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domingo, 2 de agosto de 2015

Garth Marengui's Darkplace (Reino Unido, 2004) [Série]

Série: Garth Marengui's Darkplace
Diretor: Richard Ayoade
Ano: 2004
País: Reino Unido
Duração: 6 episódios de 25 minutos cada
Elenco: Richard Ayoade, Matt Berry, Matthew Holness e Alice Lowe

Garth Marengui (Matthew Holness) é um escritor de livros de terror, visionário, ou como ele se denomina: um tecelão de sonhos. Ele resgata os rolos do seu antigo seriado, que não foi exibido na época por seu conteúdo altamente subversivo e assustador, que fora produzido nos anos 80, sendo escrito, dirigido e atuado por ele.  

Tudo ocorre no hospital Darkplace, onde Garth Marengui é o Dr. Rick Dagless M.D. que, apesar de médico, tem que atuar mais como um investigador de fenômenos sobrenaturais, já que ele fez um ritual no porão do hospital que abriu os portais do inferno libertando entidades malignas.


Junto com Rick, trabalha o médico e canastrão Dr. Lucien Sanchez (Matt Berry), com uma voz mais do que natural e o melhor cabelo do hospital. O hospital é administrado por Thornton Reed (Richard Ayoade), que tem as melhores atuações da série, aliás, ele que não atua, mas vive o personagem. Pra completar a equipe, chega Liz (Alice Lowe), a nova enfermeira que tem poderes psíquicos e pode ver acontecimentos no passado, futuro ou até mesmo no presente! Ela também tem poderes telecinéticos, fazendo com que objetos flutuem e ataquem as pessoas do hospital. 



Entre algumas das bizarrices que ocorrem no hospital, posso citar: um homem explode em pedaços e a cabeça decepada implora para ser morta; um olho gigante com pinto é visto violando e engravidando um homem, que dá a luz à um pequeno olho; a água é contaminada e transforma todos em macacos (com direito a uma transformação das mais convincentes); uma intrigante névoa surge trazendo fantasmas escoceses; uma contaminação transforma uma paciente em couve-flor cuja doença é sexualmente transmissível. 

Rick e sua turma precisam investigar e solucionar estes mistérios. 



Garth Marengui's Darkplace é um seriado britânico de horror e comédia, produzido em 2004 e dirigido por Richard Ayoade, que deve ser mais conhecido pela direção dos filmes Submarino (2010) e O Duplo (2013), ou pela sua atuação na série The IT Crowd, onde também participa Matt Berry, que é figura carimbada em diversas séries britânicas de comédia, como Toast Of London, Snuff Box e muitas outras. Assim como Matt Berry, Alice Lowe teve sua estréia como atriz em Garth Marengui's Darkplace, que participou de milhares de séries e de diversos filmes, incluindo alguns de Ben Wheatley (Kill List (2011) e Turistas (2012)) e de Edgar Wright (Chumbo Grosso (2007) e Heróis de Ressaca (2013)).  

O seriado tem todo um aspecto de produções baratas dos anos 80, desde a imagem tosca às músicas, repleto de defeitos especiais propositais, atuações forçadamente ruins, canastronas, falhas técnicas e de continuidade. 


O interessante é a brincadeira com a metalinguagem. Além de Garth começar apresentando o episódio, ele e o produtor e também ator Dean, que interpreta Thornton Reed (que é o próprio diretor da série), comentam detalhes sobre a produção tornando-a ainda mais engraçado. Eles falam sobre os objetos suspensos por fios (observados somente por quem não está prestando atenção na história), câmera lenta para render mais minutos, o pinto do olho gigante que teve que ser pixelado, entre outros assuntos da série.

Além de Garth Marengui, outros autores fictícios que podem ser citados são: Sutter Cane, do filme À Beira da Loucura (1994), de John Carpenter; Paul Sheldon do filme Louca Obsessão (Misery, 1990), baseado no livro de Stephen King; e Abdul Alhazred, criado pelos mitos de H.P. Lovecraft, que seria o autor do famoso Necronomicon. 

A série teve apenas uma temporada com seis episódios de cerca de 25 minutos e é uma boa opção para quem não gosta de séries novelescas intermináveis, podendo ser assistida inteira de uma vez só. 

(Agradecimentos à minha amiga Raphaela pela indicação.)

domingo, 15 de fevereiro de 2015

The Fly (EUA, Reino Unido, Canadá, 1986)

Filme: The Fly / A Mosca
Diretor: David Cronenberg
Ano: 1986
País: Itália
Duração: 96 minutos
Elenco: Jeff Goldblum, Geena Davis, John Getz


Seth Brundle (Jeff Goldblum) é um cientista solitário que está há anos trabalhando em uma máquina de tele transporte. Após quase concluído o seu projeto, ele vai socializar um pouco em uma convenção com inúmeros cientistas. Lá ele conhece Verônica (Geena Davis), uma repórter de uma revista de ciência atrás de alguma inovação revolucionária, coisa que todos do local prometem, mas Brundle consegue convencê-la a conhecer sua casa dizendo que os outros estão mentindo, ele não.

