segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Virus (Itália, Espanha, 1980)

Filme: Virus / Hell Of The Living Dead / Zombie Creeping Flesh / Os Predadores da Noite
Diretor: Bruno Mattei, Claudio Fragasso
Ano: 1980
País: Itália, Espanha
Duração: 101 minutos
Elenco:  Margit Evelyn Newton, Franco Garofalo, Selan Karay 

Um espécie de usina em Nova Guiné é utilizada por países desenvolvidos para as pesquisa da chamada "Doce Morte", onde são desenvolvidos experimentos químicos com o objetivo de controle populacional do terceiro mundo - como veremos mais claramente na conclusão do filme. Toda a tecnologia é posta abaixo por um rato, que provoca um vazamento no local gerando uma rápida infecção zumbi - entenda zumbi como pessoas com o rosto pintado de roxo ou verde. 

Após isso, vemos um esquadrão especial altamente truculento entrando em um prédio em que um grupo terrorista mantém reféns. Sem cerimônia, o esquadrão entra atirando e elimina brutalmente os sequestradores. Na cena seguinte, este esquadrão está em uma missão em Nova Guiné. Lá eles encontram Lia, uma repórter e seu câmera, que iremos chamar de Tom Savini cover, que seguem juntos e começam a se deparar com diversos zumbis, infectados pelo vazamento da usina. No percurso, eles encontram uma tribo local e, para se infiltrar entre eles - e garantir os peitinhos do filme - Lia tira a roupa e pinta-se como os locais. Lá, além de várias imagens roubadas de documentários sobre vida selvagem, vemos vários infectados e em seguida eles começam a atacar uns aos outros e aos forasteiros. Logo eles estão roendo ossos humanos ensanguentados enquanto os branquelos saem de fininho. Enquanto isso, nas TVs, um representante do povo de Nova Guiné acusa os países desenvolvidos por matarem seu povo.


Eles ficam perambulando pela selva até que os zumbis reaparecem e o câmera aproveita o furo de reportagem pra ficar na cara deles filmando tranquilamente enquanto o recruta Zantoro, o mais demente, fica se refestelando entre eles provando sua macheza e mostrando que eles são inofensivos e incapazes de pegá-lo.

O grupo então se refugia em uma casa que rapidamente é invadida, um recruta é pego, mas Zantoro segue se divertindo no meio de montes de zumbis, quase sendo capturado, mas consegue fugir com os outros no carro que, naturalmente os deixará na mão. Sem saída, seguem pelo mar de barco, chegando à usina onde tudo começou, o lugar ideal para esconderem-se.



Um a um os recrutas vão sendo eliminados pelos zumbis que tomaram o lugar, inclusive Zantoro, sobrando apenas o comandante e Lia que são acuados atacados pelos zumbis. Lia tem a língua e olhos arrancados, de dentro para fora.
O filme termina com uma horda de zumbis atacando o que parece ser os EUA.


Depois de muito ouvir falar mal deste filme, quando terminei de vê-lo fiquei com uma sensação estranha por até ter gostado. Tudo bem que tudo nele é mal feito: as atuações, a maquiagem, os efeitos, a falas dos personagens, a trilha sonora do Goblin foi roubada do Despertar dos Mortos e Contamination, muitas imagens de documentários sobre vida selvagem e o roteiro, principalmente, mas mesmo assim ele acaba sendo divertido de uma forma que muitos filmes modernos não conseguem. Além de tudo, senti uma certa influência de George Romero - pra não dizer plágio - por apresentar uma crítica social, mesmo que bem rasa, mostrando as nações desenvolvidas como as verdadeiras vilãs, o que foi um dos pontos que achei interessante, mesmo que muitos filmes já tenham feito isto e de forma melhor, não apenas como uma desculpa para pessoas se tornarem zumbis e saírem por aí matando as outras. Além de Romero, o filme se "inspira" no que estava rendendo dinheiro no cinema exploitation italiano da época: os filmes de zumbis e de canibais. Ou seja, é uma versão bem mambembe da mistura de Despertar dos Mortos, Zombie 2 e Cannibal Holocaust, mas com qualidade bem abaixo dos realizadores originais, mesmo assim obtiveram um considerável sucesso com Virus, apesar de uns probleminhas jurídicos por conta da trilha roubada do Goblin.


Mesmo assim, isto não quer dizer que seja um filme pra ser levado à sério. Achei ele bastante divertido, principalmente por suas falhas e sem muita enrolação, tirando os momentos National Geographic, indo direto ao ponto e nos dando o gore que tanto queremos.


