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domingo, 13 de novembro de 2016

Rats - Notte di terrore (Itália, França, 1984)

Filme: Rats - Notte di terrore / Rats: Night of Terror / Ratos - A Noite do Terror
Diretor: Bruno Mattei, Claudio Fragasso
Ano: 1984
País: Itália, França
Duração: 97 minutos
Elenco: Ottaviano Dell'Acqua, Geretta Geretta, Massimo Vanni 

No ano 2015, em decorrência da estupidez humana, ocorreu uma guerra atômica e após a explosão de centenas de bombas, os cinco continentes se encontram em destroços. Séculos depois, no ano 215 D.B. (depois da bomba) os humanos tentam reconstruir a sociedade nos subterrâneos para não sofrerem com a radiação da superfície, mas uma nova raça, denominada Novos Primitivos, que é discriminada pelos demais, decide voltar a viver na superfície.

Após esta introdução, nos é apresentado um grupo de rebeldes, naquele visual punk-brega-militar-descolado-pós-apocalíptico na visão dos anos 80, liderados por Kurt, contando com um pessoal que atende pelos criativos nomes de Taurus, Lúcifer, Lilith, Myrna, Chocolate, Kat, Diana, Video, Duke, e até mesmo Deus!



Eles perambulam pela cidade abandonada e destruída até que param em um prédio abandonado. Lá encontram um estoque de mantimentos, que aposto já estarem vencidos, e se divertem saudavelmente dançando e se jogando farinha. Eles encontram uns corpos roídos e muitos ratos passeando pelo recinto, mas até aí tudo bem. Durante a noite Lúcifer e Lilith após serem repreendidos por Tauros ao tentarem copular no meio de todo mundo vão para um local reservado e podem assim se aliviar. Lúcifer quer repetir a dose, mas Lilith está cansada, sendo assim ele sai enfurecido enchendo a cara e dando um passeio pelo local, enquanto Lilith se abriga em seu saco de dormir. Lúcifer, idiotamente deixa a garrafa cair em um bueiro e fica lá saracoteando pendurado no buraco enquanto alguns ratinhos vão saltando sobre ele até ser soterrado por uma baciada de ratos. 

Já Lilith é castigada pela justiça roedora quando um rato invade seu saco de dormir e, obviamente o zíper fica preso, deixando ele se aproveitar dela, que em seguida é encontrada morta, sem sinal de ferimentos. Mesmo morta ela vai abrindo a boca, de onde lentamente vai saindo um rato que, sabe se lá por onde entrou...


Neste ínterim, Noah, que encontrou uma estufa com diversas plantas e um reservatório de água purificada, percebe que ela não é tão potável, pois vê alguns ratos usando-a para mergulho. Ele tenta intervir mas é atacado por ratos saltadores e não consegue reagir. Logo depois ele é encontrado desesperado cheio de roídas e com ratos pendurados pelo corpo. Seus bons amigos rapidamente resolvem o problema e se livram dos ratos com um lança-chamas fazendo-os queimar até a morte, assim como ele próprio.

A fuga é frustrada por que os pequenos inimigos roeram os pneus dos veículos, mesmo assim acho que seria mais prudente seguir a pé, mas não, eles nos garantem mais emoções e mortes ficando no prédio. Em mais um dos ataques das ratazanas, Taurus, o Chuck Norris pós-apocalíptico é encontrado morto em pé. Ele então incha e EXPLODE, permitindo a saída de um ou outro ratinho que nele se alojavam.



Se já não bastassem os ratos sedentos por sangue, ainda ocorrem desavenças entre Kurt e Duke, disputando a liderança do grupo que vai sendo dizimado aos poucos. Em um surto de insanidade, Duke, com Myrna como refém, decide matar os ratos com uma granada, o que faz com sucesso, apesar de se explodir com os ratos e levar Myrna consigo.

Diana, já parcialmente roída e cansada decide abandonar este abominável mundo novo e suicida-se, antes de ser devorada pelas ratazanas assassinas. Agora o grupo está reduzido a apenas quatro pessoas: Kurt, Video, Chocolate e Deus. Eles se abrigam na sala do computador, que sabe-se lá como ainda funciona, e escutam uma gravação que diz que os ratos deixaram os subterrâneos que deram lugar aos humanos e, com a radiação, se tornaram mais inteligentes e passaram a se alimentar de humanos. Os poderosos ratos conseguem derrubar a porta e vitimam Kurt e Deus. Sim, meus amigos, neste futuro apocalíptico não há lugar para Deus. Mas quando se está deitado no chão, com dois ou três ratinhos por cima do corpo não é muito difícil levantar e se livrar deles, mas talvez seja esta a razão de serem chamados de Novos Primitivos, em que sua extinção é iminente. 


