quarta-feira, 12 de julho de 2017

The Void (Canadá, 2016)

Filme: The Void
Diretor: Jeremy Gillespie, Steven Kostanski
Ano: 2016
País: Canadá
Duração: 90 minutos
Elenco: Aaron Poole, Kenneth Welsh, Daniel Fathers 

Para quem acompanha o blog, o nome dos diretores Jeremy Gillespie e Steven Kostanski não devem soar estranhos, pois eles são integrantes do coletivo Astron-6 e participaram ativamente de filmes como Father's Day e Manborg e mais discretamente de The Editor. Além disso, participaram de grandes produções, como Esquadrão Suicida, A Colina Escarlate, a série Hannibal e estão na produção do remake de It: A Coisa.

The Void foi uma produção paralela à Astron-6, sendo financiada coletivamente - arrecadando cerca de $ 82 mil, cujo custo total foi de $ 160 mil - com uma ideia mais ambiciosa do que os trashs que fizeram anteriormente, referenciando Lovecraft e homenageando o body horror dos anos 80 em uma história de mistério tensa e sombria.

Tudo começa quando dois sujeitos, que parecem pai e filho, perseguem um casal de jovens. Enquanto o homem consegue fugir, a moça é atingida por um tiro e queimada viva. O fugitivo é encontrado rastejando pela estrada pelo policial Daniel e levado ao hospital, por estar coberto de sangue.

No hospital - que se encontra isolado e cercado pela floresta - que está parcialmente desativado e quase deserto,  Daniel encontra sua esposa (ou ex), a enfermeira Allison, a qual possuem um trauma antigo relacionado com a perda de seu bebê. Lá, coisas estranhas começam a ocorrer. Uma das enfermeiras mata um paciente uma tesoura e corta a própria pele do rosto negando sua real aparência. Ela tenta atacar Daniel, que se vê obrigado a atirar nela. 


As coisas ainda ficarão mais estranhas quando o corpo da enfermeira ganha vida e torna-se uma criatura disforme com tentáculos que começa a atacar os presentes. Não bastasse isso, o pai e o filho invadem o hospital atrás do seu foragido. Além da tensão crescente dentro do hospital, eles se vêem presos no local, pois o mesmo se encontra cercado por pessoas vestindo um manto branco com um triângulo estampado no rosto, parecendo ser integrantes de uma seita. 

Soma-se aos mortos o médico, que é atacado pelo fugitivo e um sargento que é levado pelo monstro. Enquanto as enfermeiras tentam salvar Maggie, que está grávida e prestes a ter o bebê, ainda precisam se entender com os dois estranhos armados e lidar com as criaturas. Mas Richard, o médico morto também está de volta à vida, e o fugitivo, após uma tortura, fala que ele está envolvido com o culto dos caras de triângulo, onde faziam assassinatos e sacrifícios, buscando uma forma de vencer a linha entre a vida e a morte, após o trauma de perder a própria filha. 

Os homens restantes partem para o necrotério do hospital e entram em uma espécie de dimensão paralela, indicada pelo símbolo do triângulo, onde encontram-se com os frutos dos experimentos macabros do médico: corpos mutilados e deformados que voltaram a viver, lembrando as criaturas dos jogos Silent Hill. Neste ambiente, Richard, que já se encontra sem a pele do corpo, ignorando a dor e vendo a forma humana como transitória, manipula as percepções de realidade dos presentes, confundindo-os entre a realidade, loucura e pesadelos, baseados em seus traumas pessoais, medos e culpas, tanto que dá a impressão que Daniel é levado à matar Allison, após vê-la como um monstruoso emaranhado de tentáculos. 


Ao fim, Maggie, que estava grávida do médico, dá a luz à uma grotesca e enorme criatura e abre-se um portal para uma outra dimensão, onde aparecem Daniel e Allison em um ambiente deserto e desolado indo de encontro com o nome do filme e em uma clara referência ao final de The Beyond, de Lucio Fulci.



Quem gosta do citado The Beyond deve ter se empolgado com este final e não deve ter estranhado a possível falta de explicação aos mistérios apresentados. Aliás, vi várias críticas apontando o filme como confuso, ou o roteiro raso, ou simplesmente ruim por esta falta de explicações ou por não terem entendido o filme. Acredito que estas pontas soltas foram propositais e contribuem para o clima de mistério e nos colocam as dúvidas que os personagens estão vivenciando sobre o que é a realidade, pesadelo ou loucura, que se fossem melhor explicadas talvez não funcionassem tão bem, pois, mencionando Lovecraft, o horror pode ser mais impactante quanto vai além da compreensão humana. Ainda mencionando Lovecraft e seu horror cósmico, mostra a insignificância humana frente à seres e dimensões ancestrais.

Além de The Beyond, outro filme que parece ter sido de grande influência foi Hellraiser, de Clive Barker, onde vemos personagens se mutilando, dimensões paralelas, o vilão sem pele que lembra esteticamente imagens de Hellraiser.


O clima claustrofóbico e o body horror nos remetem a outro grande filme dos anos 80: Enigma do Outro Mundo, de John Carpenter. Embora The Void tenha bons efeitos práticos, estes ainda não se comparam com produções como esta de Carpenter ou A Mosca, de Cronenberg, mas para um filme de baixo orçamento, o resultado foi excelente. Cronenberg também pode ser visto como uma influência por conta da sua filosofia envolvendo carne e mutações corporais. Outros grandes filmes oitentistas e lovecraftianos que vejo elementos em comum é Re-Animator, de Stuart Gordon, embora sem o humor presente neste filme, ou também From Beyond, do mesmo diretor.


