sábado, 22 de setembro de 2018

Things (Canadá, 1989)

Filme: Things
Diretor: Andrew Jordan
Ano: 1989
País: Canadá
Duração: 83 minutos
Elenco: Barry J. Gillis, Amber Lynn, Bruce Roach

Dois sujeitos, Don e Fred vão à casa de Doug, cuja esposa, Susan, está doente. Eles ficam por lá bebendo, jogando conversa fora e vendo TV, onde uma repórter fica lendo as notícias - interpretada pela atriz pornô Amber Lynn. Ela fala sobre os experimentos do Dr. Lucas. Em seguida vemos o próprio em ação, que está mais para um açougueiro do que um médico. Ele fica mutilando um homem ainda vivo mas parecendo estar em decomposição, arrancando-lhe a língua, olhos e tripas.


Susan começa a sangrar e saí uma criatura de dentro dela que parece uma enorme aranha com grandes dentes afiados. Mesmo assim, logo após o ocorrido os caras parecem tranquilos até que se dão conta do perigo e ficam perambulando pela casa atrás das criaturas, tentando sobreviver - seria tão mais fácil apenas sair da casa, não é? Eles ficam por lá catando o bicho pela casa e fazendo e falando coisas sem muito sentido - potencializadas pelas atuações ridículas e incompreensíveis.
São encontradas mais aranhonas na casa. Doug é atacado por uma delas no pescoço e Don, lhe defende dando marteladas nele para se livrar do ser. Doug sobrevive, mas depois tem a mão arrancada pela aranha. Don, como bom amigo que é, trata de cauterizar o braço incendiando-o.


Don se arma com uma furadeira e sai estraçalhando os bichos. Fred, que estava desaparecido ressurge matando mais uns bichos - que saíram sabe-se lá de onde - com uma serra elétrica - esta elétrica mesmo. O estranho é que ela faz barulho quando não está funcionando e vice e versa. Também tem umas partes sem som e outras em que vemos a capacidade de ventriloquismo dos atores, cuja dublagem não para de falar e os personagens nem sequer mexem a boca. E se você ver o filme sem legendas e sem conhecer tanto de inglês, como no meu caso, a experiência será ainda mais incompreensível e absurda. Mas acredito que não há muito o que se entender nesta coisa - aí entendemos o significado do nome do filme.


A casa vai ficando cheia de sangue e pedaços das toscas aranhas e vemos a caveira de Doug toda ensanguentada se mexendo e falando que está viva. O Dr. Lucas aparece por lá e descobrimos que Susan foi vítima de um de seus experimentos carniceiros para poder engravidar, ou algo do tipo, tanto faz também. Don fala que estão todos mortos e eles ficam conversando e rindo involuntariamente até que Don finalmente decide sair da casa correndo e balançando os braços como um João Bobo. Depois ainda retorna à casa e vê o Dr. Lucas morrendo e parecendo um zumbi e enfim o filme acaba com os dizeres: "VOCÊ ACABOU DE EXPERIENCIAR THINGS", o que é a mais pura verdade, pois isto está mais para uma experiência de extremo mau gosto do que um filme.


Things é um filme que se tornou cult, provavelmente pela sua ruindade gritante. Não é possível que o filme tenha sido feito com o propósito de ser bom ou bem feito. Prefiro acreditar que tamanha ruindade seja proposital, o que torna o filme até divertido, já que seu enredo é patético e as atuações - sendo muito generoso de chamar assim - são horrivelmente terríveis potencializadas pelas dublagens e efeitos sonoros péssimos que não condizem com o que vemos no vídeo. A sonoplastia, aliás, parece ter sido feita com a boca. Tem também os "efeitos especiais" que não convencem nem mesmo uma criança e são o máximo das tosquice. E também tem as aparições da repórter da TV, que são totalmente desnecessárias e um desperdício da atriz com vasta experiência em filmes adultos.


Things é totalmente amador e faz parecer qualquer filme de $ 10 mil de orçamento uma produção hollywoodiana. Não surpreende que tenha sido lançado diretamente para vídeo e é de se destacar a coragem do diretor, Andrew Jordan, por lançar tamanha aberração cinematográfica, mas confesso que o filme até não me entediou tanto e todas as suas falhas garantiram alguma diversão, embora o filme não deveria ter 83 minutos e sim ser um curta. Mas só indico para quem gosta de filmes péssimos.
Este é um dos filmes considerados Canuxploitation, os exploitations canadenses, e parece que o diretor tentou fazer algo que lembrasse de Shivers, do conterrâneo David Cronenberg, mas passou muito longe. 

Slime City (EUA, 1988)

Filme: Slime City / A Maldição de Zachary / Despedazator
Diretor: Gregory Lamberson
Ano: 1988
País: EUA
Duração: 81 minutos
Elenco: Craig Sabin, Mary Huner, T.J. Merrick


Alex muda-se para um novo velho apartamento e logo conhece Nicole, uma moça com um visual meio roqueira-gótica de peruca e Roman, um poeta que escreve uma linha por ano. Ele aceita o convite de Roman e jantam juntos uma papa e um licor verde. Quando volta para casa, encontra com Nicole no corredor e vai ao apartamento dela. Ele se diverte um pouco com a moça, coisa que não vinha conseguindo com a namorada Lori. Nicole transa gritando por um tal de Zachary, mas nada que incomode Alex. 


Quando acorda, Alex está todo suado e melequento. Logo sua pele começa a se soltar e parece derreter e vomitar algo verde. Ele ataca um mendigo e isso parece o fazer voltar ao normal. Alex questiona Roman sobre as alucinações do vinho e ele lhe diz que foi feito por alquimista que se suicidou no porão do prédio com seus seguidores.
Alex segue bebendo o vinho e de novo derrete. Ele leva uma prostituta para casa, a mata e se recupera. Ele descobre que Nicole era uma das integrantes da seita de Zachary que se suicidou e agora ocupa outro corpo.