O filme foi dirigido por Bruno Mattei, creditado como Vincent Dawn e Claudio Fragasso, que não foi creditado, talvez por vergonha do que tinha saído. O roteiro original de Fragasso previa que todo o terceiro mundo havia se transformado em zumbi, mas por restrições do orçamento isto ficou limitado apenas a Nova Guiné, embora tenha sido filmado na Espanha. De volta à Itália para fazer a montagem do filme, viram que as filmagens não eram suficientes e enxertaram cenas de outros filmes como Nuova Guinea, l'isola dei cannibali, Des Morts e La Vallée, muitas delas entediantes e desnecessárias.
O filme foi lançado ao redor do mundo com diversos títulos além do original Virus: Zombie Inferno, Hell of The Living Dead, Zombie Creeping Flesh, Apocalipsis Canibal, Virus: L'inferno Dei Morti Viventi, Night of The Zombies, e no Brasil ficou como Os Predadores da Noite. Nos Estados Unidos, também saiu com o título oportunista de Zombi 4.


Por todos os erros mencionados e muitos outros, a dupla Bruno Mattei e Claudio Fragasso é colocada ao lado ou abaixo de gênios do cinema como Ed Wood por seus atentados cinematográficos. A dupla trabalhou junto em pérolas como Os Sete Magníficos Gladiadores, Ratos - A Noite do Terror, Zombi 3, Strike Commando - Comando de Ataque, Emanuelle - A Detenta, Shoking Dark, Zombie 4, muitas vezes assinando através de pseudônimos - por que será?. Fragasso ainda participou do inesquecível Troll 2, com invejável nota de 2,7 - mas sabemos que estas notas não significam muito.
Um boa pedida para quem gosta dos velhos filmes toscos de zumbi.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Equinox (EUA, 1970)


Filme: Equinox
Diretor: Jack Woods, Mark Thomas McGee, Dennis Muren
Ano: 1970
País: Estados Unidos
Duração: 80 minutos
Elenco: Edward Connell, Barbara Hewitt, Frank Bonner, Jack Woods, Fritz Leiber Jr.

David (Edward Connell) corre desesperado pela floresta tentando escapar de algo desconhecido, até sair na estrada e ser atropelado por um carro sem motorista. Um ano e um dia depois, ele se encontra em um hospital psiquiátrico e um repórter tenta falar com ele mas, como não consegue estabelecer uma comunicação, o médico toca uma gravação onde David explica o que aconteceu naquele dia.

David foi chamado pelo Dr. Waterman (Fritz Leiber Jr.) para visitá-lo urgentemente em sua cabana na floresta. Com ele foram também o seu amigo Jim (Frank Bonner) e a namorada Vicki (Robin Christopher) e Susan (Barbara Hewitt). Chegando lá, se deparam com a cabana destruída. Do outro lado da montanha avistam um castelo e seguem em direção a ele. Porém, no caminho encontram uma caverna de onde ouvem risadas insanas e em volta avistam algumas pegadas estranhas.

Na caverna encontram um velho risonho e biruta que os entrega um grande livro antigo. Durante o piquenique, o Dr. Watermann surge sabe-se lá de onde, pega o livro e corre em disparada. Na fuga, ele cai e morre. Mas o mais estranho é que ele desaparece em seguida!


Eles abrem o livro e vêem algumas imagens de demônios, inscrições em uma língua estranha e algumas anotações do Dr. Watermann sobre o livro. Ele comenta que é uma espécie de livro dos mortos bastante antigo capaz de despertar demônios (já viram isso antes?).

Em seguida, Susan é atacada pelo guarda florestal Asmodeus (Jack Woods) - cujo nome já entrega suas reais intenções - que vai para cima dela babando e com a boca torta e ela parece nem se importar, mas ele desiste da investida ao ver o crucifixo da moça. A partir daí, Asmodeus, com seu anel mágico, invoca monstros gigantes para retomar o livro. Entidades malignas possuem Susan e Jim até que Asmodeus volta a sua verdadeira forma: um demônio alado -na verdade, Asmodeus é normalmente retratado como um demônio de três cabeças, mas acredito que a falta de orçamento cortou duas delas e os persegue até cruzar com uma cruz no cemitério e entrar em combustão. Mas não é tão simples assim se livrar do mal e uma entidade maligna avisa David que ele não pode fugir, e que irá morrer em um ano e um dia. Com Susan estirada ensanguentada no chão, David corre e voltamos à cena inicial.

Agora, um ano e um dia após o ocorrido, Susan se encaminha ao hospital com um sorriso maléfico no rosto. E fim. Ou não?