O filme mostra a competência dos jovens diretores, que além dos trashs anteriores, podem se arriscar em filmes mais sérios e tensos, apesar ainda do baixíssimo orçamento, mas, para não fugir da sua veia trash sangrenta, os diretores ainda trazem uma boa dose de gore e uns litros de sangue.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Das Komabrutale Duel (Alemanha, 1999)

Filme: Das komabrutale Duell /  The Coma-Brutal Duel
Diretor: Heiko Fipper
Ano: 1999
País: Alemanha
Duração: 86 minutos
Elenco: Heiko Fipper, Mike Hoffman, Stefan Hoft

Chegou a hora de voltar com as postagens, após mais um interminável período de hiato, mas prometo que agora as postagens serão mais frequentes. 
Volto da pior forma possível com o filme Das Komabrutale Duell, ou The Coma-Brutal Duel, dirigido por Heiko Fipper em 1999, na verdade, se a informação do IMDb estiver correta, foi o trabalho da vida dele, sendo filmado entre 1984 e 1999 como uma coleção de curtas que formaram esta obra-prima do sangue laranja. 
Fipper é considerado um dos representantes do chamado ultragore alemão, juntamente com diretores como Olaf Ittenbach, Timo Rose e Andreas Schnaas. Estes filmes são feitos de forma amadora e sem orçamento por fãs de gore. A história, se é que podemos chamar assim, de The Coma-Brutal Duel é bastante rasa e parece que foi sendo pensada à medida que foram filmando, mesmo que isso tenha levado 15 anos. Tratam-se de sucessivas vinganças entre os membros de uma máfia/gangue contra um personagem e sua família e amigos que vai se arrastando por anos. Ou seja, basicamente o filme todo é baseado em pancadaria, tiros, tortura e mutilação com diversos instrumentos. 


O filme não deve ser levado à sério em nenhum momento, tanto que as brigas incluem centenas de socos, tiros, inclusive na cabeça, mutilações e os personagens seguem vivos e prontos para a briga.
São várias cenas absurdas, como um médico maluco que espanca suas vítimas até a morte, costura seus ferimentos, juntando os pedaços decepados e os reanima com eletrochoque, tornando-os como zumbis.

Em outra cena neste local, um dos personagens é atingido na cabeça e um dos amigos tem a brilhante ideia de tirar metade do seu cérebro para reavivar o amigo, já que ele claramente parece não usar muito o seu. Para isso, um outro amigo arranca-lhe a cabeça com a mão, a abre e retira meio cérebro para colocar no defunto, enquanto o corpo decepado fica perambulando pela sala. Após realizar a cirurgia nos dois cabeças ocas e colar tudo no seu lugar, com cola quente, todos ficam consertados e podem continuar na sua infinita vingança. 


Em outra cena, este mesmo trio, que perdeu muito sangue, faz uma transfusão de sangue caseira usando o sangue de um balde. E por aí vai o filme com alguns desses absurdos para divertir um pouco enquanto a pancadaria come solta. Ainda temos cenas de extração de fetos (bonecas) que são esmagados; cortes são fechados com grampeador; um estancamento de sangue é contido com um ferro quente, e tudo isso banhado de muito, mas muito sangue - meio alaranjado - e efeitos gore caseiros, pra compensar a falta de sentido da história. E, apesar do excesso de sangue e violência, não considero muito chocante, talvez devido ao baixo orçamento e dos efeitos não muito convincentes.


Apesar de tudo, o filme não é muito divertido, talvez por se levar meio à sério, mesmo com tanta bizarrice que acontece. E como são basicamente 90 minutos de sangreira, acaba ficando cansativo e não é um filme marcante. Tanto que quando acabei de ver já nem lembrava como havia sido o final. Em uma das críticas do IMDB, vi uma definição que faz sentido para o filme, classificando-o como "ultra-bore". É um filme que deve ser visto apenas por entusiastas de filmes trashs baratíssimos e cheios de gore.


Em comparação com outros filmes do ultragore alemão, como Black Past, The Burning Moon e Premutos de Olaf Ittenbach, The Coma-Brutal Duel fica devendo, mas se for comparado com a série de filmes Violent Shit, de Andreas Schnaas, o filme até parece bem mais assistível.

O que acho interessante no filme e sempre destaco, é que foi feito por um pequeno grupo de amigos, ficando a cargo do diretor também atuar e fazer os efeitos especiais. E mesmo que ninguém goste (sempre tem algum maluco para gostar), se a produção do filme trouxe alguma diversão para os envolvidos, acho que já é válida.
Heiko Fipper também dirigiu e atuou no filme Ostermontag, de 1991.

domingo, 13 de novembro de 2016

Rats - Notte di terrore (Itália, França, 1984)

Filme: Rats - Notte di terrore / Rats: Night of Terror / Ratos - A Noite do Terror
Diretor: Bruno Mattei, Claudio Fragasso
Ano: 1984
País: Itália, França
Duração: 97 minutos
Elenco: Ottaviano Dell'Acqua, Geretta Geretta, Massimo Vanni 

No ano 2015, em decorrência da estupidez humana, ocorreu uma guerra atômica e após a explosão de centenas de bombas, os cinco continentes se encontram em destroços. Séculos depois, no ano 215 D.B. (depois da bomba) os humanos tentam reconstruir a sociedade nos subterrâneos para não sofrerem com a radiação da superfície, mas uma nova raça, denominada Novos Primitivos, que é discriminada pelos demais, decide voltar a viver na superfície.