Uma mulher do nada aparece na rua prevendo algo ruim para Lori ou alguém próximo à ela, quando vê que Alex será a ressureição de Zachary.
Alex, quando transformado, trata mal o amigo e a namorada e segue se alimentando mal com o iogurte tóxico e o vinho do mal. Lizzy, uma moradora do prédio, lhe conta que é a filha de Zachary que administra o elixir e aluga os apartamentos para os inquilinos que são os mortos da seita em novos corpos - embora alguns não tão novos assim. 
Alex tenta se livrar das bebidas, mas continua a derreter e precisa andar com o rosto enfaixado. Ele sofre uma tentativa de assalto e lhe cortam a barriga com uma faca. O corte engole a mão do agressor. Alex, cada vez mais transformado, parece satisfeito com sua nova forma e não se importa de matar o amigo quando ele vai visitá-lo.
Em um dos momentos em que volta a ser ele mesmo, Alex prepara um jantar romântico para Lori. Finalmente, eles vão para a cama, mas Alex começa novamente o derretimento e tenta matar Lori, que lhe impede espetando-o com um garfo.



À partir de agora entramos numa espiral de gore e fluídos nojentos quando Zachary assume o corpo de Alex, mas Lori não deixa barato e abre a barriga dele deixando suas tripas cairem, mas ele prontamente as ajunta e as coloca de volta. Ela lhe dá mais facadas, expelindo um gosmento sangue amarelo e o ataca com um cutelo arrancando-lhe a cabeça. Porém, a cabeça segue viva e falante e dá ordens para o atrapalhado corpo com a barriga dentada, que se levanta, mas é retalhado impiedosamente por Lori. 
Lori não tem descanço e acerta a cabeça, mas o cérebro gosmento sai rastejando pelo chão. Lori não desiste e faz um picadinho de cérebro, acabando - aparentemente - com a maldição satânica.


Slime City, ou como foi chamado na versão VHS nacional, A Maldição de Zachary, é um daqueles filmes oitentistas ultra-baratos, gore e trashs, cheios de nojeiras que tanto esperamos. O filme lembra a mistura de belas obras como O Incrível Homem que Derreteu e Street Trash. Em 2010, também dirigido por Gregory Lamberson, veio a sequência chamada Slime City Massacre, com a volta de Craig Sabin, que aqui faz o Alex. Mary Huner, que aqui vive Lori e Nicole, assim como os outros atores, não fez mais grande coisa em sua carreira, mas chegou a ter um papel insignificante em um episódio de Law And Order.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

The Crippled Masters (Hong Kong, Taiwan, 1979)

Filme: The Crippled Masters
Diretor: Chi Lo
Ano: 1979
País: Hong Kong / Taiwan
Duração: 90 minutos
Elenco: Sung-Chuan Shen, Chao-Ming Kang, Chiu Ho 

O filme já começa com Lee Ho tendo os braços decepados e sendo expulso do clã por ter violado alguma lei - sabe-se lá qual. A amputação é meio estranha, pois deixa em um braço umas espécies de dedos atrofiados, e o outro braço sequer sangra enquanto ele se arrasta até um restaurante. Lee Ho não quer saber de médico e entra num restaurante para fazer uma boquinha. Lá ele é discriminado e humilhado pela sua condição física. O garçom fica lhe oferecendo e tirando a comida da sua boca, até Lee Ho morder o garçom. Mas ele ainda apanha do prevalecido segurança do restaurante e é colocado para fora. 
Lee Ho é resgatado por um velhinho que faz caixões, mas logo a gangue do clã passa por lá e, vendo que ele está vivo, tenta matá-lo e ainda surra o senhor. Lee Ho, além de perder seus braços não tem paz. Ele acaba caindo em um rio e é levado pela correnteza. Chegando à margem, tenta caçar patos com a boca e é encontrado por um fazendeiro comendo a comida de porcos. O homem se sensibiliza e o deixa ficar e trabalhar por lá.
Chang Chu Chen, que havia ordenado que cortassem os braços de Lee Hoo, também é punido por Lin Chang Cao, o mestre do clã, e tem as pernas corroídas por líquido, ficando com elas finas e inúteis. Lin Chan Cao anda pela vila tocando o terror, surrando e tomando as lojas que não o pagam o aluguel. 


Chang Chu Chen, parece ter tido o mesmo destino de Lee Ho - será que ele foi maltratado no restaurante antes? - e aparece na fazenda, caindo nas "mãos" - desculpe a piada de mau gosto - de Lee Ho, que não quer matá-lo, prefere torturá-lo.
Durante a tortura, encontram um homem todo contorcido dentro de um cesto. O velho sábio fala o óbvio e diz para os dois se unirem e juntos vingarem-se do antigo mestre. Assim, o velho passa a ser o mestre dos dois que treinam duro para compensarem suas deficiências.
Depois de um tempo os dois voltam ao restaurante e agora são bem tratados pelo garçom, que é surrado juntamente com o segurança pela dupla. Agora que estão prontos para desafiarem qualquer um, ainda lutam com a gangue de Lin Chan Cao e deixam apenas Pow, o puxa-saco do mestre viver para informá-lo que ele será o próximo. O mestre o ordena que encontre a dupla e os mate.
Na busca pelos dois, Pow encontra Ho - na versão dublada parece mais com Po - um bom lutador que derrota vários da gangue e é contratado para se livrar dos dois deficientes. Mas nem é preciso procurar muito pelos dois, pois eles aparecem sorrateiramente durante a noite para roubar os cavalos de jade do mestre, uns artigos esculpidos em pedra. Quando confrontado com a dupla, Ho os deixa ir e pede que estudem o segredo dos cavalos de jade, pois só assim poderão ter um kung fu invencível.


Após uma luta com Lin Chan Cao, que tem um golpe poderoso com as costas, onde tem uma espécie de corcunda,  Ho é pego pela traição e punido, mas seus dois amigos e o velho mestre vão para salvá-lo. Ho conta que foi enviado pelo governo para investigar Lin Chan Cao. De cara, Ho descobre o segredo dos cavalos de jade, mas Lin Chan Cao os quer de volta e mata o mestre de Lee Ho e Chang Chu Chen. 
No fim, os três vão buscar vingança. Ho vai entregar dois "caixões de tróia" que escondem Lee Ho e Chang Chu Chen. Agora, no confronto final, apenas unindo seus poderes - Chang Chu Chen monta nas costas de Lee Ho - poderão vencer o poder da corcunda fatal de Lin Chan Cao. 