Equinox foi originalmente um curta feito de forma independente pelos estudantes de cinema Dennis Muren, Dave Allen e Jim Danforth em 1967 com o orçamento de $ 6.500. Uma pequena produtora chamada Tonylyn Productions gostou do filme e decidiu transformá-lo em um longa. Para isso, o editor da Tonylyn, Jack Woods dirigiu cenas adicionais, em que ele próprio atua como Asmodeus e finalmente o filme foi lançado em 1970. Os atores, se é que podemos chamá-los assim, são bem amadores, com reações exageradas, fazendo caras e bocas. O roteiro então, parece ter sido criado durante as filmagens. Mas isto não quer dizer que o filme não seja um bom entretenimento e não tenha pontos positivos, como os efeitos especiais em stop-motion e por ser uma grande influência para Sam Raimi fazer o clássico Evil Dead.


Quanto aos efeitos, o filme explora bastante o stop-motion para a animação dos monstros, o que, para quem gosta desta técnica incrível vai se divertir com este filme. O resultado pode não ser do nível de um Ray Harryhausen, mas funciona bem no filme e consegue ser mais convincente que muitas produções modernas que apelam para a computação gráfica. O que ficou mais esquisito nestas cenas é a sobreposição de imagens para os humanos interagirem com as criaturas, do que propriamente o stop-motion.


Sobre a sua influência em Evil Dead, é bastante clara, trabalhando com a ideia de jovens que vão à uma cabana na floresta e descobrem um livro maldito que pode invocar seres malignos e serem possuídos. Portanto, só por isto, este pequeno filme tosco já tem seus méritos por fazer Evil Dead um filme menos original.

Entre os atores, talvez o que mais se destavou foi Frank Bonner, que atuou e dirigiu diversas séries de TV. Já Fritz Leiber, que atua como o o Dr. Waterman, foi um escritor de ficção científica e horror. Jack Woods, que também é um dos diretores e roteiristas, trabalhou com o departamento de som, participando de filmes como Muralhas do Pavor, Jornada nas Estrelas III, Fantasma 2, Criaturas 2 e Corra que a Polícia Vem Aí 2 1/2.

Já a turma de efeitos especiais, que já se mostrava competente em produções anteriores foram os que mais tiveram destaque: David Alen fez Grito de Horror, Q - A Serpente Alada, Fome de Viver, A Coisa (junto com Jim Danforth), Bonecas Macabras, Trancers, Os Caça-Fantasmas 2, A Noiva de Re-Animator, Bonecos da Morte. Jim Danforth trabalhou em A Máquina do Tempo, As 7 Faces do Dr. Lao, Dark Star, 007 - Diamantes são eternos, Creepshow, O Enigma de Outro Mundo, História sem Fim, Dia dos Mortos e Comando Para Matar e na série The Outer Limits. 

Mas quem mais se destacou foi Dennis Muren, que trabalhou com efeitos especiais de grandes produções de Steven Spielberg, George Lucas e James Cameron, sendo o vencedor de 6 Oscars e tendo participado dos Guerra nas Estrelas, ET, Indiana Jones, O Exterminador do Futuro 2 e Jurassic Park, entre vários outros. 

domingo, 24 de janeiro de 2016

The Editor (Canadá, 2014)

Filme: The Editor
Diretor: Adam Brooks, Matthew Kennedy
Ano: 2014
País: Canadá
Duração: 95 minutos
Elenco: Paz de la Huerta, Adam Brooks, Matthew Kennedy, Udo Kier, Laurence R. Harvey, Samantha Hill

Rey Ciso (Adam Brooks) é um editor de filmes de horror, que usa próteses de madeira nos dedos, pois os decepou cortando rolos de filmes ensandecidamente após a sua esposa Josephine (Paz de la Huerta) ser recusada para um papel. Durante as filmagens do filme em que ele está trabalhando, ocorre o assassinato do protagonista e de uma atriz, que é encontrada enforcada pendurada no teto. O inspetor Peter Porfiry (Matthew Kennedy) passa a investigar o caso e desconfia de Rey, já que, assim como ele, o corpo da atriz é encontrado sem os dedos de uma mão. Quem encontra o corpo é justamente a esposa de Peter, Margarit (Sheila Campbell), que atua na produção e fica cega ao ver o cadáver.
Com a morte do ator principal, Cal Konitz (Conor Sweeney), que atua como o policial ajudante se anima para ficar com o papel, mas o diretor (Kevin Anderson) designa outro ator, Cesare, que, mesmo não falando inglês - para isso que serve a dublagem - é mais ou menos parecido com o protagonista e assim seguem com as filmagens juntando com as cenas já gravadas e Rey que se vire em editar tudo. 


Uma cena a ser editada é quando, no filme, os dois policiais chegam à uma academia de aeróbica e desconfiam de uma garota, alegando que é uma assassina disfarçada. Eles tentam provar isto arrancando sua "máscara", mas ela não usava máscara alguma e lhe é arrancada a pele do rosto - restando a sua caveira com olhos e boca mexendo - e constatam que se enganaram e colocam pele de volta como se nada tivesse acontecido.