No caminho ele se mostra enjoado com o passeio, e explica que isto o motivou a criar uma outra forma de transporte. Chegando à sua residência, que mais parece um galpão abandonado, Brundle apresenta a sua criação, que se trata de duas cabines com formato de um casulo cibernético, chamadas de telepods e um computador que interpreta e executa o tele transporte desintegrando a carga genética de um objeto no primeiro telepod e o reintegrando no segundo. Ele faz uma demonstração com uma meia de Verônica, deixando-a impressionada e achando ter encontrado um grande furo de reportagem.


Mas ainda havia um problema: era preciso testar a máquina com algo orgânico. Assim, no teste seguinte, Brundle submete um babuíno ao tele transporte, mas com um resultado catastrófico, transformando-o em um amontoado agonizante de carne e ossos. Pouco tempo depois, Brundle tem a ideia de testar o tele transporte com um bife (podia ter feito isso antes de despedaçar o pobre animal) no mesmo lugar que acabara de explodir o animal e dar para Verônica experimentar a carne, que segundo ela, ficou com um gosto sintético. 


Isso faz Brundle ter uma ideia de como resolver o problema e faz rapidamente as correções no software. Confiante na sua capacidade de programador, ele testa novamente em um babuíno, mas desta vez a máquina parece funcionar e o mesmo aparece no outro telepod, alguns metros distante.

Brundle decide comemorar a conquista com Verônica, com quem já estava tendo um relacionamento, mas no meio da noite ela decide sair e resolver uns assuntos com seu ex-namorado, o sacana Stathis Borans, que é o seu editor-chefe.

Desanimado e bêbado, o enciumado Brundle continua fazendo mal aos animais, desta vez resmungando sobre o seu relacionamento com o babuíno quando, em um acesso de loucura, Brundle decide testar em si mesmo o tele transporte. Ele entra no primeiro telepod, mas não percebe que com ele também entra uma mosca. O processo de tele transporte é ativado e ele sai aparentemente normal no outro telepod.


Pequenas mudanças passam a ocorrer com ele, como a rápida cicatrização, o crescimento de pelos por seu corpo e o gosto por coisas cada vez mais doces. Ele ganha um incrível e incansável apetite sexual, sentindo-se muito mais forte e disposto. Isso o faz usar o tele transporte de forma compulsiva, tornando-se frenético e viciado neste processo. Em seguida sua pele começa a ficar gosmenta enquanto mais pelos começam a aparecer e vai tomando características monstruosas. No início isto o deixa desesperado, mas depois, acaba aceitando com certo humor, aproveitando suas qualidades, como poder andar pelas paredes e pelo e teto e até mesmo ironizar sua situação em que começa a perder unhas, dentes e partes do corpo, os quais vão guardando no que chama como o Museu de História Natural do Brandlemosca. Ele até mesmo pede para Verônica gravar um vídeo em que ele mostra às crianças como é a sua nova forma de ingerir alimentos: vomitando sobre a comida para decompô-la e então poder sugá-la.


Brundle descobre através do computador que, além dele, havia uma mosca na cabine durante o tele transporte, e que o computador, por não saber interpretar a situação, acabou combinando o DNA dos dois, fundindo-os no mesmo ser.

Mesmo quando Brundle ainda não era o Brundlemosca, ele já podia ser visto como estranho, já que vivia distante da sociedade. Conforme vai se transformando em mosca, vê que sua humanidade está dando lugar a instintos mais primitivos e agressivos, que pode muito bem ser uma metáfora aos seus já existentes instintos, agora potencializados pela fusão. Por isso, pede que Verônica se afaste, com medo de fazer mal à ela. 


Verônica descobre que está grávida e desesperada pede ajuda à Sthatis, que tanto desprezava. Ela sonha e se vê dando à luz a uma gigante e nojenta larva (cujo médico é o próprio Cronenberg) e quer abortar a todo custo, independente de saber se o feto está normal ou não. Brundlemosca, em uma cena que lembra muito os antigos filmes de monstros, atravessa a janela de clínica onde Verônica iria ser abortada e sai com ela em seus braços, pedindo que não mate seu filho, pois é o que ainda lhe resta de humanidade.
Por fim, de volta à sua casa, Brundle vê como solução para impedir que o seu lado mosca o domine, passar repetidas vezes pelo tele transporte com outro humano, para assim, superar o lado mosca. Sua intenção é fundir-se com Verônica e o bebê em ser só, mas o processo é interrompido por Sthatis que atira no cabo que liga as cabines. Ainda assim, Seth passa sozinho pelo tele transporte, que o torna em um repugnante ser em decomposição que, finalmente é eliminado tendo a cabeça explodida por um tiro, nos restando a dúvida de quem realmente é o vilão da história.