Este deve ser um daqueles filmes mais conhecidos por sua bizarrice do que realmente assistidos. O diretor deve ter se inspirado em Crippled Avengers, que saiu em 1978, onde três deficientes treinam e lutam contra o mestre que os aleijou. Só que aqui, o diretor usa realmente atores com deficiências físicas. Se por um lado pode - e deve - parecer de mau gosto ou uma exploração de deficientes, por outro também pode ser visto como uma forma de representatividade de pessoas com deficiência que, apesar de suas limitações, podem se igualar ou até mesmo superar pessoas sem deficiência alguma. O filme tem lutas até bem coreografadas e mostram a grande capacidade e superação dos atores. 
Não sou um grande conhecedor de filmes de artes marciais, mas estas peculiaridades e estranhezas que tornam o filme legal, assim como One Armed Boxer e Master of The Flying Guillotine, que por sinal, também possuem personagens com problemas físicos, além destes, e do citado Crippled Avengers, filmes de artes marciais como a série One Armed Swordsman também tem personagens deficientes, mas, diferente de Crippled Masters, os atores não tem realmente deficiências. Filmes com deficientes abacam sendo polêmicos, como no caso de Freaks, que praticamente acabou com carreira até então em ascensão do diretor Tod Browning. 


Crippled Masters ainda teve duas sequências feitas em Taiwan: Crippled Masters 2: Two Crippled Heroes, de 1980, e Crippled Masters 3: Fighting Life, de 1981, aproveitando/explorando a dupla de atores, mas com outros diretores.
Crippled Masters também consta na lista do The 50 Worst Movies Ever Made e, assim como Black Belt Jones, também é muito exagero incluí-lo na lista. O filme tem um ritmo interessante, um roteiro um tanto bizarro, mas divertido, além de boas lutas.
O filme ganhou uns títulos estranhos pelo mundo, como Il Colpo Maestro di Bruce Lee, na Itália; El Boxeador Cojo Del Kung Fu, no Peru e o pior de todos: Zombi 16: No Arms vs. No Legs!
O filme é difícil de ser encontrado com legendas em português, mas está disponível a versão dublada, que por aqui saiu como Mestres da Vingança, no blog parceiro Filme Lixo. Confira aqui e aproveite para navegar pelo acervo trash do blog.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Seeding of a Ghost (Hong Kong, 1983)

Filme: Seeding of a Ghost / Zhong gui / Black Magic 5
Diretor: Kuen Yeung 
Ano: 1983
País: Hong Kong 
Duração: 88 minutos
Elenco: Norman Chui, Phillip Ko, Maria Jo 

Um homem é pego cavando túmulos e quando escapa é atropelado por um táxi. Ao invés de morrer ele aparece dentro do táxi dizendo que usa magia negra, mas o motorista e sua família podem sofrer por ter quebrado a sua magia.
O motorista, Chau, é casado com Irene, que trabalha em um cassino. Ela começa a traí-lo com um dos frequentadores do cassino, Anthony Fang. Será essa a maldição que o feiticeiro previu?
Ela pede que ambos se divorciem e fiquem juntos, mas Fang não quer e eles discutem. Ela salta do carro e chama o marido. Antes que ele chegue ela é perseguida por dois malandros e foge para uma mansão abandonada onde a estupram violentamente e quando ela tenta fugir, cai de um andar e morre. Seu marido recebe uma misteriosa ligação dizendo que ela está na mansão. Lá o pneu fura e enquanto Chau está trocando, o novo pneu rola sozinho - muito antes do Rubber - levando-o até o local onde está o cadáver da esposa. 
Logo a eficiente polícia chega a Fang e aos assassinos de fato, que haviam sido vistos por Chau na noite do crime. Os dois suspeitos são liberados e tentam matar Chau para não incriminá-los, mas Chau dá uma surra nos dois e vai atrás de Fang. Os dois lutam - o bom na Hong Kong da Shaw Brothers é que todo mundo é bom de briga - mas Chau se dá mal e fica com a perna quebrada. 


Chau volta ao feiticeiro para punir os assassinos de sua esposa, que o adverte que é perigoso usar a magia negra para a vingança. Chau insiste e eles fazem um ritual para que o espirito de Irene infernize os assassinos. O feiticeiro extrai o espírito do corpo de Irene, que retorna sob a a forma de um corpo esquelético e agora os assassinos não terão mais paz!
Paul, um dos assassinos, quando está comendo macarrão o mesmo se transforma em minhocas. O outro deles, Peter, tem sua refeição transformada em cérebros sem que ele possa ver. Durante à noite em sua casa, todos os líquidos começam a borbulhar, incluindo a privada que devolve a merda e explode.
Fang, que não matou ninguém, apenas traiu sua esposa com uma mulher casada, entra na história e também é punido pelo espírito vingativo de Irene, que queria o casamento. Mas quem acaba sendo punida é a pobre esposa de Fang, que além de ter sido traída, ainda fica possuída e tenta matar Fang. Fang tenta os serviços de curandeiros para neutralizar o feitiço, mas não tem poder suficiente para tal.


Paul agora é perseguido pela irmã possuída que mostra uma tara incestuosa e morre ao ser empurrado por ela de cima de um prédio. Já Peter, tem suas costas rasgadas expondo sua coluna e segue uma luz violeta que o leva até o feiticeiro. O corpo dele alimenta o corpo cadavérico de Irene, que até então ficava mexendo a boca, mas agora começa a flutuar, faz umas piruetas no ar e suga a energia do falecido. Com efeitos luminosos bisonhos, temos o coito voador da portadora do espírito de Irene com o espírito luminoso de Peter, que a deixa grávida.