Agora parem de ler se não querem saber o gran finale desta obra de arte, já que o aviso de spoilers nunca foi tão necessário como neste filme. Então, agora restam apenas Video e Chocolate, enquanto aparece uma equipe de resgate armada e trajando máscaras de gás. Os dois sobreviventes pensam estar encurralados pelos ratos e cogitam o suicídio, o que me fez imaginar um final como em O Nevoeiro, mas não, se segurem para o estarrecedor desfecho! A equipe de resgate vai eliminando os ratos com o gás e salvam a dupla. Quando Chocolate está feliz por estar viva e citando um livro que dizia que Deus criou os humanos e os animais e todos viveriam em paz, mas como Deus está morto (em clara referência nietzscheana (pobre Nietzsche ser mencionado em um filme de Bruno Mattei)) neste instante um dos integrantes da suposta equipe de resgate tira lentamente sua máscara, revelando sua real face. E ele não é humano. ELE É UM RATO GIGANTE! Fim!!
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Depois de passar o impacto desta película, podemos refletir sobre o que acabamos de assistir. Então, o filme que parecia não fazer sentido fez uma crítica profunda (também nem tão profunda assim) apontando os seres humanos como as verdadeiras pragas do planeta? Bem, não é preciso pensar muito para saber disso, mas este final causa essa impressão de "que final horrível" ou "que final fantástico".
Bruno Mattei, acredite se puder, diz que se inspirou em A Noite dos Mortos Vivos para fazer Rats, mas ao invés de zumbis, ele deu seu toque pessoal e os substituiu por ratos situando o filme num mundo pós-apocalíptico devastado pelas guerras nucleares. Segundo ele, foi extremamente difícil trabalhar com ratos, ainda mais quando alguns dos ratos eram na verdade porquinhos da índia pintados de cinza ou eram ratos falsos.
E parece que Mattei via mesmo os ratos como grandes ameaças, já que é um deles que desencadeia a zumbificação em Virus, e agora dominam o mundo.
Além da terrível ameaça roedora, o filme ainda é completado pelos ridículas atuações dos personagens caricatos, parecendo saídos de um reality show, cada um escolhido por sua especialidade. Se as atuações são ruins, os diálogos são ainda piores e com um roteiro com o padrão de qualidade Bruno Matteri & Claudio Fragasso, tudo isso fazendo o filme figurar sempre em listas de piores filmes já feitos. Mas, assim como Virus, se você não levar muito a sério e gostar destas tranqueiras, certamente vai se divertir muito com esta uma hora e meia inesquecível de cinema sem qualidade alguma. 


O filme saiu com uns nomes bem criativos ao redor do mundo, como "Después de la bomba", na Colombia, "Año 225, después del holocausto" ou "Año 225, después del apocalipsis" na Espanha. No Brasil ficou como "Ratos - A Noite do Terror", neste caso não dá pra reclamar da tradução nacional.
Já falei um pouco sobre o "trabalho" dos diretores na postagem de Virus, e assim como naquele filme, neste a dupla também não tem coragem de se identificar como os diretores do filme. Bruno Mattei consta novamente como Vincent Dawn e Claudio Fragasso não é creditado.

A ameaça de ratos na ficção já vem de muito tempo. Para citar algumas de suas aparições perturbadores nos livros, eles perturbam as pessoas no conto O Poço e o Pêndulo (Edgar Allan Poe, 1842) e no livro 1984 (George Orwell, 1949). Nos filmes eles dão o ar da desgraça em muitos filmes, inclusive alguns até mais trashs que Rats, como Willard (1971), que teve um remake em 2003, e sua sequência Ben (1972); A Fúria das Feras Atômicas (1976); Rats/Deadly Eyes (1982); O Inimigo Desonhecido (1983); Ratman (1988), A Criatura do Cemitério (1990); Altered Species/Rodentz (2001); Rat Scratch Fever (2011). Um que fiquei curioso para ver é o Nezulla, um filme janponês com um rato-monstro. Parece promissor!

Rats é uma boa pedida para fazer uma sessão dupla junto com Virus, tanto que existe uma versão em Blu-ray com ambos filmes. Diversão garantida ou seu download de volta! 

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Virus (Itália, Espanha, 1980)

Filme: Virus / Hell Of The Living Dead / Zombie Creeping Flesh / Os Predadores da Noite
Diretor: Bruno Mattei, Claudio Fragasso
Ano: 1980
País: Itália, Espanha
Duração: 101 minutos
Elenco:  Margit Evelyn Newton, Franco Garofalo, Selan Karay 

Um espécie de usina em Nova Guiné é utilizada por países desenvolvidos para as pesquisa da chamada "Doce Morte", onde são desenvolvidos experimentos químicos com o objetivo de controle populacional do terceiro mundo - como veremos mais claramente na conclusão do filme. Toda a tecnologia é posta abaixo por um rato, que provoca um vazamento no local gerando uma rápida infecção zumbi - entenda zumbi como pessoas com o rosto pintado de roxo ou verde. 

