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domingo, 13 de novembro de 2016

Rats - Notte di terrore (Itália, França, 1984)

Filme: Rats - Notte di terrore / Rats: Night of Terror / Ratos - A Noite do Terror
Diretor: Bruno Mattei, Claudio Fragasso
Ano: 1984
País: Itália, França
Duração: 97 minutos
Elenco: Ottaviano Dell'Acqua, Geretta Geretta, Massimo Vanni 

No ano 2015, em decorrência da estupidez humana, ocorreu uma guerra atômica e após a explosão de centenas de bombas, os cinco continentes se encontram em destroços. Séculos depois, no ano 215 D.B. (depois da bomba) os humanos tentam reconstruir a sociedade nos subterrâneos para não sofrerem com a radiação da superfície, mas uma nova raça, denominada Novos Primitivos, que é discriminada pelos demais, decide voltar a viver na superfície.

Após esta introdução, nos é apresentado um grupo de rebeldes, naquele visual punk-brega-militar-descolado-pós-apocalíptico na visão dos anos 80, liderados por Kurt, contando com um pessoal que atende pelos criativos nomes de Taurus, Lúcifer, Lilith, Myrna, Chocolate, Kat, Diana, Video, Duke, e até mesmo Deus!



Eles perambulam pela cidade abandonada e destruída até que param em um prédio abandonado. Lá encontram um estoque de mantimentos, que aposto já estarem vencidos, e se divertem saudavelmente dançando e se jogando farinha. Eles encontram uns corpos roídos e muitos ratos passeando pelo recinto, mas até aí tudo bem. Durante a noite Lúcifer e Lilith após serem repreendidos por Tauros ao tentarem copular no meio de todo mundo vão para um local reservado e podem assim se aliviar. Lúcifer quer repetir a dose, mas Lilith está cansada, sendo assim ele sai enfurecido enchendo a cara e dando um passeio pelo local, enquanto Lilith se abriga em seu saco de dormir. Lúcifer, idiotamente deixa a garrafa cair em um bueiro e fica lá saracoteando pendurado no buraco enquanto alguns ratinhos vão saltando sobre ele até ser soterrado por uma baciada de ratos. 

Já Lilith é castigada pela justiça roedora quando um rato invade seu saco de dormir e, obviamente o zíper fica preso, deixando ele se aproveitar dela, que em seguida é encontrada morta, sem sinal de ferimentos. Mesmo morta ela vai abrindo a boca, de onde lentamente vai saindo um rato que, sabe se lá por onde entrou...


Neste ínterim, Noah, que encontrou uma estufa com diversas plantas e um reservatório de água purificada, percebe que ela não é tão potável, pois vê alguns ratos usando-a para mergulho. Ele tenta intervir mas é atacado por ratos saltadores e não consegue reagir. Logo depois ele é encontrado desesperado cheio de roídas e com ratos pendurados pelo corpo. Seus bons amigos rapidamente resolvem o problema e se livram dos ratos com um lança-chamas fazendo-os queimar até a morte, assim como ele próprio.

A fuga é frustrada por que os pequenos inimigos roeram os pneus dos veículos, mesmo assim acho que seria mais prudente seguir a pé, mas não, eles nos garantem mais emoções e mortes ficando no prédio. Em mais um dos ataques das ratazanas, Taurus, o Chuck Norris pós-apocalíptico é encontrado morto em pé. Ele então incha e EXPLODE, permitindo a saída de um ou outro ratinho que nele se alojavam.



Se já não bastassem os ratos sedentos por sangue, ainda ocorrem desavenças entre Kurt e Duke, disputando a liderança do grupo que vai sendo dizimado aos poucos. Em um surto de insanidade, Duke, com Myrna como refém, decide matar os ratos com uma granada, o que faz com sucesso, apesar de se explodir com os ratos e levar Myrna consigo.

Diana, já parcialmente roída e cansada decide abandonar este abominável mundo novo e suicida-se, antes de ser devorada pelas ratazanas assassinas. Agora o grupo está reduzido a apenas quatro pessoas: Kurt, Video, Chocolate e Deus. Eles se abrigam na sala do computador, que sabe-se lá como ainda funciona, e escutam uma gravação que diz que os ratos deixaram os subterrâneos que deram lugar aos humanos e, com a radiação, se tornaram mais inteligentes e passaram a se alimentar de humanos. Os poderosos ratos conseguem derrubar a porta e vitimam Kurt e Deus. Sim, meus amigos, neste futuro apocalíptico não há lugar para Deus. Mas quando se está deitado no chão, com dois ou três ratinhos por cima do corpo não é muito difícil levantar e se livrar deles, mas talvez seja esta a razão de serem chamados de Novos Primitivos, em que sua extinção é iminente. 