Na sequencia temos um duelo à distância de feiticeiros, os budistas do amante contra o bruxo da magia negra do marido traído, com direito a batalha de bolas de fogo voadoras, até que uma retorna ao feiticeiro de Chau que morre e isso interrompe o feitiço na esposa de Fang.
Como alertado pelo feiticeiro, Chau começa a sentir os efeitos colaterais da magia negra e seu braço vai se deteriorando - na verdade parece só um monte de barro seco. Ele faz uma transfusão de sangue - sem se preocupar com o tipo sanguíneo - para o corpo podre que é ocupado por Irene e reativa a magia. 


Enquanto isso, Fang e a esposa, que estava grávida, estão em uma festa com amigos e chamam o médico pois ela não se sente bem. Ela tem sua barriga explodida dando à luz a uma criatura com tentáculos e cheia de dentes pontiagudos que ataca e vai desmembrando o pessoal lá e por fim Fang. Lembrando Alien, da boca da criatura sai uma cabeça ensanguentada que morde Fang. Um tentáculo o penetra e o mata. O monstro continua mastigando e decepa o braço de uma mulher. Por fim, o médico - que tem uma maquiagem de ferimento pra lá de ridícula - acerta um tiro e mata a criatura. Será? A cabeça dentro dela aparece e se move e temos um final aberto, ou simplesmente a falta de um final, já que tanto faz, nada até aqui fez muito sentido, então vamos simplesmente acabar este filme.


Quando vi este filme tinha noção que se tratava de um Cat. III, e ele vai se encaminhando para o final sem parecer tão trash, apenas um tanto bizarro, mas nada que não se tenha visto muito mais insano em The Boxer's Omen, por exemplo, embora tenhamos mais cenas de nudez, e a cena de estupro, o que já deve justificar esta classificação do filme. Mas temos a cena do coito luminoso voador, que é memorável. Assim como o final, onde temos uma apoteose de sangue, gore e trash, fazendo relembrar bons momentos do gore/body horror tradicional dos anos 80, coisa que não temos no The Boxer's Omen neste nível. O filme foi um dos casos de Cat. III classificados retroativamente, já que o filme é de 1983 e a classificação só entrou em vigor à partir de 1988.


Para mim, é um dos filmes obrigatórios de Hong Kong que tratam de magia negra em duelo com o budismo e bizarrices mil, sem medo de fazer sentido e abusando de efeitos sangrentos e alguns luminosos, como de costume. Seeding of a Ghost, assim como os filmes similares da época, é uma experiência insana e esquisita aos nossos olhos ocidentais, o que faz com que o filme ganhe uma carga trash, ainda mais por não poupar também no quesito sanguinolência e efeitos toscos, importando os bons momentos do cinema gore oitentista americano.  
No caso de Seeding of a Ghost, não é exagero dizer que é uma mistura dos filmes de magia negra com algo de rape/revenge, só que aqui de uma forma sobrenatural. Assim como The Boxer's Omen, também de 1983 e de compartilhar atores como Philip Ko, o filme foi lançado pela Shaw Brothers e também não deixa de lado as artes marciais, marca da produtora. Clássico!

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Man Behind The Sun (Hong Kong, China, 1988)

Filme: Man Behind The Sun / Campo 731 - Bactérias, A Maldade Humana / Hak taai yeung 731
Diretor: Tun Fei Mou
Ano: 1988
País: Hong Kong / China
Duração: 105 minutos
Elenco:  Jianxin Chen, Hsu Gou, Linjie Hao

Durante a 2ª guerra os militares japoneses invadiram a China e estabeleceram o estado fantoche de Manchukou, na Manchúria. Para expandir seu império faziam experiências com o intuito de produzir armas bacteriológicas e vírus pelo esquadrão Manchu 731. 

Diferente dos dizeres de um poster do filme, que diz "na tradição de faces da morte", Man Behind The Sun não é bem este tipo de filme de execuções. O filme tem um certo caráter documental, explicando a situação no local e mostrando como eram as práticas e as motivações dos militares. Mas, na verdade, a maior parte do filme são cenas mais burocráticas, retratando a chegada do Dr. Shiro Ishii para comandar os experimentos e suas relações com os militares e acompanhamos as peripécias dos soldados mirins e o velho que trabalha no crematório picando e cantando enquanto coloca os pedaços de corpos no incinerador.

Os jovens soldados já aprendem desde cedo à desumanizar os prisioneiros, o que facilita sua execução. Em uma cena sem grande importância, vemos os meninos se arriscando para buscar uma bola, mas eles são descobertos e um deles é morto ao tentar fugir pela cerca elétrica - no único momento que ela parece estar ligada. No dia seguinte são castigados tendo que se arrastar na neve.

Uma mãe é descoberta pelos militares com um bebê e é mandada ao campo 731, enquanto seu filho é enterrado vivo na neve. No campo 731, derramam água gelada em suas mãos para que congelem ao ar livre. Com as mãos congeladas ela tem que colocá-las em um tanque, atrofiando os braços, que em seguida tem a pele facilmente retirada deixando os ossos expostos.



Em outro experimento, que parece uma evolução do anterior, um homem coloca as mãos em uma câmara e as retira congeladas. O médico/cientista bate nelas e as quebra em pedaços. Outros prisioneiros são crucificados próximos à explosivos, não o suficiente para matá-los, mas para desmembrá-los e mutilá-los.

Outro experimento dos mais marcantes é quando um chinês é colocado em uma câmara com um ruído alto, o que o faz inchar e seu intestino explode e salta para fora pelo seu ânus se contorcendo pelo chão como uma cobra. Em outra cena, uma mãe russa é colocada junto com sua filha em uma câmara de gás, para que sejam medidos os tempos das mortes, enquanto as crianças soldado, como em outros experimentos, são obrigadas a assistir o sofrimento das vítimas.




Mas a cena mais forte certamente é quando capturam um menino e abrem seu corpo, removendo seus órgãos, retirando seu coração ainda batendo. Com esta morte, os jovens resolvem se rebelar e espancam seu superior, mas isso parece não causar nenhuma consequência.
Os experimentos não se reduzem apenas à humanos. Um gato é solto em uma sala cheia de ratos que devoram o bichano. 