Rey sente-se abatido, não consegue mais diferenciar o real da ficção, motivo pelo qual ele já havia sido internado em uma instituição para doentes mentais, e vai se confessar ao padre (Laurence R. Harvey). Em seguida, Cesare é morto, e a cena do assassinato aparece no rolo para Rey editar, deixando-o ainda mais em dúvida sobre a realidade. Cal, cada vez mais suspeito não esconde a euforia para ser o protagonista com a morte de Cesare, também sem os dedos e que foi atacado após se encontrar com ele. Mas o investigador ainda não liga os pontos e nem desconfia de Cal, mesmo vendo-o com um canivete suspeito. Pior para Rey que tem que ficar picotando o filme com a entrada e saída de atores.


O assassino misterioso agora aparece na casa do inspetor e leva sua esposa para um cômodo e fica com ela próximo à porta. Porfiry usa toda a sua genialidade para abrir a porta a machadadas e, eventualmente, rachar a cabeça da esposa. Para simular mais uma vítima do assassino, ele corta os dedos da própria esposa morta.
Rey é demitido e Bella (Samantha Hill), sua assistente é morta - após ter o olho perfurado por uma faca - e ele desconfia que o novo editor é o assassino, mas logo este também é executado, tendo as tripas extraídas e enroladas no rolo de filme, e os dedos cortados, naturalmente.


Enquanto Rey tem alucinações, Cal o ameaça com uma motosserra para colocá-lo novamente no filme. O inspetor, por sua vez, investiga alguma ligação de Rey com o ocultismo e suspeita que seja ele o responsável por retalhar Cal e sua esposa com uma motosserra, e acaba por encontrar uma coleção de dedos decepados escondido na casa de Rey.
Rey, que está perdido entre o mundo real e da ficção, também nos deixa em dúvida quando ele sai de uma TV e é perseguido pelo inspetor até chegar à casa de Francesco, o diretor, onde descobrimos quem é o real assassino misterioso, que é morto graças aos dedos de madeira de Rey.
Todo o caso parece solucionado, mas, em uma reviravolta à italiana, Porfiry descobre que tudo aquilo que entendia como real na verdade foi fruto do trabalho de algum editor!!!



Após esta plot twist metalinguístico, nos créditos vem outra sacada interessante quando o nome de Rey aparece como o editor do filme!
Quando descobri que este filme era uma homenagem aos Giallo, fiquei empolgado, mas ainda mais quando soube que era produzido pela canadense Astron-6, pequena produtora independente que lembra a conterrânea Roadkill Super Star, de Turbo Kid, em que seus integrantes escrevem, dirigem e atuam nos seus filmes.  Eles já fizeram o excelente Father's Day (2011), com o selo Troma de qualidade e Manborg (2011). 
Com The Editor, a produtora optou por arrecadar recursos para o filme no site de financiamento coletivo IndieGoGo, que é uma forma de financiamento que tem se mostrado uma boa opção para produções independentes, como ocorreu com o já comentado Kung Fury.
Mas falando sobre The Editor, o filme tem diversas referências à filmes italianos: um assassino misterioso, mortes exageradas (ainda mais aqui), belas mulheres nuas, trilha sonora e visual que remetem diretamente à Itália dos anos 70, nomes de filmes fictícios no estilo característico dos giallo, como The Mirror and the Guillotine, The Cat with the Velvet Blade e Tarantola. Além disso, existem diversas referências à cenas de filmes, não apenas do giallo. Entre elas, cito os filmes Lo strano vizio della Signora Wardh, de Sergio Martino; La tarantola dal ventre nero, de Paolo Cavara, Profondo Rosso, de Dario Argento; The Beyond, Lo squartatore di New York, Zombi 2, Murder Rock, de Lucio Fulci. A fotografia avermelhada faz referência às obras de Argento, assim como a confusão entre o que é real e ficção que lembra A Cat In The Brain (Un gatto nel cervello), de Fulci. Arrisco a dizer também, que houve uma pequena homenagem à Videodrome, do conterrâneo deles, Cronenberg.  