Agora parem de ler se não querem saber o gran finale desta obra de arte, já que o aviso de spoilers nunca foi tão necessário como neste filme. Então, agora restam apenas Video e Chocolate, enquanto aparece uma equipe de resgate armada e trajando máscaras de gás. Os dois sobreviventes pensam estar encurralados pelos ratos e cogitam o suicídio, o que me fez imaginar um final como em O Nevoeiro, mas não, se segurem para o estarrecedor desfecho! A equipe de resgate vai eliminando os ratos com o gás e salvam a dupla. Quando Chocolate está feliz por estar viva e citando um livro que dizia que Deus criou os humanos e os animais e todos viveriam em paz, mas como Deus está morto (em clara referência nietzscheana (pobre Nietzsche ser mencionado em um filme de Bruno Mattei)) neste instante um dos integrantes da suposta equipe de resgate tira lentamente sua máscara, revelando sua real face. E ele não é humano. ELE É UM RATO GIGANTE! Fim!!
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Depois de passar o impacto desta película, podemos refletir sobre o que acabamos de assistir. Então, o filme que parecia não fazer sentido fez uma crítica profunda (também nem tão profunda assim) apontando os seres humanos como as verdadeiras pragas do planeta? Bem, não é preciso pensar muito para saber disso, mas este final causa essa impressão de "que final horrível" ou "que final fantástico".
Bruno Mattei, acredite se puder, diz que se inspirou em A Noite dos Mortos Vivos para fazer Rats, mas ao invés de zumbis, ele deu seu toque pessoal e os substituiu por ratos situando o filme num mundo pós-apocalíptico devastado pelas guerras nucleares. Segundo ele, foi extremamente difícil trabalhar com ratos, ainda mais quando alguns dos ratos eram na verdade porquinhos da índia pintados de cinza ou eram ratos falsos.
E parece que Mattei via mesmo os ratos como grandes ameaças, já que é um deles que desencadeia a zumbificação em Virus, e agora dominam o mundo.
Além da terrível ameaça roedora, o filme ainda é completado pelos ridículas atuações dos personagens caricatos, parecendo saídos de um reality show, cada um escolhido por sua especialidade. Se as atuações são ruins, os diálogos são ainda piores e com um roteiro com o padrão de qualidade Bruno Matteri & Claudio Fragasso, tudo isso fazendo o filme figurar sempre em listas de piores filmes já feitos. Mas, assim como Virus, se você não levar muito a sério e gostar destas tranqueiras, certamente vai se divertir muito com esta uma hora e meia inesquecível de cinema sem qualidade alguma. 


O filme saiu com uns nomes bem criativos ao redor do mundo, como "Después de la bomba", na Colombia, "Año 225, después del holocausto" ou "Año 225, después del apocalipsis" na Espanha. No Brasil ficou como "Ratos - A Noite do Terror", neste caso não dá pra reclamar da tradução nacional.
Já falei um pouco sobre o "trabalho" dos diretores na postagem de Virus, e assim como naquele filme, neste a dupla também não tem coragem de se identificar como os diretores do filme. Bruno Mattei consta novamente como Vincent Dawn e Claudio Fragasso não é creditado.

A ameaça de ratos na ficção já vem de muito tempo. Para citar algumas de suas aparições perturbadores nos livros, eles perturbam as pessoas no conto O Poço e o Pêndulo (Edgar Allan Poe, 1842) e no livro 1984 (George Orwell, 1949). Nos filmes eles dão o ar da desgraça em muitos filmes, inclusive alguns até mais trashs que Rats, como Willard (1971), que teve um remake em 2003, e sua sequência Ben (1972); A Fúria das Feras Atômicas (1976); Rats/Deadly Eyes (1982); O Inimigo Desonhecido (1983); Ratman (1988), A Criatura do Cemitério (1990); Altered Species/Rodentz (2001); Rat Scratch Fever (2011). Um que fiquei curioso para ver é o Nezulla, um filme janponês com um rato-monstro. Parece promissor!

Rats é uma boa pedida para fazer uma sessão dupla junto com Virus, tanto que existe uma versão em Blu-ray com ambos filmes. Diversão garantida ou seu download de volta! 

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Virus (Itália, Espanha, 1980)

Filme: Virus / Hell Of The Living Dead / Zombie Creeping Flesh / Os Predadores da Noite
Diretor: Bruno Mattei, Claudio Fragasso
Ano: 1980
País: Itália, Espanha
Duração: 101 minutos
Elenco:  Margit Evelyn Newton, Franco Garofalo, Selan Karay 

Um espécie de usina em Nova Guiné é utilizada por países desenvolvidos para as pesquisa da chamada "Doce Morte", onde são desenvolvidos experimentos químicos com o objetivo de controle populacional do terceiro mundo - como veremos mais claramente na conclusão do filme. Toda a tecnologia é posta abaixo por um rato, que provoca um vazamento no local gerando uma rápida infecção zumbi - entenda zumbi como pessoas com o rosto pintado de roxo ou verde. 