Alguns dos prisioneiros tentam fugas, mas são metralhados. Outros conseguem escapar durante o experimento das explosões, mas são capturados, ou mortos durante a fuga e vão se empilhando no crematório, um deles, inclusive, ainda vivo, tentando fugir com provas do que ocorria naquele local. Por fim, com a derrota certa do Japão na guerra e da aproximação dos russos, decidem matar os prisioneiros em câmaras de gás e queimá-los em uma grande vala e  destruir o local para não deixar provas. Neste ponto sobra até para os ratos, que aparecem correndo em chamas.

O prisioneiro sobrevivente consegue se disfarçar e está prestes a escapar com os militares e suas famílias, mas é descoberto e morto, terminando de pintar a bandeira japonesa de sangue chinês.



O filme, muitas vezes presente e listas de filmes mais polêmicos ou chocantes, pode não ser visto como tão extremo atualmente, principalmente para quem já tem alguma experiência em filmes violentos, já que são poucas as cenas de mortes. Mas é inegável que o filme provoca desconforto por alguns efeitos bem realistas, principalmente a autópsia do menino e sobretudo por ter sido baseado em uma história real, o que choca pelo quão abominável pode ser o ser humano, e não é de se admirar se o que de fato ocorreu foi algo como representado na tela ou mesmo até pior. Para dar a sensação de realismo nas partes de gore mesmo com um pequeno orçamento, foram usados corpos reais de humanos e animais, inclusive o menino que tem seu corpo aberto.
Sobre o gato que supostamente é devorado pelos ratos, o diretor afirmou que ele foi coberto de mel, e que apenas foi lambido pelos ratos esfomeados e devolvido são e salvo ao seu dono. Já os ratos não tiveram a mesma sorte e foram realmente queimados no final do filme, para a alegria dos fazendeiros locais.
O filme teve mais, até onde eu sei, quatro continuações, o primeiro e o quarto dirigido por Tun Fei Mou e o segundo e terceiro por Godfrey Ho. Também teve o filme Philosophy of a Knife, que trata sobre a unidade 731 e tem mais de quatro horas de duração. Se alguém recomenda ou não estes filmes, deixe sua opinião nos comentários.

Segundo alguns historiadores, estima-se que 250 mil homens, mulheres e crianças foram submetidos aos experimentos realizados no Campo 731, também conhecido como Unidade 731. A grande maioria das vítimas eram chineses, embora também houveram prisioneiros soviéticos, mongóis, coreanos e aliados. 
Os pesquisadores envolvidos na Unidade 731 ao invés de serem devidamente julgados por seus crimes, receberam imunidade dos Estados Unidos em troca dos dados de suas pesquisas, assim como o que aconteceu com os pesquisadores nazistas. Acredita-se que os Estados Unidos utilizaram os resultados destas desumanas pesquisas para seu próprio programa militar.



Um pouco sobre o Cat. III:
Man Behind The Sun, ou "Campo 731 - Bactérias, A maldade humana", no Brasil, fez sucesso na época de lançamento e estreou, em 1988, a Cat. III, classificação de Hong Kong permitida apenas para maiores de 18 anos, em razão de seu nível de violência gráfica. A indústria percebeu que existia uma grande demanda por filmes com conteúdo extremo, resultando em um grande estouro de filmes repletos de sexo e violência.
A classificação de categorias era separada da seguinte forma:
I: Para todas as idades;
IIa: Não adequado para crianças;
IIb: Não adequado para jovens;
III: Não aprovado para exibição para menores de 18 anos.
As categorias I, IIa e IIb eram advertências apenas e não tecnicamente ilegais para crianças assistirem no cinema, diferente da categoria III. Geralmente os filmes Cat. III não eram censurados, com algumas exceções como Dr. Lamb e The Untold Story. Alguns filmes também foram banidos. 

Os filmes Cat. III fizeram muito sucesso nos anos 90, sendo que quase 50% dos filmes exibidos nos cinemas de Hong Kong, alguns tendo sucesso de filmes mainstream, como Chinese Torture Chamber Story. Isto é uma coisa não tão comum no ocidente, onde filmes extremos costumavam sair diretamente para vídeo. Atores de filmes Cat. III também tinham um grande reconhecimento, como o caso de Anthony Wong, que ganhou o prêmio de melhor ator no Hong Kong Film Awards de 1994 por The Untold Story.

Os filme Cat. III não se limitavam à apenas um gênero, podendo ser de ação, horror, suspense e até mesmo comédia, desde que possuíssem conteúdo com violência, ou sexo, ou abordassem temas tabu. Alguns até envolvem elementos de gêneros diferentes, como Riki-Oh e Eternal Evil of Asia. Novamente citando The Untold Story, que contrasta cenas das atrocidades de um cruel assassino com cenas de comédia. Ainda sobre este filme, diversos filmes utilizam histórias similares de assassinos em série, muitas vezes envolvendo violência sexual com cenas pesadas, como nos filmes Ebola Syndrome, Red To Kill, Daughter of Darkness, Dr. Lamb e Taxi Hunter.

Comparando os filmes Cat. III com a lista britânica dos video nasties, por exemplo, percebemos que os Cat. III tinham mais liberdade, sendo exibidos em grandes cinemas para muitos expectadores, enquanto os video nasties, que muitas vezes eram feitos diretamente para vídeo, geraram toda uma manifestação por parte de entidades conservadoras, com o auxílio da mídia, tentando censurar e proibir estes filmes - tanto que muitas fitas foram apreendidas e até queimadas - usando de reportagens mentirosas e sensacionalistas relacionando qualquer crime à influência dos filmes e com a desculpa de sempre de "corromper as nossas crianças". Bom, mas isso é assunto para uma outra oportunidade.