Após esta introdução, nos é apresentado um grupo de rebeldes, naquele visual punk-brega-militar-descolado-pós-apocalíptico na visão dos anos 80, liderados por Kurt, contando com um pessoal que atende pelos criativos nomes de Taurus, Lúcifer, Lilith, Myrna, Chocolate, Kat, Diana, Video, Duke, e até mesmo Deus!



Eles perambulam pela cidade abandonada e destruída até que param em um prédio abandonado. Lá encontram um estoque de mantimentos, que aposto já estarem vencidos, e se divertem saudavelmente dançando e se jogando farinha. Eles encontram uns corpos roídos e muitos ratos passeando pelo recinto, mas até aí tudo bem. Durante a noite Lúcifer e Lilith após serem repreendidos por Tauros ao tentarem copular no meio de todo mundo vão para um local reservado e podem assim se aliviar. Lúcifer quer repetir a dose, mas Lilith está cansada, sendo assim ele sai enfurecido enchendo a cara e dando um passeio pelo local, enquanto Lilith se abriga em seu saco de dormir. Lúcifer, idiotamente deixa a garrafa cair em um bueiro e fica lá saracoteando pendurado no buraco enquanto alguns ratinhos vão saltando sobre ele até ser soterrado por uma baciada de ratos. 

Já Lilith é castigada pela justiça roedora quando um rato invade seu saco de dormir e, obviamente o zíper fica preso, deixando ele se aproveitar dela, que em seguida é encontrada morta, sem sinal de ferimentos. Mesmo morta ela vai abrindo a boca, de onde lentamente vai saindo um rato que, sabe se lá por onde entrou...


Neste ínterim, Noah, que encontrou uma estufa com diversas plantas e um reservatório de água purificada, percebe que ela não é tão potável, pois vê alguns ratos usando-a para mergulho. Ele tenta intervir mas é atacado por ratos saltadores e não consegue reagir. Logo depois ele é encontrado desesperado cheio de roídas e com ratos pendurados pelo corpo. Seus bons amigos rapidamente resolvem o problema e se livram dos ratos com um lança-chamas fazendo-os queimar até a morte, assim como ele próprio.

A fuga é frustrada por que os pequenos inimigos roeram os pneus dos veículos, mesmo assim acho que seria mais prudente seguir a pé, mas não, eles nos garantem mais emoções e mortes ficando no prédio. Em mais um dos ataques das ratazanas, Taurus, o Chuck Norris pós-apocalíptico é encontrado morto em pé. Ele então incha e EXPLODE, permitindo a saída de um ou outro ratinho que nele se alojavam.



Se já não bastassem os ratos sedentos por sangue, ainda ocorrem desavenças entre Kurt e Duke, disputando a liderança do grupo que vai sendo dizimado aos poucos. Em um surto de insanidade, Duke, com Myrna como refém, decide matar os ratos com uma granada, o que faz com sucesso, apesar de se explodir com os ratos e levar Myrna consigo.

Diana, já parcialmente roída e cansada decide abandonar este abominável mundo novo e suicida-se, antes de ser devorada pelas ratazanas assassinas. Agora o grupo está reduzido a apenas quatro pessoas: Kurt, Video, Chocolate e Deus. Eles se abrigam na sala do computador, que sabe-se lá como ainda funciona, e escutam uma gravação que diz que os ratos deixaram os subterrâneos que deram lugar aos humanos e, com a radiação, se tornaram mais inteligentes e passaram a se alimentar de humanos. Os poderosos ratos conseguem derrubar a porta e vitimam Kurt e Deus. Sim, meus amigos, neste futuro apocalíptico não há lugar para Deus. Mas quando se está deitado no chão, com dois ou três ratinhos por cima do corpo não é muito difícil levantar e se livrar deles, mas talvez seja esta a razão de serem chamados de Novos Primitivos, em que sua extinção é iminente. 


Agora parem de ler se não querem saber o gran finale desta obra de arte, já que o aviso de spoilers nunca foi tão necessário como neste filme. Então, agora restam apenas Video e Chocolate, enquanto aparece uma equipe de resgate armada e trajando máscaras de gás. Os dois sobreviventes pensam estar encurralados pelos ratos e cogitam o suicídio, o que me fez imaginar um final como em O Nevoeiro, mas não, se segurem para o estarrecedor desfecho! A equipe de resgate vai eliminando os ratos com o gás e salvam a dupla. Quando Chocolate está feliz por estar viva e citando um livro que dizia que Deus criou os humanos e os animais e todos viveriam em paz, mas como Deus está morto (em clara referência nietzscheana (pobre Nietzsche ser mencionado em um filme de Bruno Mattei)) neste instante um dos integrantes da suposta equipe de resgate tira lentamente sua máscara, revelando sua real face. E ele não é humano. ELE É UM RATO GIGANTE! Fim!!
---------------------------------------------------------------------------------------