Após isso, vemos um esquadrão especial altamente truculento entrando em um prédio em que um grupo terrorista mantém reféns. Sem cerimônia, o esquadrão entra atirando e elimina brutalmente os sequestradores. Na cena seguinte, este esquadrão está em uma missão em Nova Guiné. Lá eles encontram Lia, uma repórter e seu câmera, que iremos chamar de Tom Savini cover, que seguem juntos e começam a se deparar com diversos zumbis, infectados pelo vazamento da usina. No percurso, eles encontram uma tribo local e, para se infiltrar entre eles - e garantir os peitinhos do filme - Lia tira a roupa e pinta-se como os locais. Lá, além de várias imagens roubadas de documentários sobre vida selvagem, vemos vários infectados e em seguida eles começam a atacar uns aos outros e aos forasteiros. Logo eles estão roendo ossos humanos ensanguentados enquanto os branquelos saem de fininho. Enquanto isso, nas TVs, um representante do povo de Nova Guiné acusa os países desenvolvidos por matarem seu povo.


Eles ficam perambulando pela selva até que os zumbis reaparecem e o câmera aproveita o furo de reportagem pra ficar na cara deles filmando tranquilamente enquanto o recruta Zantoro, o mais demente, fica se refestelando entre eles provando sua macheza e mostrando que eles são inofensivos e incapazes de pegá-lo.

O grupo então se refugia em uma casa que rapidamente é invadida, um recruta é pego, mas Zantoro segue se divertindo no meio de montes de zumbis, quase sendo capturado, mas consegue fugir com os outros no carro que, naturalmente os deixará na mão. Sem saída, seguem pelo mar de barco, chegando à usina onde tudo começou, o lugar ideal para esconderem-se.



Um a um os recrutas vão sendo eliminados pelos zumbis que tomaram o lugar, inclusive Zantoro, sobrando apenas o comandante e Lia que são acuados atacados pelos zumbis. Lia tem a língua e olhos arrancados, de dentro para fora.
O filme termina com uma horda de zumbis atacando o que parece ser os EUA.


Depois de muito ouvir falar mal deste filme, quando terminei de vê-lo fiquei com uma sensação estranha por até ter gostado. Tudo bem que tudo nele é mal feito: as atuações, a maquiagem, os efeitos, a falas dos personagens, a trilha sonora do Goblin foi roubada do Despertar dos Mortos e Contamination, muitas imagens de documentários sobre vida selvagem e o roteiro, principalmente, mas mesmo assim ele acaba sendo divertido de uma forma que muitos filmes modernos não conseguem. Além de tudo, senti uma certa influência de George Romero - pra não dizer plágio - por apresentar uma crítica social, mesmo que bem rasa, mostrando as nações desenvolvidas como as verdadeiras vilãs, o que foi um dos pontos que achei interessante, mesmo que muitos filmes já tenham feito isto e de forma melhor, não apenas como uma desculpa para pessoas se tornarem zumbis e saírem por aí matando as outras. Além de Romero, o filme se "inspira" no que estava rendendo dinheiro no cinema exploitation italiano da época: os filmes de zumbis e de canibais. Ou seja, é uma versão bem mambembe da mistura de Despertar dos Mortos, Zombie 2 e Cannibal Holocaust, mas com qualidade bem abaixo dos realizadores originais, mesmo assim obtiveram um considerável sucesso com Virus, apesar de uns probleminhas jurídicos por conta da trilha roubada do Goblin.


Mesmo assim, isto não quer dizer que seja um filme pra ser levado à sério. Achei ele bastante divertido, principalmente por suas falhas e sem muita enrolação, tirando os momentos National Geographic, indo direto ao ponto e nos dando o gore que tanto queremos.


O filme foi dirigido por Bruno Mattei, creditado como Vincent Dawn e Claudio Fragasso, que não foi creditado, talvez por vergonha do que tinha saído. O roteiro original de Fragasso previa que todo o terceiro mundo havia se transformado em zumbi, mas por restrições do orçamento isto ficou limitado apenas a Nova Guiné, embora tenha sido filmado na Espanha. De volta à Itália para fazer a montagem do filme, viram que as filmagens não eram suficientes e enxertaram cenas de outros filmes como Nuova Guinea, l'isola dei cannibali, Des Morts e La Vallée, muitas delas entediantes e desnecessárias.
O filme foi lançado ao redor do mundo com diversos títulos além do original Virus: Zombie Inferno, Hell of The Living Dead, Zombie Creeping Flesh, Apocalipsis Canibal, Virus: L'inferno Dei Morti Viventi, Night of The Zombies, e no Brasil ficou como Os Predadores da Noite. Nos Estados Unidos, também saiu com o título oportunista de Zombi 4.


Por todos os erros mencionados e muitos outros, a dupla Bruno Mattei e Claudio Fragasso é colocada ao lado ou abaixo de gênios do cinema como Ed Wood por seus atentados cinematográficos. A dupla trabalhou junto em pérolas como Os Sete Magníficos Gladiadores, Ratos - A Noite do Terror, Zombi 3, Strike Commando - Comando de Ataque, Emanuelle - A Detenta, Shoking Dark, Zombie 4, muitas vezes assinando através de pseudônimos - por que será?. Fragasso ainda participou do inesquecível Troll 2, com invejável nota de 2,7 - mas sabemos que estas notas não significam muito.
Um boa pedida para quem gosta dos velhos filmes toscos de zumbi.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Le notti del terrore (Itália, 1981)