Alguns filmes anteriores à 1988 foram reclassificados e passaram a integrar a lista de Cat. III, como Centipede Horror, Devil Fetus, Seeding of a Ghost, The Rape After e The Seventh Curse. 
O período de maior produção destes filmes foi entre 1988 e 1999, como: A Chinese Torture Chamber Story, Brother Of Darkness, Daughter of Darkness, Diary of a Serial Killer, Dr. Lamb, Ebola Syndrome, Erotic Ghost Story, Eternal Evil of Asia, Her Vengeange, Naked Killer, Peeping Tom, Raped by an Angel, Red To Kill, Riki-Oh, Robotrix, Run and Kill, Sex And Zen, Taxi Hunter, The Untold Story, entre muitos outros.
Filmes mais recentes também ganharam esta classificação, como: 3 Extremes II, Three... Extremes, Dumplings, Gong Tau, Human Pork Chop.

domingo, 1 de outubro de 2017

The Boxer's Omen (Hong Kong, 1983)

Filme: The Boxers Omen / Mo / Black Magic 4 / Zombi 10
Diretor: Chih-Hung Kuei
Ano: 1983
País: Hong Kong
Duração: 105 minutos
Elenco: Phillip Ko, Shao-Yen Lin, Kar-Man Wai, Bolo Yeung

O filme inicia com uma luta de boxe entre um atleta da Tailândia, Ba Bo (Bolo Yeung) e um de Hong Kong. O de Hong Kong está sendo massacrado, mas consegue acertar um chute no oponente que lhe rasga a cara - provavelmente por lutar com unhas compridas - o que lhe dá a vitória. Ba Bo, que não gosta de jogar limpo, não aceita e vai para cima do oponente e quebra seu pescoço, causando um tumulto generalizado no ringue.
Chan Hung, o irmão do lutador que se encontra hospitalizado, tem que se encontrar com uma gangue, que na verdade era uma emboscada. Eles haviam matado seu tio e tentam o mesmo com ele. Até que aparece uma figura misteriosa e com poderes de um buda misturado com um chafariz que o salva e pede que ele o siga, coisa que não faz. Esta cena parece apenas servir para apresentar o poderoso sacerdote budista, já que não se fala mais nos agressores ou no tio morto.
O estranho sujeito retorna à casa de Chan Hung na forma da silhueta de um templo luminoso, depois tomando sua forma humana e logo desaparece. Chan visita seu irmão no hospital, que está bem ferido e pede vingança. O irmão logo vai a um evento na Tailândia onde Ba Bo está recebendo um cinto de campeão e intervém, dizendo que ele não merece, tirando dele e querendo briga.


Na volta, ele vê novamente a forma luminosa no topo de um templo budista e lá é recebido. Explicam-lhe sobre seu sacerdote, que salvou um mestre de magia negra. Para isto ele lhe grudou uma espécie de espelhinho na sua testa que emitia círculos de luz multicoloridos. Isto fez sua pele parecer tomada por massa de pão e em seguida cresceram bolhas em sua pele até se transformar em uma velha desdentada - e aparentemente morta - de onde sai um morcego de sua boca. Não é algo que eu chamaria de salvação...



O morcego é morto apunhalado pelo sacerdote, o que desperta um sujeito com máscara de morcego que come um rato vivo e cospe seu sangue nos ossos do morcego, fazendo-o reviver.
O esqueleto do morcego sai andando serelepe em direção à saída do templo até ser esmigalhado pelo sacerdote budista. O homem-morcego agora toca sua flauta e encanta cobras para retirar seu veneno, que o introduz no cérebro de um crânio semidecomposto. Dá uma misturadinha na receita e alimenta aranhas, que parecem chupar o líquido de canudinho. Vale destacar que as aranhas estão mais para fofinhas do que para assustadoras. Elas têm o corpo gordo e patas curtinhas e não convencem nem um pouco, mas vamos acreditar que são aranhas perigosas.


Nada parece fazer muito sentido para nossas mentes ocidentais e as sequencias bizarras continuam. O homem-morcego, munido de suas aranhas contaminadas, vai ao templo envenenar o sacerdote com elas. Coisa que ele faz da forma mais prática possível: sobe pelas pareces e no teto e solta as aranhas em cima do sacerdote que é picado nos olhos.
Antes de morrer, o sacerdote que estava prestes a se tornar imortal, diz que alguém chamado Chan Hung - bem específico ele - apareceria em três meses ao templo, e lá estava ele, ouvindo toda esta história. 
Eles o mostram o corpo do sacerdote, que estava dentro de um vaso de cerâmica e ainda estava em bom estado. O corpo começa a falar e explica que eles foram gêmeos em vidas passadas. Quando seu corpo se decompor, será também a hora de sua morte. Chan Hung não dá muita atenção ao morto falante e vai para casa.
À noite ele começa a passar mal - bem mal, por sinal - quando vomita uma enguia, ainda viva. Convencido de sua missão, ele volta ao tempo e descobre que precisa se tornar um monge para combater o mal, mas sua maior preocupação é em raspar o cabelo.
O treinamento vai desde meditar em um rio cheio de sanguessugas, à receber as palavras de um vaso para o seu corpo - esta cena é difícil de ser explicada, precisa ser vista, mas seu corpo parece uma tela onde são projetadas algumas palavras que estavam inscritas no grande vaso onde ele estava.


Após o treinamento ele enfrenta o homem-morcego, que invoca morcegos de dentro de crânios de jacarés com o sacrifício de galinhas. Os morcegos atacam o agora monge, mas com seu novo poder ele cerca-se por um vaso que queima os morcegos e novamente vemos as palavras sendo projetadas em seu corpo.
Os crânios de jacarés ganham vida e vão rastejando e atacam o monge que detém suas mordidas. O satânico lhe responde com o dedo médio e arremessa um vaso que faz o monge dar voltas para trás quando atingido, sentindo agora este golpe. Para se tornar poderoso, o satânico homem-morcego come os restos de um animal e vomita-os, e come o vômito, e o vomita novamente, e o come novamente... Em seguida ele dá vida a uma cabeça verde que parece alienígena com uma tripa pendurada que fica balançando-se no ar. Mas isso ainda é pouco para o nosso poderoso monge, que facilmente explode a cabeça com seu poder.