Depois de passar o impacto desta película, podemos refletir sobre o que acabamos de assistir. Então, o filme que parecia não fazer sentido fez uma crítica profunda (também nem tão profunda assim) apontando os seres humanos como as verdadeiras pragas do planeta? Bem, não é preciso pensar muito para saber disso, mas este final causa essa impressão de "que final horrível" ou "que final fantástico".
Bruno Mattei, acredite se puder, diz que se inspirou em A Noite dos Mortos Vivos para fazer Rats, mas ao invés de zumbis, ele deu seu toque pessoal e os substituiu por ratos situando o filme num mundo pós-apocalíptico devastado pelas guerras nucleares. Segundo ele, foi extremamente difícil trabalhar com ratos, ainda mais quando alguns dos ratos eram na verdade porquinhos da índia pintados de cinza ou eram ratos falsos.
E parece que Mattei via mesmo os ratos como grandes ameaças, já que é um deles que desencadeia a zumbificação em Virus, e agora dominam o mundo.
Além da terrível ameaça roedora, o filme ainda é completado pelos ridículas atuações dos personagens caricatos, parecendo saídos de um reality show, cada um escolhido por sua especialidade. Se as atuações são ruins, os diálogos são ainda piores e com um roteiro com o padrão de qualidade Bruno Matteri & Claudio Fragasso, tudo isso fazendo o filme figurar sempre em listas de piores filmes já feitos. Mas, assim como Virus, se você não levar muito a sério e gostar destas tranqueiras, certamente vai se divertir muito com esta uma hora e meia inesquecível de cinema sem qualidade alguma. 


O filme saiu com uns nomes bem criativos ao redor do mundo, como "Después de la bomba", na Colombia, "Año 225, después del holocausto" ou "Año 225, después del apocalipsis" na Espanha. No Brasil ficou como "Ratos - A Noite do Terror", neste caso não dá pra reclamar da tradução nacional.
Já falei um pouco sobre o "trabalho" dos diretores na postagem de Virus, e assim como naquele filme, neste a dupla também não tem coragem de se identificar como os diretores do filme. Bruno Mattei consta novamente como Vincent Dawn e Claudio Fragasso não é creditado.

A ameaça de ratos na ficção já vem de muito tempo. Para citar algumas de suas aparições perturbadores nos livros, eles perturbam as pessoas no conto O Poço e o Pêndulo (Edgar Allan Poe, 1842) e no livro 1984 (George Orwell, 1949). Nos filmes eles dão o ar da desgraça em muitos filmes, inclusive alguns até mais trashs que Rats, como Willard (1971), que teve um remake em 2003, e sua sequência Ben (1972); A Fúria das Feras Atômicas (1976); Rats/Deadly Eyes (1982); O Inimigo Desonhecido (1983); Ratman (1988), A Criatura do Cemitério (1990); Altered Species/Rodentz (2001); Rat Scratch Fever (2011). Um que fiquei curioso para ver é o Nezulla, um filme janponês com um rato-monstro. Parece promissor!

Rats é uma boa pedida para fazer uma sessão dupla junto com Virus, tanto que existe uma versão em Blu-ray com ambos filmes. Diversão garantida ou seu download de volta! 

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Virus (Itália, Espanha, 1980)

Filme: Virus / Hell Of The Living Dead / Zombie Creeping Flesh / Os Predadores da Noite
Diretor: Bruno Mattei, Claudio Fragasso
Ano: 1980
País: Itália, Espanha
Duração: 101 minutos
Elenco:  Margit Evelyn Newton, Franco Garofalo, Selan Karay 

Um espécie de usina em Nova Guiné é utilizada por países desenvolvidos para as pesquisa da chamada "Doce Morte", onde são desenvolvidos experimentos químicos com o objetivo de controle populacional do terceiro mundo - como veremos mais claramente na conclusão do filme. Toda a tecnologia é posta abaixo por um rato, que provoca um vazamento no local gerando uma rápida infecção zumbi - entenda zumbi como pessoas com o rosto pintado de roxo ou verde. 

Após isso, vemos um esquadrão especial altamente truculento entrando em um prédio em que um grupo terrorista mantém reféns. Sem cerimônia, o esquadrão entra atirando e elimina brutalmente os sequestradores. Na cena seguinte, este esquadrão está em uma missão em Nova Guiné. Lá eles encontram Lia, uma repórter e seu câmera, que iremos chamar de Tom Savini cover, que seguem juntos e começam a se deparar com diversos zumbis, infectados pelo vazamento da usina. No percurso, eles encontram uma tribo local e, para se infiltrar entre eles - e garantir os peitinhos do filme - Lia tira a roupa e pinta-se como os locais. Lá, além de várias imagens roubadas de documentários sobre vida selvagem, vemos vários infectados e em seguida eles começam a atacar uns aos outros e aos forasteiros. Logo eles estão roendo ossos humanos ensanguentados enquanto os branquelos saem de fininho. Enquanto isso, nas TVs, um representante do povo de Nova Guiné acusa os países desenvolvidos por matarem seu povo.


Eles ficam perambulando pela selva até que os zumbis reaparecem e o câmera aproveita o furo de reportagem pra ficar na cara deles filmando tranquilamente enquanto o recruta Zantoro, o mais demente, fica se refestelando entre eles provando sua macheza e mostrando que eles são inofensivos e incapazes de pegá-lo.