Filme: Le notti del terrore / Burial Ground / Noites de Terror
Diretor: Andrea Bianchi
Ano: 1981
País: Itália
Duração: 85 minutos
Elenco: Karin Well, Gianluigi Chirizzi, Simone Mattioli

Em uma tumba, um arqueólogo descobre o segredo sobre a vida além da morte e o prova da pior forma ao ser atacado por mortos em decomposição que voltam à vida.
Depois disso, três casais vão à uma mansão e aguardam pelo cientista que não aparece. Um dos casais leva o filho Michael, uma versão reduzida de Dario Argento (que na época já tinha 26 anos e interpreta uma criança), sempre com um olhar assustador. Michael, como é apaixonado pela mãe, vive interrompendo as transas e beijos de seus pais.

No dia seguinte, os casais vão dar um passeio pelo quintal da casa e eventualmente um deles aproveita o belo gramado para iniciar uma rápida diversão à dois. Assim como os pais de Michael, eles também são interrompidos, mas desta vez não é pelo pequeno e sim por zumbis decompostos e cheios de larvas que estavam convenientemente enterrados no quintal da casa e que começam a sair da terra.



A seguir, os zumbis iniciam o seu ataque pelo pai de Michael (para a alegria dele), e o devoram rasgando sua pele com as frias mãos e extraindo seus órgãos.
Mais zumbis aparecem, e uma das mulheres pisa em uma armadilha de urso e fica presa. Os lentos zumbis vão sendo atingidos com grandes pedras que esmagam seus crânios ou são queimados vivos, digo, mortos. 


As pessoas correm para a casa e se trancam nela. Mas a casa está escura, pois quando os mortos sairam de suas tumbas, isto de alguma forma causou interferências na rede elétrica fazendo explodir as lâmpadas da casa (deve ter sido uma desculpa pra ter um ambiente escuro, ou para economizar em iluminação). 
Mas o pessoal não conta com as habilidades dos zumbis com ferramentas, pois quando a empregada vai fechar uma janela, um zumbi de boa pontaria joga um prego que prende a mão da mulher, facilitando o trabalho dos demais que arrancam sua cabeça com um gadanho!


A horda de zumbis rurais organiza uma revolução armados de picaretas, enxadas, gadanhos e machados e com estas ferramentas tentam passar pela porta. Além disto, os zumbis também podem escalar pelas paredes e conseguem entrar na casa.
Em uma "homenagem" ou simples plágio à Lucio Fulci, um dos zumbis quebra uma janela, segura uma mulher pelos cabelos e a puxa, com seu olho de encontro com a ponta afiada do vidro quebrado, mas considerando o orçamento zero, o resultado não é tão bom quanto o filme do mestre do gore.
Michael, o pequeno tarado, agora sem o pai se aproveita da mãe mas é repreendido e foge tristonho. Lembram da garota do olho perfurado do parágrafo anterior? Pois é, parece que a ferida no olho a transformou em zumbi e ela aproveita para fazer uma boquinha com o braço de Michael.
Os mortos finalmente conseguem invadir a casa e os vivos se vêem acuados. Michael volta para comer sua mãe, mas não como queria enquanto vivo, agora como zumbi ele a devora o seu seio arrancando um pedaço.
Sem saída, os sobreviventes são encurralados e assim termina o filme com a mensagem pessimista de que não há saída. Ou será que apenas não souberam pensar em um final?


Le notti del terrore ou Burial Ground, como é mais conhecido, foi fruto de um ciclo de filmes italianos de zumbis que vieram após o sucesso de Zombie, de Lucio Fulci. Se o próprio Zombie, que também é conhecido por Zombie 2, para aproveitar a fama de Despertar dos Mortos (lançado na Itália como Zombie) já mostrava a picaretagem italiana, então imagine os outros títulos que vieram em seguida. Burial Ground não é diferente, com cenas copiadas do filme de Fulci, como quando os zumbis cheios de vermes saem da terra, ou quando a mulher tem o olho perfurado. O filme é repleto de situações que involuntariamente acabam sendo hilárias, atuações ridículas e um roteiro quase inexistente. Ainda assim, seus zumbis são inovadores ao se organizarem em grupo em busca de seu objetivo (se alimentar dos vivos) e habilidosos para usar ferramentas e escalar paredes.
É um filme capaz de gerar ódio aos apreciadores da crítica social de Romero e ainda mais dos que gostam dos zumbis modernos. Mas há algo de inexplicável nele que o torna fascinante, talvez apenas os que admiram o mais sincero mau gosto cinematográfico percebam isto e se divirtam com este belo filme horrível. 


O roteirista Piero Regnoli está creditado em mais de 110 filmes, entre eles Os Vampiros (I Vampiri, 1957), de Mario Bava, Nightmare City (Incubo Sulla Città Contaminata, 1980), de Umberto Lenzi, Patrick viva ancora (1980), a sequência não autorizada do filme australiano Patrick e Demonia (1990) de Lucio Fulci.
Já o diretor Andrea Bianchi também dirigiu Strip Nude For Your Killer (Nude per l'assassino, 1975), entre outros filmes. 