Um ponto negativo quanto às milhões de referências que vão surgindo à todo momento, inclusive relações com o sobrenatural, é que podem tornar o filme confuso, mesmo que no final possa justificar alguma falta de sentido.
Além de todo este clima estético e sonoro de mistério e todas homenagens ao horror italiano, The Editor mantém o humor e o trash característicos da Astron-6. As atuações e situações são bem exageradas e o sangue jorra em profusão nas mais diversas mortes criativas e violentas. Este exagero talvez incomode quem goste do clima mais sério dos filmes originais e não aprecie tanto a beleza do trash, o que não é o meu caso.
Embora eu ainda considere Father's Day o melhor filme da Astron-6, The Editor é o mais bem produzido deles e que tem como um dos pontos positivos a trilha sonora, que lembra diretamente as trilhas da banda Goblin em diversos clássicos italianos e até mesmo de Despertar dos Mortos, de Romero. Isto se deve à participação de Claudio Simonetti, o brasileiro que fazia parte do Goblin. Desta vez eles investiram mais em atores mais consagrados, como Paz de la Huerta (Nurse 3D, Enter The Void), Laurence R. Harvey (The Human Centipede II e III), Tristan Risk (American Mary), e o famoso Udo Kier (Shadow of the Vampire, Suspiria, Blood For Dracula, Flesh For Frankensteins e centenas de outros), mas ainda assim mantiveram sua trupe de produtores-diretores-roteiristas-atores como os protagonistas.


Enfim, gostei do filme e acho uma divertida homenagem/paródia ao cinema italiano e o recomendo à quem gosta deste tipo de filme, ou apenas gosta de trash. Faço minha parte divulgando-o, pois acho que é um dos bons filmes de 2015 que acredito que não será tão lembrado quanto outros mais conhecidos mas inferiores.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Italian Spiderman (Austrália, 2007)

Filme: Italian Spiderman
Diretor: Dario Russo
Ano: 2007
País: Austrália
Duração: 40 minutos
Elenco: David Ashby, Chris Asimos, Anna Cashman 

Italian Spiderman é um super-herói charmoso e elegante que traja uma roupa vermelha ostentando em seu peito uma imponente aranha (de sete patas), possui uma longa cabeleira e um respeitoso bigode, que também é uma mortal arma quando usada como um bumerangue com lâmina.

O nosso herói italiano é encarregado pelo professor Bernardi a transportar um asteroide que caiu na terra contendo uma fórmula capaz de duplicar os seres aos quais são aplicados. Mas ele não contava com o seu rival, o Capitão Maximum, que usa uma máscara de lucha libre e domina o poder de encantamento de serpentes suspensas por fios e que, após uma perseguição de moto, o captura. Quando Spiderman recobra a consciência, em uma praia, cercado de garotas de biquíni e metralhadoras, Maximum o desafia para um duelo de surfe! Maximum, sabendo das habilidades esportivas do italiano, joga sujo e o ataca através de nadadoras agressivas com metralhadoras, mas o herói bigodudo é capaz de comunicar-se com os animais e pedir por ajuda aos distantes pinguins que chegam em bando para atacar suas algozes. 


Maximum de posse do asteroide e com Spiderman e o professor Bernardi presos, usa a fórmula mágica pra multiplicar o seu exército. Spiderman apela novamente aos seus instintos animais para controlar uma de suas irmãs aracnídeas que convenientemente aparece no momento necessário. A aranha dá um bote mortal saltando em um dos meliantes, o que permite que o aracnídeo humano se livre das amarras, mas não pode evitar a morte do professor Bernardi.


Agora, o heroico cover de Ron Jeremy terá que lutar contra o exército de clones do Capitão Maximum, contando com seus dons de teletransporte. Por fim, terá que enfrentá-lo, ambos com suas dimensões multiplicadas pela fórmula alienígena, mas como isso iria desestruturar a cidade inteira com seus poderes multiplicados exponencialmente, o filme termina assim, com uma conclusão em aberto instigando o intelecto do expectador.





Italian Spiderman, apesar do nome, surgiu de um projeto de conclusão de faculdade de Dario Russo, um estudante australiano, que criou um trailer falso em 2007. Como este trailer fez um grande sucesso na internet, a South Australian Film Corporation ajudou a sua produtora Alrugo Entertainment a financiar 10 mini-episódios de uma web-série de Italian Spiderman, que depois formaram um curta metragem de quase 40 minutos. Em 2011, Dario Russo e David Ashby (que atuou como o Italian Spiderman) produziram o seriado igualmente trash Danger 5.

O filme faz algo semelhante ao seriado japonês do Homem-Aranha, adaptando o herói americano ao contexto de outro país, neste caso a Itália, inclusive com um duelo de gigantes, como na versão japonesa. O que também lembra as versões de baixa renda dos heróis picaretamente plagiados em filmes tosquíssimos da Turquia, Índia e México. Além disso, o filme ainda tem o aspecto das produções dos anos 70, inclusive com uma abertura a lá 007.