O malvado não desiste e tem mais truques: ele enfia-se pontas afiadas em seu pescoço, que faz sua cabeça desgrudar do corpo com inúmeras e pequenas tripas abaixo dela. A cabeça levita e agarra o rosto do monge, que ainda consegue se livrar e com a chegada do sol - ou da lua - a cabeça se decompõe rapidamente.
Assim, ele quebrou o encanto e salva a si mesmo e a imortalidade do sacerdote. Com isso ele já pode voltar para casa e colocar um fim à sua abstinência sexual depois de tantos treinamentos e batalhas exaustivas, afinal ninguém é de ferro... Mas mal sabia ele que este ato iria lhe colocar novamente em problemas.
Três sujeitos, em um local decorado com cabeças decepadas e uma estátua assustadora com luz esverdeada, abrem um grande jacaré e dentro dele colocam um corpo. Não se preocupem com os animais, todos parecem bem falsos.


Enquanto este pessoal da magia negra faz suas artimanhas, Chan Hung vai para o ringue para lutar com Ba Bo. Ele não parece ter aprendido a lutar com os budistas e, assim como o irmão, vai apanhando. Depois de um tempo, o trio remove o corpo do jacaré e fazem um ritual comendo nojeiras e vomitando e assim sucessivamente. A massaroca resultante serve para alimentar o corpo de uma mulher, que ganha vida e faz uma espécie de vodu com a imagem do sacerdote, o que parece também atingir Chan Hung, que perde a visão durante a luta e apanha feio. Mas ele recusa-se a desistir e em uma reação de sorte, consegue uma vitória, não muito convincente.
Chan Hung e seu mestre extraem um poderoso líquido de um ganoderma (um cogumelão). Os budistas descobrem que ele quebrou a regra da abstinência, o que tirou a imortalidade novamente do sacerdote - imortalidade esta que é bem sensível, pelo jeito - e logo o matará também. Só há apenas uma forma de viver. Para isto ele vai à Katmandu para pegar as cinzas de buda. Ele se faz um profundo corte e aplica o líquido do cogumelo e em seguida costura o corte, fazendo uma luz transitar pelo seu corpo. Será que não dava pra usar uma seringa?


Ele vai ao templo, mas o mesmo é protegido por forças sobrenaturais. Estatuas ganham vida e soltam raios. Não bastasse isto, aparece a mulher do jacaré e invoca este animal, que ataca  o nosso monge transante. Ela ainda o domina com mãozinhas esqueléticas e rugas que cobrem o seu corpo. Com os seus truques budistas, um sacerdote aparece e arranca toda pele da mulher, que caga um líquido azul e dá a luz aos três sujeitos que a invocaram, em seguida ela é tragada por vermes.
Um deles abre sua barriga e os outros amputam suas mãos e pingam seu sangue sobre o corte. Da união de seus poderes surgem criaturas que atiram raios. Nada disso é suficiente para vencer as forças budistas. Assim Chan Hung, de alguma forma atinge seu objetivo e em um final súbito, salva sua vida e a imortalidade do sacerdote. FIM!

Ufa, chegamos ao fim deste filme, digamos, um tanto quanto exótico, que só poderia ser concebido por uma mente insana asiática. Apesar de parecer não fazer muito sentido - e se você leu este texto sem ter visto o filme, fará ainda mesmo - o filme é bem interessante, mesmo com pouco gore, tem bastante nojeiras e bizarrices sem fim. Além de muitos efeitos coloridos, luminosos que dão uma aura oitentista e psicodélica à produção.
O filme foi produzido pela famosa Shaw Brothers, especialista em filmes de kung fu, mas que também produziu diversos filmes de horror, como Hex, Hex vs. Wichcraft, Ghost Eyes, The Killer Snakes, Bewitched, Corpse Mania, para citar apenas alguns, que também são do diretor de The Boxers Omen, Chih-Hung Kuei. Bewitched, de nome original Gu, é o filme cujo The Boxers Omen é sequência, e também parece bastante interessante. Ele também dirigiu o WIP Bamboo House of Dolls, a comédia erótica de kung fu, Virgins of The Seven Seas e o bruexploitation Iron Dragon Strikes Back. Infelizemente depois de 1984 ele mudou-se para os Estados Unidos e saiu da indústria do cinema para abrir uma pizzaria. Ele faleceu em 1999, vítima de câncer de fígado. 
A própria Shaw Brothers também teve outras produções relacionadas à magia negra, como Black Magic e Black Magic 2. O próprio The Boxer's Omen, cujo título original é Mo, saiu com o título na Indonésia e nos Estados Unidos de Black Magic 4, já em Moçambique, aproveitaram outra franquia não oficial e o chamaram de Zombi 10!
The Boxer's Omen também tem algumas características, como a magia negra, cabeças voadoras e duelo de magos que lembram o filme indonésio Mystics In Bali e Witch With The Flying Head, Seeding of a Ghost - este também com os atores Kar-Man Wai e Philip Ko - , The Eternal Evil of Asia, entre vários outros deste que foi praticamente um subgênero no cinema asiático envolvendo o rico e criativo folclore da China, Hong Kong e parte do sudeste asiático.
Pelo que pesquisei, The Boxers Omen não chega a ser considerado um filme Cat. III, uma classificação de filmes somente para adultos, devido ao seu conteúdo relacionado ao sexo e violência, embora deva se aproximar. Mas, voltarei em mais detalhes ao assunto na postagem de um filme mais apropriado. Neste caso a insanidade e bizarrice são os pontos mais explorados, sem tanto espaço para violência gráfica ou nudez, mas que também estão presentes.


Se a cultura oriental já nos é estranha ao natural, imagine isto potencializado pelo poder do cinema trash, repleto de cores multicoloridas, de auto-mutilações, de rituais nojentos, de mortos que voltam à vida de formas mais bizarras e impensáveis, e de vários momentos grotescos e surreais. Cheguei a ver comentários comparando com filmes de Alejandro Jodorowski e José Mojica, e coisas como a parte mística e surreal e imagens do inferno psicodélico podem lembrar estes diretores, mas somente quanto à parte visual. Enfim, dito tudo isto, recomendo muito este filme.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

La Venganza de los Punks (México, 1987)

Filme: La Venganza de Los Punks
Diretor: Damián Acosta Esparza
Ano: 1987?
País: México
Duração: 90 minutos
Elenco: Fidel Abrego, Socorro Albarrán, Anaís de Melo, El Fantasma, Olga Rios

Alguns anos depois, os punks mexicanos voltam à atacar em La Venganza de Los Punks, filme que parece uma continuação direta de Intrepidos Punks e aparenta ter sido produzido na mesma época, inclusive pelas indumentárias dos personagens e qualidade de vídeo. O filme começa com os punks explodindo o presídio para libertar Tarzan. Logo eles estão de volta ao seu acampamento fazendo o que fazem de melhor: orgias e chapando-se. Vemos mulheres peladas, alguém tendo uma suástica pintada em sua bunda com canetinha. Um cara com cabelo espetado feito com papel alumínio.