O grupo então se refugia em uma casa que rapidamente é invadida, um recruta é pego, mas Zantoro segue se divertindo no meio de montes de zumbis, quase sendo capturado, mas consegue fugir com os outros no carro que, naturalmente os deixará na mão. Sem saída, seguem pelo mar de barco, chegando à usina onde tudo começou, o lugar ideal para esconderem-se.



Um a um os recrutas vão sendo eliminados pelos zumbis que tomaram o lugar, inclusive Zantoro, sobrando apenas o comandante e Lia que são acuados atacados pelos zumbis. Lia tem a língua e olhos arrancados, de dentro para fora.
O filme termina com uma horda de zumbis atacando o que parece ser os EUA.


Depois de muito ouvir falar mal deste filme, quando terminei de vê-lo fiquei com uma sensação estranha por até ter gostado. Tudo bem que tudo nele é mal feito: as atuações, a maquiagem, os efeitos, a falas dos personagens, a trilha sonora do Goblin foi roubada do Despertar dos Mortos e Contamination, muitas imagens de documentários sobre vida selvagem e o roteiro, principalmente, mas mesmo assim ele acaba sendo divertido de uma forma que muitos filmes modernos não conseguem. Além de tudo, senti uma certa influência de George Romero - pra não dizer plágio - por apresentar uma crítica social, mesmo que bem rasa, mostrando as nações desenvolvidas como as verdadeiras vilãs, o que foi um dos pontos que achei interessante, mesmo que muitos filmes já tenham feito isto e de forma melhor, não apenas como uma desculpa para pessoas se tornarem zumbis e saírem por aí matando as outras. Além de Romero, o filme se "inspira" no que estava rendendo dinheiro no cinema exploitation italiano da época: os filmes de zumbis e de canibais. Ou seja, é uma versão bem mambembe da mistura de Despertar dos Mortos, Zombie 2 e Cannibal Holocaust, mas com qualidade bem abaixo dos realizadores originais, mesmo assim obtiveram um considerável sucesso com Virus, apesar de uns probleminhas jurídicos por conta da trilha roubada do Goblin.


Mesmo assim, isto não quer dizer que seja um filme pra ser levado à sério. Achei ele bastante divertido, principalmente por suas falhas e sem muita enrolação, tirando os momentos National Geographic, indo direto ao ponto e nos dando o gore que tanto queremos.


O filme foi dirigido por Bruno Mattei, creditado como Vincent Dawn e Claudio Fragasso, que não foi creditado, talvez por vergonha do que tinha saído. O roteiro original de Fragasso previa que todo o terceiro mundo havia se transformado em zumbi, mas por restrições do orçamento isto ficou limitado apenas a Nova Guiné, embora tenha sido filmado na Espanha. De volta à Itália para fazer a montagem do filme, viram que as filmagens não eram suficientes e enxertaram cenas de outros filmes como Nuova Guinea, l'isola dei cannibali, Des Morts e La Vallée, muitas delas entediantes e desnecessárias.
O filme foi lançado ao redor do mundo com diversos títulos além do original Virus: Zombie Inferno, Hell of The Living Dead, Zombie Creeping Flesh, Apocalipsis Canibal, Virus: L'inferno Dei Morti Viventi, Night of The Zombies, e no Brasil ficou como Os Predadores da Noite. Nos Estados Unidos, também saiu com o título oportunista de Zombi 4.


Por todos os erros mencionados e muitos outros, a dupla Bruno Mattei e Claudio Fragasso é colocada ao lado ou abaixo de gênios do cinema como Ed Wood por seus atentados cinematográficos. A dupla trabalhou junto em pérolas como Os Sete Magníficos Gladiadores, Ratos - A Noite do Terror, Zombi 3, Strike Commando - Comando de Ataque, Emanuelle - A Detenta, Shoking Dark, Zombie 4, muitas vezes assinando através de pseudônimos - por que será?. Fragasso ainda participou do inesquecível Troll 2, com invejável nota de 2,7 - mas sabemos que estas notas não significam muito.
Um boa pedida para quem gosta dos velhos filmes toscos de zumbi.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Equinox (EUA, 1970)


Filme: Equinox
Diretor: Jack Woods, Mark Thomas McGee, Dennis Muren
Ano: 1970
País: Estados Unidos
Duração: 80 minutos
Elenco: Edward Connell, Barbara Hewitt, Frank Bonner, Jack Woods, Fritz Leiber Jr.

David (Edward Connell) corre desesperado pela floresta tentando escapar de algo desconhecido, até sair na estrada e ser atropelado por um carro sem motorista. Um ano e um dia depois, ele se encontra em um hospital psiquiátrico e um repórter tenta falar com ele mas, como não consegue estabelecer uma comunicação, o médico toca uma gravação onde David explica o que aconteceu naquele dia.

David foi chamado pelo Dr. Waterman (Fritz Leiber Jr.) para visitá-lo urgentemente em sua cabana na floresta. Com ele foram também o seu amigo Jim (Frank Bonner) e a namorada Vicki (Robin Christopher) e Susan (Barbara Hewitt). Chegando lá, se deparam com a cabana destruída. Do outro lado da montanha avistam um castelo e seguem em direção a ele. Porém, no caminho encontram uma caverna de onde ouvem risadas insanas e em volta avistam algumas pegadas estranhas.