Italian Spiderman é uma produção propositalmente trash, repleta de exageros, defeitos propositais (ou não), belas garotas e situações nonsense que merece sua atenção.


domingo, 22 de novembro de 2015

American Hardcore (EUA, 2006)

Filme: American Hardcore
Diretor: Paul Rachman
Ano: 2006
País: Estados Unidos
Duração: 100 minutos
Elenco: Greg Ginn, Ian MacKaye, Lucky Lehrer, Keith Morris
IMDb: 7,3



American Hardcore é um documentário baseado no livro "American Hardcore: A tribal history", escrito por Paul Rachman, que narra, citando inúmeras bandas, a criação, o desenvolvimento e o declínio deste estilo musical durante os anos de 1980 à 1986, em especial, nos Estados Unidos. O documentário não é algo que eu chamaria de trash, mas o hardcore também foi uma manifestação contra cultural importante, feito de forma independente e sem finalidade comercial. Além, é claro, de se tratar de um estilo musical que gosto tanto e por citar várias bandas que estão entre as minhas favoritas, por isso, acho que vale comentar sobre este filme, mesmo que seja uma desculpa pra falar da história do hardcore. 

Nos início dos anos 80, nos Estados Unidos, a música era dominada pela disco music, o rock vivia um momento não muito empolgante e o punk rock já não era algo tão revolucionário quanto no seu início. Era o início da era Reagan, onde, segundo a visão conservadora, as pessoas deveriam seguir um estilo de vida pré-determinado: estudar, trabalhar, constituir uma família, consumir e seguir as regras. Esta sociedade, que oprime o povo pela busca por sucesso, causou muitos insatisfeitos. Com isso, jovens começaram a demonstrar suas insatisfações e ódio às autoridades criando suas bandas e fazendo um som influenciado pelo punk rock, mas mais rápido e agressivo e menos comercial. Era o início do hardcore.


Assim como no punk, as bandas seguiam a filosofia DIY (faça você mesmo), gravando os discos de forma independente, fazendo as próprias artes para álbuns e cartazes e tocando em qualquer lugar. Ian Mackaye (Teen Idles, Minor Threat) conta que na época do Minor Threat fizeram manualmente a capa de 10.000 EPs, recortando o papel e colando.

Uma das primeiras bandas foi o Bad Brains, de Washington, formada por negros rastafáris que tocavam hardcore e reggae, mas em suas músicas hardcore, faziam um som extremamente rápido e com uma mensagem positiva, vindo a influenciar o Teen Idles, banda de Ian Mackaye, que em seguida formou o Minor Threat, sendo a precursora do movimento straight edge, que se caracterizava por um estilo de vida livre de drogas.   
Outras bandas de Washington que vieram no embalo do Bad Brains foram o S.O.A., Void, Scream e The Faith.

Outro berço do hardcore foi na Califórnia, de onde vieram o Middle Class e o Black Flag, que, assim como o Bad Brains, formam o trio que criou o hardcore. O Black Flag teve como vocalista Keith Morris, que saiu e formou o Circle Jerks, outra importante banda. Henry Rollins, que fora vocalista do S.O.A. em Washington, mudou-se para a Califórnia assumindo os vocais do Black Flag. Da Califórnia também vieram as bandas Fear e Germs, que, assim como o Black Flag e o Circle Jerks, são mencionadas no documentário The End Of Western Civilization, que narra o início do hardcore na Califórnia. 

O hardcore se espalhou rapidamente. O documentário mostra que em cada estado, jovens estavam formando as suas bandas.  Em Nevada nascia o 7 Seconds, em Oregon o Poison Idea, em Indianapolis o Zero Boys, em Winsconsin o Die Kreuzen, em Michigan o The Necros e Negative Approach, em Illinois o Articles of Faith.


Em Boston, capital de Massachusetts surgia uma cena straight edge, porém com um som ainda mais agressivo e bruto que o Minor Threat. Desta cena vieram o SSD, Gang Green, Negative FX, Jerry's Kids, DYS. Uma falha do documentário quanto à cena de Boston é não citar a excelente banda Siege, que foi de fundamental importância para a futura criação do grindcore, fastcore e power violence, embora não tenho o devido reconhecimento.
Os integrantes do Bad Brains mudaram-se para NY e lá gravaram o seu primeiro álbum, um dos mais marcantes da história do hardcore. Lá eles influenciaram o Beatie Boys, que no seu início tocava hardcore. De NY vieram Agnostic Front e Cro-Mags, que definiram o estilo durão do hardcore de lá.


Do Texas vieram Big Boys, The Dicks, Really Red, MDC e o D.R.I., esta que fazia um som bastante acelerado e que mais tarde acabou influenciando bandas que criaram o thrashcore, um dos subgêneros do hardcore que eram ainda mais rápidos. 
O filme também cita bandas canadenses, que surgiram nesta época influenciadas pelo hardcore americano, como o D.O.A.