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Hotel Inferno (Itália, 2013)

Filme: Hotel Inferno
Diretor: Giulio De Santi
Ano: 2013
País: Itália
Duração: 80 minutos
Elenco:  Rayner Bourton, Jessica Carroll, Michael Howe 

Um assassino de aluguel chamado Frank Zimosa é contratado por Jorge Mistrandia, um misterioso milionário que lhe dá a missão de eliminar um casal de assassinos brutais que está hospedado em um hotel. Frank ganha um óculos que filma os seus passos, podendo se comunicar com Mistrandia, receber fotos e vídeos e deve usá-lo durante as execuções.

Frank não apenas precisa matá-los, mas fazer uma espécie de ritual com alguns instrumentos antiquados esmagando seus crânios e extraindo seus cérebros. Mesmo contrariado, Frank realiza o primeiro assassinato brutalmente extraindo o cérebro. Neste momento ele descobre que a vítima também usava um óculos igual ao seu, o que deixa Frank emputecido mas mesmo assim vai ao encontro do outro assassino, que estava no banheiro. Este é um ser deformado que alerta Frank que ele se tornará igual a eles. Frank, após explodir sua cabeça com um tiro, destrói os óculos e desiste da operação, mas Mistrandia ainda pode se comunicar com ele por auto-falantes espalhados pelo hotel e adverte que o local está repleto de seus homens.



Rapidamente começam a caçá-lo pelo hotel e os capangas vão sendo mortos cruelmente por Frank, principalmente tendo os crânios esmagados, decapitados ou explodidos. Frank encontra quartos secretos, inclusive um que aparenta ser uma caverna, com chão de terra e totalmente escuro, onde vivem os homens de Mistrandia. Lá encontra com um dos capangas que aparece com uma motosserra, mas o idiota acaba se decepando com a própria arma.

Pouco vai acontecendo, apenas novas formas de matar vão sendo praticadas por Frank até que ele é capturado e têm a mão esmagada por um capanga de Mistrandia, enquanto este revela à Frank que existem seres de outras dimensões que para ficarem no seu mundo, precisam de muita violência neste mundo, caso contrário, alguns deles podem passar a barreira e entrar em nossa dimensão. Ele conta que desde a idade média, sua família é responsável pela peste negra, para gerar muita dor e violência e manter as coisas equilibradas. Agora, Mistrandia possui alguns destes monstros, mas eles exigem que se faça muita dor para viverem em harmônia.


Mas não sei do que estes seres teriam a reclamar de Frank, já que ele, na tentativa de fugir, acaba mantando muitas pessoas de forma extremamente violenta, apenas sem fazer o tal ritual, que deveria ser enviado digitalmente aos monstros através dos óculos. Olha só que modernos estes monstros ancestrais! E bastariam ver as constantes atrocidades causadas pelos humanos para estarem mais do que satisfeitos...

De qualquer forma, o desequilíbrio já está feito e uma das criaturas aparece no hotel em uma nuvem negra e cuspindo fogo, matando os que aparecem à sua frente. O nosso "herói" consegue matar a criatura atirando em sua cabeça cadavérica e a esmigalhando com os pés, mas este mal não é assim tão fácil de ser eliminado e mais uma vez Frank é capturado. Desta vez ele torna-se a vítima e precisará ser sacrificado para alimentar a sede de dor e agonia das criaturas infernais.


Dirigido por Guilio De Santi, da produtora Necrostorm, Hotel Inferno se assemelha com os seus filmes anteriores no que se refere aos altos níveis de violência e por não ter a divisão entre bem e mal nos seus personagens. Desta vez, o filme tem o objetivo de lembrar um jogo de tiro em primeira pessoa, no estilo de Doom, Quake, Duke Nukem, entre tantos outros. O personagem principal não aparece, apenas vemos sua visão e vamos acompanhando suas ações. Assim como nos jogos, ele possui uma missão, tem que enfrentar inimigos de diferentes dificuldades, vai sofrendo danos e pode se recuperar com kit de primeiros socorros, vai encontrando itens, armas e áreas secretas, precisa criar estratégias para sair de salas, além de possuir um chefe final. Até sua voz forçada lembra a dos jogos como Duke Nukem.

A ideia de filmagem em primeira pessoa até é interessante, mas o roteiro é bem fraquinho e o filme acaba ficando um pouco repetitivo, apenas com Frank fugindo e matando quem aparecer pela frente. De qualquer forma, vale pela carnificina exagerada e nada mais. Portanto, não muito recomendável aos que procuram algo além disso. 