Tarzan aparece com seus capangas Louco, Vinking, entre outros, em uma festinha de aniversário da filha de um dos policiais, Marco. Seguindo seu modus operandi, eles estupram as mulheres e matam todos, menos Marco, para fazê-lo sofrer - um erro terrível. E aqui termina a vingança dos punks, que dá nome ao filme. De agora em diante, tudo que vemos poderia ser chamado de La Venganza de Marco.


Marco quer que o caso fique com ele, mas seu superior o proíbe para que ele não trate o caso como vingança. Mas é justamente isto que Marco quer e pede demissão, para se vingar por conta própria. 
Na cena seguinte, uma gangue, que não é a dos punks, assalta uma vídeo locadora e mata todo pessoal por lá. Por sorte a polícia estava de passagem e entram em confronto e um dos policiais morre. Como esta cena não tem qualquer ligação com o restante do filme, seguimos adiante. 

Os punks agora, além de carnavalescos e nazistas, também são satanistas, com direito a uma estátua do diabo com sérias restrições orçamentárias e com os luzes piscando nos olhos. Vemos eles fazendo um ritual para agradecer pela vingança. Tarzan, com um cone na cabeça como da ku klux klan, porém multicolorido, sacrifica um carneiro e todos precisam dar uma roída na cabeça do animal, enquanto uma mulher quase nua pintada e com peruca dourada fica dançando. 



Marco localiza o esconderijo dos punks e inicia sua vingança por um vigia da gangue chamado de Mãozudo (!). Marco poderia simplesmente usar um revólver ou até uma faca em sua vingança, mas seria fácil e pouco criativo, além de não obter a tortura que irá saciá-lo. Marco surra Mãozudo e enfia uma estaca você sabe onde. O próximo é colocado em um um poço com cobras.

Pantera, a mulher de Tarzan é sequestrada por Marco e a chicoteia, mas não a mata, deixando-a presa em casa. Durante a vingança de Marco, Ojal, um dos punks quer se rebelar contra Tarzan e tomar o controle da gangue. Ojal tenta matar Tarzan atirando nele, mas parece só fazer um cortezinho. Tarzan nem tem tempo de pegá-lo, pois Marco logo faz isto e o mata atravessando sua cabeça com uma lança. 


Em seguida é a vez do punk com cabelo espetado de papel alumínio e calça de lycra, que é decapitado. O Charles Bronson mexicano se mostra um assassino cruel e sádico e sempre disposto a utilizar uma nova arma. Inspirado pelo Zé do Caixão, ele solta aranhas sobre o corpo de outra punk, enquanto mais uma é morta sendo derretida com ácido.


Para não ficar tão fácil para Marco, Pantera consegue escapar - duas vezes - e numa delas acerta-lhe uns tiros, coisa que o fará mancar por um tempo, mas até o fim do filme ele já parece perfeitamente recuperado. Seguindo sua missão, Marco queima outro punk vivo com um lança-chamas, até que, vendo que são muitos inimigos, perde a paciência e mata mais vários metralhando-os até, finalmente, chegar ao duelo contra Tarzan. Marco já totalmente insano e muito mais cruel que os próprios inimigos. Seu pesadelo só tem fim quando ele prende Tarzan de cabeça para baixo e começa a arrancar seus olhos - mas sem perder sua máscara, pois isso seria humilhação demais. Não vou revelar aqui, mas no final ainda temos um plot-twist daqueles mais manjados e desnecessários do cinema.


Não que seja muita coisa, mas achei La Venganza de Los Punks melhor que o antecessor Intrepidos Punks. Este até parece ter um enredo, que até é meio repetitivo e não é lá muito coerente com o título do filme, além de ser um clichê gigante de filmes de vingadores solitários. O filme repete vários dos punks do primeiro filme, mas agora com a direção de Damián Acosta Esparza, que fez também El Violador Infernal, este com a atuação da Princesa Lea, que não está presente no La Venganza de Los Punks até por ter sido morta no filme anterior. Mesmo com outro diretor, o filme parece uma sequência direta, mantendo a ignorância sobre a cultura punk. Além dos punks carnavalescos, agora também podemos rir de sua seita satânica e da criatividade assassina de Marco.


Acho que o orçamento aqui foi não deu para pagar uma música tema e só usaram músicas genéricas instrumentais. O filme até tenta desenvolver mais alguns personagens, como o punk Ojal, mas não vai muito à fundo e ele é logo morto quando tenta sua rebelião. Continuamos com os nomes bem punks como Pantera, Medusa, Louco, Viking, Mãozudo, além do chefe Tarzán.

O filme acaba sendo até mais violento, por conta da vingança sangrenta de Marco, que acaba sendo mais cruel que os punks, que desta vez ficam mais quietinhos no seu canto do que cometendo crimes por aí. O nível de exploitation também é elevado com mais nudez e vestimentas ainda mais absurdas dos punks.


Assim como Intrepidos Punks, La Venganza de los Punks parece sofrer com o mesmo problema que é a dúvida em seu ano de lançamento. No IMDb mostra como 1991, mas como ano de lançamento 1987, mesmo ano que o livro Destroy All Movies lista, que parece ser o mais correto, pela qualidade de imagem, que parece ter sido filmado pouco tempo após o filme anterior, que vou acreditar que é de 1983.

O ator Fidel Abrego, que faz Marco, também fez inúmeros outros filmes de crime, além de ter feito um papel pequeno em Chamas da Vingança, com Denzel Washington.

Uma boa pedida é fazer uma sessão dupla com Intrepidos Punks seguido por La Venganza de Los Punks. Diversão garantida.