domingo, 3 de agosto de 2014

Splatter: Naked Blood (Japão, 1996)

Filme: Nekeddo burâddo: Megyaku / Splatter: Naked Blood
Diretor: Hisayasu Satô
Ano: 1996
País: Japão
Duração: 76 minutos
Elenco: Misa Aika, Yumika Hayashi, Mika Kirihara

Eiji é um jovem mimado metido a cientista que, sabe-se lá como, desenvolve uma droga que ele batiza de Myson, um líquido azul que traria às pessoas o sentimento de calma de um céu azul ou do mar calmo, acabando com o sofrimento e trazendo felicidade. Sua mãe, também cientista, está trabalhando em seu anticoncepcional, o qual ela julga ser uma forma de salvar o mundo. Eiji vai até a clínica e injeta a sua droga no anticoncepcional, que seria testado em três mulheres.


Cada uma das garotas tem uma personalidade específica: uma é obcecada por comida, outra pela aparência e Rika, a nossa querida protagonista, é insone e bastante tímida e introspectiva, sendo até comparada à uma planta por sua apatia. O que faz sentido, já que seu colega de apartamento é um cacto gigante, com o qual ela divide seus sonhos através de um aparelho de realidade virtual, pois ela é incapaz de dormir por traumas de infância envolvendo a sua menstruação. Ela vive isolada e sua maior vontade é matar todos os seres vivos (o que me faz pensar que ela não era a pessoa ideal para ser testada com um anticoncepcional, a menos que seu cacto fálico...) e desenvolveu uma super audição, devido à sua insônia, sendo capaz até de ouvir as plantas. 


Após 48 horas o Myson começa a fazer efeito. A garota comilona se corta e gosta de seu próprio sangue, depois, quando está cozinhando, tem a ideia de fazer uma mão à milanesa (lembrando a cena de Machine Girl). Isto mesmo, ela frita a própria mão e a devora. A garota das aparências começa a se encher de piercings e correntes, culminando em sua morte. A comilona tem o mesmo destino, mas de uma forma ainda mais impactante e absurda: ela corta parte de sua vagina e a come, assim como o mamilo e, para terminar, arranca seu próprio olho com um garfo e o devora.


Eiji, sempre filmando as garotas, finalmente percebe o seu experimento deu merda. A partir daí irão ocorrer uma série de bizarrices surreais que só uma mente oriental insana é capaz de conceber e que nem irei descrever para não atrapalhar a experiência surreal. Soma-se também à trama, a história do pai de Eiji, um cientista com a obsessão da vida eterna, que queria a todo o custo um filho, talvez por pensar como o nosso querido Zé do Caixão, buscando a continuidade do sangue. 


Rika, que aparentemente não havia sofrido com os efeitos do Myson, acaba tendo sua obsessão potencializada pela droga: matar! É o que presenciamos junto com Eiji, quando ambos estão brincando sexualmente no aparelho de realidade virtual. 

À primeira vista, baseado em cenas ou simplesmente no título em inglês que recebeu, Splatter: Naked Blood, imagina-se apenas um filme gore com violência gratuita, no estilo da série Guinea Pig. O gore existe e com bons efeitos práticos, mas também há uma história interessante por trás, o que torna as cenas sangrentas mais justificadas.  


Acredito que o filme trate da incessante busca humana por prazer e felicidade, utilizando-se para isso de drogas como fuga para a realidade. Pode-se fazer um pequeno e tosco paralelo entre o filme e o livro Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, em que as drogas são usadas constantemente como forma de buscar felicidade e evitar frustrações, o que é cada vez mais real. Porém, no filme, a droga tem o poder de potencializar as obsessões ao ponto das pessoas serem devoradas por seus prazeres. 


O alto nível de bizarrices talvez até faça o filme parecer mais profundo e complexo do que seria, de fato, chegando a ser confuso. Apesar disso, o que mais impressiona e realmente vale o filme são as brutais cenas sangrentas, em especial quando a garota está degustando de si mesma, com destaque para a refeição ocular, entre outras coisas . 

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