Para complementar, foi incluído um ser inominável de outra dimensão que parece ter vindo de um conto de H.P. Lovecraft, mas que diferente das criaturas do autor, o monstro do filme acaba aparecendo demais e de forma toscamente computadorizada. Talvez ficasse melhor não mostrar tanto, mas enfim.
Segundo o site da Necrostorm, já está prevista uma continuação para 2015.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Taeter City (Itália, 2012)

Filme: Taeter City
Diretor: Giulio De Santi
Ano: 2012
País: Itália
Duração: 72 minutos
Elenco: Monica Muñoz, Riccardo Valentini, Santiago Ortaez

Taeter City é uma cidade dominada pelas autoridades e corporações. Até aí nada de novo. Para evitar o crime, é desenvolvido o sistema Zeed, que se trata de antenas que geram ondas que podem ser captadas apenas pelos criminosos, já que estes possuem uma alteração cerebral, e isto os leva a cometer suicídio. Em seguida, alguns agentes são enviados para, de uma forma muito humana, acabar com o sofrimento deles, com um tiro na cabeça. Estes também possuem uma luva com lâminas invisíveis, capazes de facilmente cortar corpos ao meio.

Este sistema é operado pela rede de fast food Taeter Burger, que aproveita os restos dos corpos dos delinquentes para seus deliciosos lanches, incluindo coisas como o suco de sangue, bundas torradas com morcilha e olhos de petisco. A Taeter Burger, por sua vez, é controlada pelo governo, desta forma a população pode ficar tranquila e bem alimentada.
Mas um dos criminosos em potencial sofre mutações em decorrência das ondas de rádio e além de ser imune a elas, torna-se capaz de, com seu grito, produzir ondas alteradas que causam mutações àqueles que às escutam, tornando-os psicopatas assassinos.



Basicamente esta é a história do filme. O que acontece à seguir são os agentes caçando o assassino mutante, mas antes terão que eliminar aqueles que se transformaram com o berro do maluco. Baldes de sangue são jorrados enquanto pessoas são rasgadas, mutiladas, seus crânios são esmagados, entre uma infinidade de formas de brutalidade.
Assim como Adam Chaplin, também da produtora Necrostorm, Taeter City contém um gore agressivo, com uma violência gráfica exagerada, mas, neste caso, com menos efeitos de computação gráfica, e mais práticos, com ótimos resultados, o que me fez gostar mais deste em relação ao primeiro filme, também por ter mais humor negro. 




A história até tem uma premissa interessante, mesmo em alguns momentos se tornando cansativa, mas vejo o gore como o principal atrativo do filme, assim como todos os filmes da Necrostorm, onde a história fica em segundo plano. Outra coisa bacana, são os cômicos comerciais da Taeter Burger, cujo anunciante é até mais marcante que os próprios protagonistas. Estes comerciais lembram filmes como Robocop e Tropas Estelares, de Paul Verhoeven e Tokyo Gore Police, de Yoshihiro Nishimura, entre vários outros, que também utilizam este recurso para retratar mundos violentos e dominados pelas corporações com métodos desumanos. A filmagem parece meio amadora e tem uns filtros de imagem diferentes, mas o maior ponto fraco do filme são as péssimas atuações, ruins até para um filme trash. A agente Navalha, por exemplo, que seria uma das protagonistas, não tem expressão alguma. 




Taeter City, embora menos exagerado, parece se passar em um universo semelhante ao de Adam Chaplin. Um futuro pós-apocalíptico em que a maioria das pessoas é deformada e usa máscaras, e todas são cruéis, sejam elas autoridades ou criminosas.
O diretor ainda fez o filme Hotel Inferno, utilizando o mesmo padrão de violência exagerada, mas mostrando a visão de um assassino, simulando um jogo de primeira pessoa. Entre os projetos previstos para 2015 está um chamado Taeter Scumsquad, que me parece uma continuação ou algo relacionado ao Taeter City.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Absurd (Itália, 1981)


Filme: Absurd / Rosso Sangue / Antropophagus 2 / Zombie 6: Monster Hunter / Maldición Satánica / Horrible / ....
Diretor: Joe D'Amato
Ano: 1981
País: Itália
Duração: 96 minutos
Elenco:  George Eastman, Annie Belle, Charles Borromel

Resumo do filme:
O filme inicia com o personagem de George Eastman correndo desesperado e sendo perseguido por um homem. Ele tenta pular a cerca mas é segurado pelos pés e se fura nas grades.

Em seguida ele aparece na casa ao lado com a barriga aberta, suas típicas caras insanas e segurando as tripas mas, desta vez não as come, como ele mesmo fez em Anthropophagus.


Ele passa por uma cirurgia e mostra ter uma regeneração fora do comum, recuperando-se rapidamente e logo está pronto para matar. E é o que faz com a enfermeira, atravessando-lhe a cabeça com um instrumento médico semelhante a uma furadeira. 



O jantar está servido!

Dor de cabeça...

Aquele que o perseguia é, na verdade, um padre, que explica à polícia que aquele homem chama-se Mikos Stenopolis, que fugiu de um laboratório contaminado e havia sido considerado morto no mar. Ele tem o poder de se regenerar, exceto o cérebro, que deve ser destruído. O padre integra-se à equipe de busca e ganha até um carro e uma arma. 

O assassino escapa do hospital e encontra um matadouro no caminho. Ele é baleado, mas como é praticamente imortal, nada sente. E nenhum lugar melhor para uma carnificina do que um matadouro. Com os instrumentos à disposição, ele serra a cabeça do homem, remetendo a cena semelhante de Intruder (1989).