Na caverna encontram um velho risonho e biruta que os entrega um grande livro antigo. Durante o piquenique, o Dr. Watermann surge sabe-se lá de onde, pega o livro e corre em disparada. Na fuga, ele cai e morre. Mas o mais estranho é que ele desaparece em seguida!


Eles abrem o livro e vêem algumas imagens de demônios, inscrições em uma língua estranha e algumas anotações do Dr. Watermann sobre o livro. Ele comenta que é uma espécie de livro dos mortos bastante antigo capaz de despertar demônios (já viram isso antes?).

Em seguida, Susan é atacada pelo guarda florestal Asmodeus (Jack Woods) - cujo nome já entrega suas reais intenções - que vai para cima dela babando e com a boca torta e ela parece nem se importar, mas ele desiste da investida ao ver o crucifixo da moça. A partir daí, Asmodeus, com seu anel mágico, invoca monstros gigantes para retomar o livro. Entidades malignas possuem Susan e Jim até que Asmodeus volta a sua verdadeira forma: um demônio alado -na verdade, Asmodeus é normalmente retratado como um demônio de três cabeças, mas acredito que a falta de orçamento cortou duas delas e os persegue até cruzar com uma cruz no cemitério e entrar em combustão. Mas não é tão simples assim se livrar do mal e uma entidade maligna avisa David que ele não pode fugir, e que irá morrer em um ano e um dia. Com Susan estirada ensanguentada no chão, David corre e voltamos à cena inicial.

Agora, um ano e um dia após o ocorrido, Susan se encaminha ao hospital com um sorriso maléfico no rosto. E fim. Ou não?


Equinox foi originalmente um curta feito de forma independente pelos estudantes de cinema Dennis Muren, Dave Allen e Jim Danforth em 1967 com o orçamento de $ 6.500. Uma pequena produtora chamada Tonylyn Productions gostou do filme e decidiu transformá-lo em um longa. Para isso, o editor da Tonylyn, Jack Woods dirigiu cenas adicionais, em que ele próprio atua como Asmodeus e finalmente o filme foi lançado em 1970. Os atores, se é que podemos chamá-los assim, são bem amadores, com reações exageradas, fazendo caras e bocas. O roteiro então, parece ter sido criado durante as filmagens. Mas isto não quer dizer que o filme não seja um bom entretenimento e não tenha pontos positivos, como os efeitos especiais em stop-motion e por ser uma grande influência para Sam Raimi fazer o clássico Evil Dead.


Quanto aos efeitos, o filme explora bastante o stop-motion para a animação dos monstros, o que, para quem gosta desta técnica incrível vai se divertir com este filme. O resultado pode não ser do nível de um Ray Harryhausen, mas funciona bem no filme e consegue ser mais convincente que muitas produções modernas que apelam para a computação gráfica. O que ficou mais esquisito nestas cenas é a sobreposição de imagens para os humanos interagirem com as criaturas, do que propriamente o stop-motion.


Sobre a sua influência em Evil Dead, é bastante clara, trabalhando com a ideia de jovens que vão à uma cabana na floresta e descobrem um livro maldito que pode invocar seres malignos e serem possuídos. Portanto, só por isto, este pequeno filme tosco já tem seus méritos por fazer Evil Dead um filme menos original.

Entre os atores, talvez o que mais se destavou foi Frank Bonner, que atuou e dirigiu diversas séries de TV. Já Fritz Leiber, que atua como o o Dr. Waterman, foi um escritor de ficção científica e horror. Jack Woods, que também é um dos diretores e roteiristas, trabalhou com o departamento de som, participando de filmes como Muralhas do Pavor, Jornada nas Estrelas III, Fantasma 2, Criaturas 2 e Corra que a Polícia Vem Aí 2 1/2.

Já a turma de efeitos especiais, que já se mostrava competente em produções anteriores foram os que mais tiveram destaque: David Alen fez Grito de Horror, Q - A Serpente Alada, Fome de Viver, A Coisa (junto com Jim Danforth), Bonecas Macabras, Trancers, Os Caça-Fantasmas 2, A Noiva de Re-Animator, Bonecos da Morte. Jim Danforth trabalhou em A Máquina do Tempo, As 7 Faces do Dr. Lao, Dark Star, 007 - Diamantes são eternos, Creepshow, O Enigma de Outro Mundo, História sem Fim, Dia dos Mortos e Comando Para Matar e na série The Outer Limits. 

Mas quem mais se destacou foi Dennis Muren, que trabalhou com efeitos especiais de grandes produções de Steven Spielberg, George Lucas e James Cameron, sendo o vencedor de 6 Oscars e tendo participado dos Guerra nas Estrelas, ET, Indiana Jones, O Exterminador do Futuro 2 e Jurassic Park, entre vários outros. 

domingo, 24 de janeiro de 2016

The Editor (Canadá, 2014)

Filme: The Editor
Diretor: Adam Brooks, Matthew Kennedy
Ano: 2014
País: Canadá
Duração: 95 minutos
Elenco: Paz de la Huerta, Adam Brooks, Matthew Kennedy, Udo Kier, Laurence R. Harvey, Samantha Hill