Após a primeira metade da década o hardcore passou pelo seu declínio, com muitas bandas parando ou mudando seu estilo para algo mais comercial. O Black Flag estava fazendo músicas mais longas e menos rápidas, o SSD e DYS migraram para uma espécie de hard rock, o D.R.I. incorporou influências do thrash metal indo para o crossover. Uma falha ao meu ver quanto ao livro e o documentário, é que deveria ter sido considerado além de 1986, pois assim poderia incluir a cena youth crew que teve origem com o Youth of Today, além de bandas mais rápidas como Infest, muito influente no meio do hardcore rápido.


Infelizmente, pela grande quantidade de bandas, algumas muito importantes acabaram apenas sendo citadas rapidamente, como o Poison Idea, D.R.I., Negative Approach e Negative FX.
De qualquer forma, é um excelente documentário e totalmente recomendado àqueles que desejam conhecer mais sobre a criação do hardcore e seus principais representantes do período, que até hoje seguem influentes. O documentário traz trechos de shows e entrevistas com grandes nomes, como Henry Rollins (Black Flag), Ian Mackaye (Minor Threat), H.R. (Bad Brains), Keith Morris (Circle Jerks, OFF!) e vários outros.




segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Turbo Kid (Canadá, Nova Zelândia, 2015)


Filme: Turbo Kid
Diretor: François Simard, Anouk Whissell, Yoann-Karl Whissell
Ano: 2015
País: Canadá / Nova Zelândia
Duração: 93 minutos
Elenco:  Munro Chambers, Laurence Leboeuf, Michael Ironside

Em um futuro pós-apocalíptico passado no ano de 1997, após guerras sem fim, a humanidade destruiu a si e ao mundo, e agora sofre com um inverno nuclear e com a escassez da água, que se tornou tóxica com as chuvas ácidas.

Neste mundo perigoso, mais especificamente em Wasteland, que é dominada por Zeus e sua impiedosa gangue que detém a distribuição de água, existem corpos e destroços por toda parte. As pessoas que restaram são sujas, deformadas e com próteses mecânicas adaptadas à seus corpos. Um garoto tenta sobreviver como pode com sua bicicleta, o principal meio de transporte, caçando ratos mutantes e procurando bugigangas para trocá-las por mantimentos de extrema necessidade como água não tão limpa e gibis do seu herói preferido, o Turbo Rider.

Um dia o garoto conhece Apple, uma moça sorridente e impertinente, sedenta por amigos, que logo passa a morar e a fazer tudo com ele.
Outro sobrevivente é Frederic (o Indiana Jones pós-apocalíptico), um lutador de queda de braço, que é pego pela gangue de Zeus, cujo principal capanga é um sujeito com máscara de caveira e um lançador de serras adaptado ao braço, chamado Skeletron. Este acaba cortando a mão de Frederic quando ele tenta fugir.

Apple é capturada por uma espécie de Kung Lao ciclista e o garoto consegue fugir, indo cair em uma porta subterrânea que na verdade é a nave enterrada de Turbo Rider em pessoa. O garoto pega os acessórios do herói morto e agora torna-se o Turbo Kid!
Apple é levada junto com Frederic, em uma piscina vazia, onde terão que duelar com alguns gladiadores de Zeus. Os corpos dos derrotados serão triturados em uma espécie de liquidificador que transforma os restos humanos em água potável. 

Turbo Kid aparece para salvar Apple, mas como ainda não domina os seus novos poderes, é colocado na piscina junto com os demais. Agora eles terão que duelar para salvar suas vidas. Mas esta piscina reserva um grande banho de sangue, a começar por Apple e seu "pau de gnomo" que inicia o massacre, com direito às mais diversas mutilações e esmagamentos. Turbo Kid recorre ao seu martelo e machete, até que finalmente aprende a usar sua Turbo Luva fazendo um estrago com seu laser mortal. 


Eles conseguem fugir, mas Zeus inicia uma caçada a eles.
Durante o confronto, Apple leva um tiro, mas estranhamente sobrevive, então sabemos que ela é um robô, mas agora está danificada e irá desligar em pouco tempo se não substituírem a peça atingida. Seguindo a dica de um vendedor conhecido pelo garoto, os dois partem em busca de uma peça substituta no cemitério de robôs. Mas este homem acaba sendo pego e confessa a localização dos dois após ser torturado por Zeus com seu macabro invento, em que as entranhas da vítima estão ligadas à roda de uma bicicleta e extraídas conforme os pedais giram.

Os jovens são encontrados pela gangue de Zeus. Turbo Kid consegue eliminar dois deles com seu laser, mas Apple é decepada por Skeletron e o garoto cai em um lugar com um gás tóxico, que o faz desmaiar. Com isso ele sonha e lembra-se que Zeus e Skeletron foram quem retalharam os seus pais, não sem antes sua mãe deixar Zeus caolho com uma flechada.



