorcista (Seytan) e Star Wars (Dünyayi Kurtaran Adam). 

Resumindo, o cinema turco era sinônimo de picaretagem, plágio, falta de orçamento, atuações ridículas, roteiros horríveis, e os efeitos e figurinos o mais toscos possíveis. Totalmente trash!

Depois desta breve história do cinema turco, vamos ao filme do dia, Dünyayi Kurtaran Adam ou O Homem que Salvou o Mundo, ou, como é mais conhecido, Star Wars Turco.

Após a era espacial o universo presenciará a era galáctica em que houve uma involução na civilização (certamente para justificar a falta de orçamento do filme), como explicado pelas intermináveis legendas iniciais. 
A Terra, sob perigo de extinção, envia dois de seus melhores pilotos, que naturalmente são turcos. Eles ficam encarregados de salvar a humanidade dos terríveis inimigos intergalácticos que buscam a imortalidade e a dominação intergaláctica.
A Terra é protegida por um escudo composto pelos cérebros humanos (?) e força de vontade. Seus inimigos, com fantasias das mais vagabundas, não têm cérebros e precisam de um para atingirem seus objetivos maléficos.



Com cenas descaradamente roubadas do Star Wars ao fundo, que são repetidas a exaustão, e a música do Indiana Jones, os nossos heróis pilotando cada um a sua nave, são atingidos e vão cair em um local desconhecido. Milagrosamente suas naves caem próximas uma da outra e felizmente a terra ainda tem esperanças, já que os salvadores não sofrem um arranhão sequer na queda. 

A dupla é muito bem humorada, proferindo frases deste nível:
- "Tenha medo, mas não demonstre. Talvez podemos ter caído em um planeta habitado apenas por mulheres. Elas podem estar nos testando para ver quem é o mais corajoso."
- "Não esqueça de estufar o peito."

Mais uma colagem, com imagens do Egito e os heróis são surpreendidos não por mulheres, e sim por cavaleiros com armaduras de esqueletos muto podres. Após umas lutas muito mal coreografadas, eles são capturados por uns seres enlatados e levados para uma civilização repleta de múmias vivas, monstros e humanos escravizados. 

Após eliminar seus oponentes, os turcos começam a treinar para enfrentar o mal que está por vir. E não é um simples treino, eles socam e despedaçam pedras, amarram grandes pedras nas pernas, que parecem muito leves para estes obstinados defensores da humanidade, para tonificar os músculos das pernas. Não bastasse toda esta tosquice, eles dão super pulos, chutando pedras que explodem. Estas ridículas e engraçadas cenas, mostram que a Terra certamente não poderia estar em melhores mãos.



Depois de um cansativo treino pesado, nada melhor do que relaxar no bar. E este bar, meus amigos, é algo pra lá de bizarro, parecendo mais uma festa à fantasia repleta de monstros dos mais variados tipos, máscaras das mais fuleiras, parecendo que os produtores assaltaram uma loja de fantasias para realizar este filme. Mas isto não é o mais assustador, e sim os humanos presentes, desprovidos de qualquer beleza ou simpatia.

Depois de uma pequena confusão no recinto, são levados pelos capangas do vilão e são forçados a vestir umas roupas multicoloridas e brilhosas e eles, sempre agradecidos dizem:
- "Gosto daqui, são muito hospitaleiros".
- "Nos deram roupas bacanas".

E vejam só, até zumbis estão presentes aqui! Sim, aqueles que ajudam os humanos, são transformados em zumbis.

A seguir, mais uma luta bem coreografada, com os turcos sempre de bom humor, quebrando espadas, arrancando braços e pernas.
Já os vilões superpoderosos, capazes de transformar pessoas em zumbis ou aranhas, não conseguem derrotar os dois trapalhões turcos. Mas como o nome traduzido do filme é O Homem que Salvou o Mundo, não era de se esperar outra coisa.

Em mais um confronto contra os monstros, os dois dão seus super pulos em cima destes com direito a torcida a lá Pica Pau nas cataratas do Niágara. 



O filme mais parece ser uma coleção de esquetes agrupadas, formando esta magnífica pérola da sétima arte. As aventuras não param por aí, o vilão usará seus poderes para conseguir o seu objeto de desejo para controlar todo o universo: um tosco cérebro verde. Para isso, ele é capaz de tornar um dos turcos seu aliado, e mesmo assim, com todos estes poderes, não é preciso pensar muito para imaginar que o mesmo não obtêm sucesso.

Felizmente o mundo estará a salvo, inclusive as mulheres, razão pela qual o nosso herói não viveria e por este motivo continua a lutar. Mais situações bizarras irão acontecer (mesmo que eu não lembre direito) até que a terra seja finalmente salva do mal.

Por trás do brilhante roteiro, o filme também, ao meu ver, passa uma mensagem criticando o cristianismo, já que a Turquia é um país quase que totalmente dominado pela religião islâmica  Mas seria algo como o sujo falando do mal lavado.



O filme é muito ruim, mal feito, com péssimas atuações, mas como não se leva totalmente a sério, quando não é entediante, tem momentos divertidos por sua tosquice e falta de noção. Ideal para assistir rindo com os amigos, bebendo e comendo guloseimas, caso contrário, é difícil chegar ao fim do filme.