Rey Ciso (Adam Brooks) é um editor de filmes de horror, que usa próteses de madeira nos dedos, pois os decepou cortando rolos de filmes ensandecidamente após a sua esposa Josephine (Paz de la Huerta) ser recusada para um papel. Durante as filmagens do filme em que ele está trabalhando, ocorre o assassinato do protagonista e de uma atriz, que é encontrada enforcada pendurada no teto. O inspetor Peter Porfiry (Matthew Kennedy) passa a investigar o caso e desconfia de Rey, já que, assim como ele, o corpo da atriz é encontrado sem os dedos de uma mão. Quem encontra o corpo é justamente a esposa de Peter, Margarit (Sheila Campbell), que atua na produção e fica cega ao ver o cadáver.
Com a morte do ator principal, Cal Konitz (Conor Sweeney), que atua como o policial ajudante se anima para ficar com o papel, mas o diretor (Kevin Anderson) designa outro ator, Cesare, que, mesmo não falando inglês - para isso que serve a dublagem - é mais ou menos parecido com o protagonista e assim seguem com as filmagens juntando com as cenas já gravadas e Rey que se vire em editar tudo. 


Uma cena a ser editada é quando, no filme, os dois policiais chegam à uma academia de aeróbica e desconfiam de uma garota, alegando que é uma assassina disfarçada. Eles tentam provar isto arrancando sua "máscara", mas ela não usava máscara alguma e lhe é arrancada a pele do rosto - restando a sua caveira com olhos e boca mexendo - e constatam que se enganaram e colocam pele de volta como se nada tivesse acontecido.



Rey sente-se abatido, não consegue mais diferenciar o real da ficção, motivo pelo qual ele já havia sido internado em uma instituição para doentes mentais, e vai se confessar ao padre (Laurence R. Harvey). Em seguida, Cesare é morto, e a cena do assassinato aparece no rolo para Rey editar, deixando-o ainda mais em dúvida sobre a realidade. Cal, cada vez mais suspeito não esconde a euforia para ser o protagonista com a morte de Cesare, também sem os dedos e que foi atacado após se encontrar com ele. Mas o investigador ainda não liga os pontos e nem desconfia de Cal, mesmo vendo-o com um canivete suspeito. Pior para Rey que tem que ficar picotando o filme com a entrada e saída de atores.


O assassino misterioso agora aparece na casa do inspetor e leva sua esposa para um cômodo e fica com ela próximo à porta. Porfiry usa toda a sua genialidade para abrir a porta a machadadas e, eventualmente, rachar a cabeça da esposa. Para simular mais uma vítima do assassino, ele corta os dedos da própria esposa morta.
Rey é demitido e Bella (Samantha Hill), sua assistente é morta - após ter o olho perfurado por uma faca - e ele desconfia que o novo editor é o assassino, mas logo este também é executado, tendo as tripas extraídas e enroladas no rolo de filme, e os dedos cortados, naturalmente.


Enquanto Rey tem alucinações, Cal o ameaça com uma motosserra para colocá-lo novamente no filme. O inspetor, por sua vez, investiga alguma ligação de Rey com o ocultismo e suspeita que seja ele o responsável por retalhar Cal e sua esposa com uma motosserra, e acaba por encontrar uma coleção de dedos decepados escondido na casa de Rey.
Rey, que está perdido entre o mundo real e da ficção, também nos deixa em dúvida quando ele sai de uma TV e é perseguido pelo inspetor até chegar à casa de Francesco, o diretor, onde descobrimos quem é o real assassino misterioso, que é morto graças aos dedos de madeira de Rey.
Todo o caso parece solucionado, mas, em uma reviravolta à italiana, Porfiry descobre que tudo aquilo que entendia como real na verdade foi fruto do trabalho de algum editor!!!



Após esta plot twist metalinguístico, nos créditos vem outra sacada interessante quando o nome de Rey aparece como o editor do filme!
Quando descobri que este filme era uma homenagem aos Giallo, fiquei empolgado, mas ainda mais quando soube que era produzido pela canadense Astron-6, pequena produtora independente que lembra a conterrânea Roadkill Super Star, de Turbo Kid, em que seus integrantes escrevem, dirigem e atuam nos seus filmes.  Eles já fizeram o excelente Father's Day (2011), com o selo Troma de qualidade e Manborg (2011). 
Com The Editor, a produtora optou por arrecadar recursos para o filme no site de financiamento coletivo IndieGoGo, que é uma forma de financiamento que tem se mostrado uma boa opção para produções independentes, como ocorreu com o já comentado Kung Fury.
Mas falando sobre The Editor, o filme tem diversas referências à filmes italianos: um assassino misterioso, mortes exageradas (ainda mais aqui), belas mulheres nuas, trilha sonora e visual que remetem diretamente à Itália dos anos 70, nomes de filmes fictícios no estilo característico dos giallo, como The Mirror and the Guillotine, The Cat with the Velvet Blade e Tarantola. Além disso, existem diversas referências à cenas de filmes, não apenas do giallo. Entre elas, cito os filmes Lo strano vizio della Signora Wardh, de Sergio Martino; La tarantola dal ventre nero, de Paolo Cavara, Profondo Rosso, de Dario Argento; The Beyond, Lo squartatore di New York, Zombi 2, Murder Rock, de Lucio Fulci. A fotografia avermelhada faz referência às obras de Argento, assim como a confusão entre o que é real e ficção que lembra A Cat In The Brain (Un gatto nel cervello), de Fulci. Arrisco a dizer também, que houve uma pequena homenagem à Videodrome, do conterrâneo deles, Cronenberg.  