Após isso, vemos um esquadrão especial altamente truculento entrando em um prédio em que um grupo terrorista mantém reféns. Sem cerimônia, o esquadrão entra atirando e elimina brutalmente os sequestradores. Na cena seguinte, este esquadrão está em uma missão em Nova Guiné. Lá eles encontram Lia, uma repórter e seu câmera, que iremos chamar de Tom Savini cover, que seguem juntos e começam a se deparar com diversos zumbis, infectados pelo vazamento da usina. No percurso, eles encontram uma tribo local e, para se infiltrar entre eles - e garantir os peitinhos do filme - Lia tira a roupa e pinta-se como os locais. Lá, além de várias imagens roubadas de documentários sobre vida selvagem, vemos vários infectados e em seguida eles começam a atacar uns aos outros e aos forasteiros. Logo eles estão roendo ossos humanos ensanguentados enquanto os branquelos saem de fininho. Enquanto isso, nas TVs, um representante do povo de Nova Guiné acusa os países desenvolvidos por matarem seu povo.


Eles ficam perambulando pela selva até que os zumbis reaparecem e o câmera aproveita o furo de reportagem pra ficar na cara deles filmando tranquilamente enquanto o recruta Zantoro, o mais demente, fica se refestelando entre eles provando sua macheza e mostrando que eles são inofensivos e incapazes de pegá-lo.

O grupo então se refugia em uma casa que rapidamente é invadida, um recruta é pego, mas Zantoro segue se divertindo no meio de montes de zumbis, quase sendo capturado, mas consegue fugir com os outros no carro que, naturalmente os deixará na mão. Sem saída, seguem pelo mar de barco, chegando à usina onde tudo começou, o lugar ideal para esconderem-se.



Um a um os recrutas vão sendo eliminados pelos zumbis que tomaram o lugar, inclusive Zantoro, sobrando apenas o comandante e Lia que são acuados atacados pelos zumbis. Lia tem a língua e olhos arrancados, de dentro para fora.
O filme termina com uma horda de zumbis atacando o que parece ser os EUA.


Depois de muito ouvir falar mal deste filme, quando terminei de vê-lo fiquei com uma sensação estranha por até ter gostado. Tudo bem que tudo nele é mal feito: as atuações, a maquiagem, os efeitos, a falas dos personagens, a trilha sonora do Goblin foi roubada do Despertar dos Mortos e Contamination, muitas imagens de documentários sobre vida selvagem e o roteiro, principalmente, mas mesmo assim ele acaba sendo divertido de uma forma que muitos filmes modernos não conseguem. Além de tudo, senti uma certa influência de George Romero - pra não dizer plágio - por apresentar uma crítica social, mesmo que bem rasa, mostrando as nações desenvolvidas como as verdadeiras vilãs, o que foi um dos pontos que achei interessante, mesmo que muitos filmes já tenham feito isto e de forma melhor, não apenas como uma desculpa para pessoas se tornarem zumbis e saírem por aí matando as outras. Além de Romero, o filme se "inspira" no que estava rendendo dinheiro no cinema exploitation italiano da época: os filmes de zumbis e de canibais. Ou seja, é uma versão bem mambembe da mistura de Despertar dos Mortos, Zombie 2 e Cannibal Holocaust, mas com qualidade bem abaixo dos realizadores originais, mesmo assim obtiveram um considerável sucesso com Virus, apesar de uns probleminhas jurídicos por conta da trilha roubada do Goblin.


Mesmo assim, isto não quer dizer que seja um filme pra ser levado à sério. Achei ele bastante divertido, principalmente por suas falhas e sem muita enrolação, tirando os momentos National Geographic, indo direto ao ponto e nos dando o gore que tanto queremos.


O filme foi dirigido por Bruno Mattei, creditado como Vincent Dawn e Claudio Fragasso, que não foi creditado, talvez por vergonha do que tinha saído. O roteiro original de Fragasso previa que todo o terceiro mundo havia se transformado em zumbi, mas por restrições do orçamento isto ficou limitado apenas a Nova Guiné, embora tenha sido filmado na Espanha. De volta à Itália para fazer a montagem do filme, viram que as filmagens não eram suficientes e enxertaram cenas de outros filmes como Nuova Guinea, l'isola dei cannibali, Des Morts e La Vallée, muitas delas entediantes e desnecessárias.
O filme foi lançado ao redor do mundo com diversos títulos além do original Virus: Zombie Inferno, Hell of The Living Dead, Zombie Creeping Flesh, Apocalipsis Canibal, Virus: L'inferno Dei Morti Viventi, Night of The Zombies, e no Brasil ficou como Os Predadores da Noite. Nos Estados Unidos, também saiu com o título oportunista de Zombi 4.


Por todos os erros mencionados e muitos outros, a dupla Bruno Mattei e Claudio Fragasso é colocada ao lado ou abaixo de gênios do cinema como Ed Wood por seus atentados cinematográficos. A dupla trabalhou junto em pérolas como Os Sete Magníficos Gladiadores, Ratos - A Noite do Terror, Zombi 3, Strike Commando - Comando de Ataque, Emanuelle - A Detenta, Shoking Dark, Zombie 4, muitas vezes assinando através de pseudônimos - por que será?. Fragasso ainda participou do inesquecível Troll 2, com invejável nota de 2,7 - mas sabemos que estas notas não significam muito.
Um boa pedida para quem gosta dos velhos filmes toscos de zumbi.