No caminho o nosso querido assassino encontra um motoqueiro (interpretado pelo diretor italiano Michele Soavi) que fica coincidentemente empenhado bem onde ele estava escondido.  Naturalmente Mikos o mata, mas não sem antes ser atropelado por um carro, o que é apenas um detalhe para ele.

O demente acaba parando novamente na casa onde havia se ferido e as coincidências não param por aí. É também onde mora o homem que o atropelou pouco antes. Ele reconhece o carro e quer vingança. Ou só quer matar aleatoriamente quem aparecer pelo caminho, não importa.

Os pais, que haviam saído para assistir a um jogo na TV com os amigos, deixam os filhos com a enfermeira, já que uma das meninas, Katia, está imobilizada na cama enquanto desenha intermináveis círculos com seu compasso (e isto não está no filme à toa).
Mikos já chega com estilo cravando uma picareta na cabeça de uma garota. Depois dela é a vez da enfermeira, que tem a cabeça colocada no forno e é assada!


Com o jantar pronto, Mikos vai agora atrás de Katia que milagrosamente consegue descer da cama e mostra-se até bem, apesar das imobilizações que usara até então. Katia mostra que realmente havia algum sentido naquele aparente inútil compasso que usa no início do filme. Ele é usado como arma para furar os olhos de Mikos. 


Katia coloca uma música alta para confundir o maníaco e saí cambaleando pela  casa. Mikos, após um bom tempo vagando cego pela casa, consegue pegar Katia. Neste momento chega o padre, com todo o seu papo furado cristão e um crucifixo que não são páreos para o poderoso Mikos. Aí nos perguntamos o motivo de Mikos estar fugindo do padre ao invés de já não tê-lo matado no início. Vai ver porque assim não teríamos história.


Felizmente Katia já está totalmente recuperada e arranca a cabeça de Mikos a machadadas. Como sempre, a ajuda só vem depois, quando ela sai ensanguentada e raivosa exibindo a cabeça do quase imortal Mikos.
O filme nos passa uma importante mensagem: Rezar não resolve, um machado sim!
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Absurd é mais um daqueles filmes italianos com milhares de títulos. Também é conhecido como Rosso Sangue, Monster Hunter, The Grim Reaper 2, Zombie 6: Monster Hunter, Psychose Infernale, Terror Sin Limite, Horrible e também foi conhecido como Antropophagus 2, mesmo sem ter muito em comum com o primeiro, também dirigido por Joe D'amato. 
D'amato é creditado como Peter Newton, um de seus vários pseudônimos e cujo nome real é Aristide Massaccesi.

As razões para Absurd ser chamado de Antropophagus 2, além do oportunismo de aproveitar o  sucesso de Anthropophagus, são algumas coisas em que D'amato repete do seu filme do ano anterior. O assassino, que é o próprio George Eastman novamente, é praticamente imortal e também é grego, não fala nada e mais uma vez foi considerado morto no mar. Ele também aparece com as tripas expostas, mas desta vez não as come. 

Não chega a ser tão polêmico quanto o Antropophagus, onde temos o aborto, a ingestão do feto e o canibalismo. Mas, por outro lado, Absurd é um filme mais violento e gore, com mortes mais sangrentas e criativas. Ambos os filmes fazem parte das Video Nasties, a lista de filmes banidos no Reino Unido durante os anos 80.

Mesmo não tendo um assassino mascarado, Absurd é praticamente um filme slasher, lembrando muito Halloween, porém, à maneira italiana, ou seja, muito mais sangrento.
O roteiro, assinado por John Cart (pseudônimo de George Eastman, que na verdade se chama Luigi Montefiori) não apresenta grandes novidades e nem é muito coerente, mas funciona bem para um filme do gênero, principalmente acompanhado das boas e violentas execuções. Ainda consegue uma boa dose de tensão, apesar de algumas cenas arrastadas e tem um final brutal. Um ponto negativo é a cansativa trilha sonora.

Enfim, recomendo que assistam Absurd, Anthropophagus 2, ou seja lá como quiserem chamar. Inclusive, gosto mais do que o próprio Anthropophagus.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Dèmoni (Itália, 1985)


Filme: Dèmoni / Demons / Demons - Filhos das Trevas
Diretor: Lamberto Bava
Ano: 1985
País: Itália
Duração: 88 minutos
Elenco:  Urbano Barberini, Natasha Hovey, Karl Zinny


Resumo do filme:
Cheryl é surpreendida no metrô por um estranho mascarado que dá a ela um convite para a exibição de um filme. Ela decide ir e convida a amiga Kathy para ir acompanhá-la. No local, que parece um cinema alternativo com exposições de arte e uma moto (que será muito útil mais à frente), rapidamente formam-se os casais, com a chegada de George e Ken (mania idiota de ficar usando nomes americanos). 