Um ponto negativo quanto às milhões de referências que vão surgindo à todo momento, inclusive relações com o sobrenatural, é que podem tornar o filme confuso, mesmo que no final possa justificar alguma falta de sentido.
Além de todo este clima estético e sonoro de mistério e todas homenagens ao horror italiano, The Editor mantém o humor e o trash característicos da Astron-6. As atuações e situações são bem exageradas e o sangue jorra em profusão nas mais diversas mortes criativas e violentas. Este exagero talvez incomode quem goste do clima mais sério dos filmes originais e não aprecie tanto a beleza do trash, o que não é o meu caso.
Embora eu ainda considere Father's Day o melhor filme da Astron-6, The Editor é o mais bem produzido deles e que tem como um dos pontos positivos a trilha sonora, que lembra diretamente as trilhas da banda Goblin em diversos clássicos italianos e até mesmo de Despertar dos Mortos, de Romero. Isto se deve à participação de Claudio Simonetti, o brasileiro que fazia parte do Goblin. Desta vez eles investiram mais em atores mais consagrados, como Paz de la Huerta (Nurse 3D, Enter The Void), Laurence R. Harvey (The Human Centipede II e III), Tristan Risk (American Mary), e o famoso Udo Kier (Shadow of the Vampire, Suspiria, Blood For Dracula, Flesh For Frankensteins e centenas de outros), mas ainda assim mantiveram sua trupe de produtores-diretores-roteiristas-atores como os protagonistas.


Enfim, gostei do filme e acho uma divertida homenagem/paródia ao cinema italiano e o recomendo à quem gosta deste tipo de filme, ou apenas gosta de trash. Faço minha parte divulgando-o, pois acho que é um dos bons filmes de 2015 que acredito que não será tão lembrado quanto outros mais conhecidos mas inferiores.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Italian Spiderman (Austrália, 2007)

Filme: Italian Spiderman
Diretor: Dario Russo
Ano: 2007
País: Austrália
Duração: 40 minutos
Elenco: David Ashby, Chris Asimos, Anna Cashman 

Italian Spiderman é um super-herói charmoso e elegante que traja uma roupa vermelha ostentando em seu peito uma imponente aranha (de sete patas), possui uma longa cabeleira e um respeitoso bigode, que também é uma mortal arma quando usada como um bumerangue com lâmina.

O nosso herói italiano é encarregado pelo professor Bernardi a transportar um asteroide que caiu na terra contendo uma fórmula capaz de duplicar os seres aos quais são aplicados. Mas ele não contava com o seu rival, o Capitão Maximum, que usa uma máscara de lucha libre e domina o poder de encantamento de serpentes suspensas por fios e que, após uma perseguição de moto, o captura. Quando Spiderman recobra a consciência, em uma praia, cercado de garotas de biquíni e metralhadoras, Maximum o desafia para um duelo de surfe! Maximum, sabendo das habilidades esportivas do italiano, joga sujo e o ataca através de nadadoras agressivas com metralhadoras, mas o herói bigodudo é capaz de comunicar-se com os animais e pedir por ajuda aos distantes pinguins que chegam em bando para atacar suas algozes. 


Maximum de posse do asteroide e com Spiderman e o professor Bernardi presos, usa a fórmula mágica pra multiplicar o seu exército. Spiderman apela novamente aos seus instintos animais para controlar uma de suas irmãs aracnídeas que convenientemente aparece no momento necessário. A aranha dá um bote mortal saltando em um dos meliantes, o que permite que o aracnídeo humano se livre das amarras, mas não pode evitar a morte do professor Bernardi.


Agora, o heroico cover de Ron Jeremy terá que lutar contra o exército de clones do Capitão Maximum, contando com seus dons de teletransporte. Por fim, terá que enfrentá-lo, ambos com suas dimensões multiplicadas pela fórmula alienígena, mas como isso iria desestruturar a cidade inteira com seus poderes multiplicados exponencialmente, o filme termina assim, com uma conclusão em aberto instigando o intelecto do expectador.





Italian Spiderman, apesar do nome, surgiu de um projeto de conclusão de faculdade de Dario Russo, um estudante australiano, que criou um trailer falso em 2007. Como este trailer fez um grande sucesso na internet, a South Australian Film Corporation ajudou a sua produtora Alrugo Entertainment a financiar 10 mini-episódios de uma web-série de Italian Spiderman, que depois formaram um curta metragem de quase 40 minutos. Em 2011, Dario Russo e David Ashby (que atuou como o Italian Spiderman) produziram o seriado igualmente trash Danger 5.

O filme faz algo semelhante ao seriado japonês do Homem-Aranha, adaptando o herói americano ao contexto de outro país, neste caso a Itália, inclusive com um duelo de gigantes, como na versão japonesa. O que também lembra as versões de baixa renda dos heróis picaretamente plagiados em filmes tosquíssimos da Turquia, Índia e México. Além disso, o filme ainda tem o aspecto das produções dos anos 70, inclusive com uma abertura a lá 007.

Italian Spiderman é uma produção propositalmente trash, repleta de exageros, defeitos propositais (ou não), belas garotas e situações nonsense que merece sua atenção.