Turbo Kid é salvo por Frederic e ambos vão atrás de vingança contra Zeus. Eles se encontram, mas antes terão que passar pela turminha da pesada de Zeus e suas diversas armas, mas contarão com a ajuda de Apple e seu novo corpo robótico.
Turbo Kid, com sua Turbo Luva e armas como um martelo e uma machete e Frederic com sua nova mão mecânica, transformam seus oponentes em guisado em uma batalha brutal, restando apenas Skeletron, que é eliminado a lá Bagman com o uso de um guarda-chuva, também necessário para protegê-lo da chuva de sangue resultante (ao estilo Tokyo Gore Police).
Mas Zeus também é um robô super poderoso e Turbo Kid precisará aproveitar a própria energia de Zeus para eliminá-lo!


Turbo Kid, co-produção entre Canadá e Nova Zelândia, nos lembra diretamente filmes pós-apocalípticos como Mad Max, porém sem veículos possantes e sim com bicicletas, o que até parece mais plausível em um mundo em destroços e com escassez de recursos. O filme também lembra as recentes homenagens aos anos 80, como Kung Fury, inclusive com uma característica trilha sonora e estética que nos remete àquele período. Mas algo que favorece Turbo Kid em comparação com este curta é o gore abundante e altamente divertido e maior uso de efeitos práticos, além de possuir um orçamento bem menor. 

Num primeiro momento, Turbo Kid pode parecer ter se inspirado em Kung Fury, que surgiu em 2013 como trailer falso com o mesmo estilo musical e visual oitentista videogamero, mas basta lembrar que Turbo Kid foi uma adaptação e ampliação do curta T Is For Turbo, de 2011, o qual participou da seleção para a antologia The ABC's of Death, mas não foi aprovado, dando lugar ao também ótimo T is for Toilet. 

Curta T is For Turbo:

Este foi o primeiro longa e um ambicioso projeto dos jovens diretores François Simard, Anouk Whissell e Yoann-Karl Whissell, da pequena produtora canadense RoadKill SuperStar. Sim, é isto mesmo, é o mesmo pessoal que produziu o lendário curta Bagman, inclusive utilizando lições aprendidas neste curta e fazendo diversas referências à ele, utilizando algumas das mortes hilárias, o uso peculiar do guarda-chuva, e até um dos vilões usando um saco na cabeça. Coincidência?

Com mais recursos, o trio que costumava ser protagonista nos seus curtas, se limitou a escrever e dirigir o filme, fazendo pequenas aparições no filme. Anouk e Françoius atuaram como os pais do garoto e Yoann-Karl foi um dos guardas que foi massacrado. Para os papéis principais, eles convocaram atores mais gabaritados, principalmente Michael Ironside, que atuou como o vilão e tem no currículo filmes como Horário de Visitas, Scanners, O Vingador do Futuro, Tropas Estelares, entre muitos outros. 

Turbo Kid mostra que, com um maior orçamento, o trio também é capaz de fazer trabalhos mais bem acabados e menos trash, mas sem perder a sanguinolência costumeira do seu currículo, inclusive adicionando uma história bonitinha e inocente com o romance adolescente, o que teria tudo para dar errado, mas particularmente achei o resultado bem interessante.
Recomendo!

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Staplerfahrer Klaus (Alemanha, 2000)

Filme: Staplerfahrer Klaus / Klaus, O Operador de Empilhadeira
Diretor: Stefan Prehn, Jörg Wagner
Ano: 2000
País: Alemanha
Duração: 10 minutos
Elenco: Konstantin Graudus, Gustav Adolph Artz, Jürgen Kittel
IMDb: 8,0


Staplerfahrer Klaus é um curta alemão de 2000 em formato de vídeo de segurança do trabalho, onde o narrador nos apresenta algumas regras básicas de segurança para operar uma empilhadeira e manter os seus colegas livres de cortes, perfurações, desmembramentos e demais mutilações, enquanto acompanhamos Klaus em seu primeiro dia de trabalho, mostrando tudo o que não fazer com estes veículos. 

Curta bem divertido e sangrento com mortes exageradas no melhor estilo trash, que deveria ser exibido em toda empresa que trabalha com empilhadeiras.




Konstantin Graudus, que interpreta Klaus, também atuou em Anti Bodies (2005) e em várias séries alemãs. A direção e roteiro ficaram por conta de Stefan Prehn e Jörg Wagner, que apenas dirigiram poucos curtas.

Para assistir o curta:

Ou se preferir com legendas, baixe aqui.