Antes do início do filme, uma mulher coloca uma máscara de metal que há no lugar e acaba cortando levemente o rosto. Quando estão todos em seus lugares, o filme começa. Trata-se de uma história de dois casais que encontram a tumba de Nostradamus e junto dela há uma máscara. Não é preciso pensar muito para adivinhar que alguém irá colocá-la no rosto e, veja só, esta máscara também provoca um corte. Isso acaba transformando o sujeito em demônio que passa a atacar os outros, que sofrerão a mesma transformação.

Eu sou o Máskara!

Deixa ela entrar

Tudo bem, era apenas um filme. Mas, evidentemente, o mesmo ocorre com as pessoas que estão assistindo a este filme. A mulher infectada começa a transformar-se, gerando bolhas no rosto que explodem, seus dentes crescem, os olhos tornam-se demoníacos e forma-se uma baba verde. 

Ela passa a atacar os outros que estão no local, que vão, um a um, sendo possuídos e atacando os demais. Algumas cenas daquele filme (dentro do filme), inclusive, combinam-se com os acontecimentos dentro do cinema. Cria-se um grande pânico e desespero nas pessoas, que não conseguem escapar do cinema.  O grupo decide parar o filme e, para isto, destroem o projetor, o que não tem nenhum resultado.

Rapaziada chegando

Para tornar o filme ainda mais trash, após Kathy ser contaminada e, lembrando o Phantasm 2, um demônio sai de suas costas!




O casal restante, Cheryl e George, protagoniza uma cena de fuga de moto, dando voltas dentro da sala do cinema e cortando cabeças dos demônios com um espada, ao som de Accept. Como se isso não bastasse, um helicóptero, muito convenientemente, cai dentro do cinema!!! Este acaba sendo uma boa arma quando suas hélices giram e decepam os demônios/zumbis que se aproximam.

Iááá!

Agora ficou fácil saírem do recinto, basta usar o prático arpão com cabo de aço que há no helicóptero. Assim eles conseguem subir, mas se deparam com o mascarado do início do filme, que é morto com muita classe, tornando este final ainda mais absurdo, sangrento e divertido. 

Ugh!


Neste momento o filme parece já dar terreno para uma continuação, quando mostra a cidade tomada por hordas de demônios. O casal é socorrido por uma família de sobreviventes e, surpreendendo novamente, temos um ótimo final, não tão feliz.

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Demons é um típico filme de terror oitentista com aquele visual cafona nas roupas e cabelos das pessoas, aquela visão carnavalesca e superficial dos punks, regado com muito hard rock farofa. Um filme simples, mas utilizando uma boa e criativa ideia, repleto de metalinguagens, algumas reviravoltas e situações sangrentas muito divertidas. 

O filme tem ótima maquiagem e efeitos bem empregados para representar a transformação das pessoas, com unhas e dentes crescendo, as mutações faciais e também o ponto principal do filme: o gore! O filme é um prato cheio para quem gosta de pessoas tendo seus corpos rasgados e sangue jorrando, tanto que não foi difícil encher a postagem de imagens bonitas.

A questão de filme dentro do filme em um cinema lembra Os Olhos da Cidade são Meus (Anguish, 1987) do diretor espanhol Bigas Luna, um bom filme e com ainda mais metalinguagem. Outro que vêm a mente também, é o divertido Matinee - Uma Sessão Muito Louca (Matinee, 1993) de Joe Dante.

Demons foi dirigido por Lamberto Bava, filho do mestre Mario Bava, com produção e roteiro de Dario Argento e participação de Michele Soavi (diretor de Dellamorte Dellamore), inclusive atuando no filme dentro do filme e como o homem mascarado. 

Tentando entender a confusão com as sequências:
Lamberto também dirigiu a sequência de Demons, "Dèmoni 2... l'incubo ritorna", de 1986, conhecido no Brasil como Demons 2 - Eles voltaram. O filme é semelhante ao primeiro, mas se passando em um prédio. A partir daí, a numeração de Demons virou uma bagunça. O filme L'ogre (1986), recebeu o nome Demons 3 no Reino Unido. Já em 1987, Bava dirigiu para a televisão o filme "Brivido giallo La casa dell'orco", mas aproveitando a fama da série Demons, nos Estados Unidos saiu com o título Demons 3 - The Ogre e no Brasil como Demons 3 - O Ogro. No Japão, A Catedral (La Chiesa, 1989) de Michele Soavi, também foi chamado de Demons 3. Pra complicar ainda mais, em 1989 Umberto Lenzi dirigiu Demoni 3 - Black Zombies e nos EUA ficou como Black Demons. La Setta (1991) de Soavi virou Demons 4 em alguns países, assim como "La maschera del demonio" (1989), também de Bava, saiu como Demons 5. E pra terminar, "Il gatto nero" (1989), uma adaptação de Luigi Cozzi para O Gato Negro de Edgar Allan Poe, saiu como Demons 6: De Profundis. Um pouco confuso, né? Pois é, segundo o IMDB, foram nos EUA e no Japão que esta franquia (que nem é uma franquia), chegou até o sexto filme, mesmo sem relação nenhuma com os dois primeiros.


Demons é um filme obrigatório para quem gosta e tem saudades daqueles despretensiosos e divertidos trashs dos anos 80. Se ainda não viu, não perca!