Na última vez que revi o filme, como tinha lido A Metamorfose, de Kafka, há pouco tempo, foi inevitável fazer uma comparação entre as duas obras. Enquanto de um lado Gregor Samsa vai se transformando em uma barata e sendo abandonado pela família, por não poder mais sustentá-la, por outro, Brundle ao tornar-se Brundlemosca, passa a ser repudiado pela repórter que parecia mais interessada nele como notícia. As características da obra de Kafka são somadas às do cinema de Cronenberg, dando ênfase ao lado da carne, sexo, o impacto da medicina e tecnologia, as relações humanas. Tudo isto sustentado por efeitos escatológicos e repulsivos, que funcionam bem e impressionam até hoje, tanto que lhe rendeu o Oscar de melhores efeitos especiais e maquiagem.


Ao contrário de muitos filmes de monstros e nojeiras dos anos 80, A Mosca está longe de ser um filme raso. Em certo momento Seth toca em assuntos filosóficos complexos, como quando diz:
“Você tem medo de ser destruída e recriada, não tem?" 
"Mas você só conhece sociedades que veem a carne de modo tradicional. Você não consegue penetrar além do medo terrível e doentio da carne.” 
"Não se trata de penetração sexual, mas sim da penetração além do véu da carne."

A Mosca é um remake do filme A Mosca da Cabeça Branca (The Fly, dirigido por Kurt Neumann em 1958, baseado em um conto de George Langelaan) em que Vincent Price é o cientista e que após o tele transporte, ganha características da mosca enquanto a mosca fica com as suas. O filme ainda teve a continuação O Monstro de Mil Olhos (Return of The Fly, 1959), também com Vincent Price. Já A Mosca de Cronenberg, tem poucas características em comum com o filme original, partindo para uma proposta mais existencialista e ambientado nos anos 80, contemplando diversas inovações científicas e tecnológicas desde o primeiro filme. Quando lançado, o filme fez bastante sucesso tanto de público como crítica e é um dos raros casos em que o remake é superior ao original, ao meu ver. A Mosca teve uma sequencia em 1989, mas sem a direção de Cronenberg e sem o mesmo sucesso. Ambos filmes foram produzidos pela Brooks Films, de Mel Brooks.

Um grande filme de ficção científica e horror que deve ser visto e revisto por todos.

domingo, 13 de abril de 2014

Fiend Without a Face (Reino Unido, 1958)

Filme: Fiend Without a Face / O Horror Vem  do Espaço
Diretor: Arthur Crabtree
Ano: 1958
País: Reino Unido
Duração: 75 minutos
Elenco: Marshall Thompson, Terry Kilburn, Kynaston Reeves

O início do filme é marcado por mortes misteriosas. As pessoas parecem ser atacadas por algo invisível que vai movendo coisas e abrindo portas por onde passa. O exército investiga o que teria causado estas mortes enquanto tenta se esquivar das acusações de culpa em virtude da usina nuclear. Esta usina era usada para gerar energia para obter imagens via satélite da Rússia, mas por algum motivo desconhecido, estava sofrendo alguma interferência e perdendo  sinal. 

Ao fazerem a autópsia de um dos corpos, descobrem que o cérebro e a medula espinhal foram sugados por pequenos furos no pescoço. 
Os seres invisíveis são desajeitados, derrubando e movendo tudo por onde passam (para vermos que algo está ocorrendo, é claro). Após o prefeito ser a nova vítima, alguns homens da cidade saem pela floresta procurando pelo assassino. Um deles se perde e quando volta, parece mais um zumbi.


O Major Cummings começa a desconfiar que o Professor Walgate teria algum envolvimento com o caso. Mais tarde ele admite saber do que se tratavam tais criaturas. 
Walgate é conhecido por ter escrito sobre a materialização de pensamentos, onde os pensamentos poderiam tomar forma e realizar atividades e movimentos independentes do corpo. 


Ele desenvolve um equipamento para esta finalidade e vê na energia nuclear a fonte perfeita para o experimento funcionar, o que seria o real motivo para interferir nas transmissões do satélite. A materialização funciona até bem demais e os pensamentos acabam tornando-se seres independentes capazes de evoluirem e se multiplicarem. Para isto, eles necessitam da energia nuclear e precisam sugar os cérebros e medulas humanas para sobreviverem, sendo chamados de vampiros da mente.

Com a energia nuclear reduzida, as criaturas finalmente tomam forma e aparecem. Tratam-se de cérebros com antenas, que emitem ruídos insuportáveis e rastejam por meio da medula espinhal em interessantes efeitos de stop-motion. Assim como em A Noite Dos Mortos Vivos (que teve alguma inspiração neste filme), todos tentam abrigar-se em uma casa, com as janelas bloqueadas por madeiras, enquanto o Major Cummings vai em direção à usina. 


Os cérebros atômicos (lembram da música do Ratos de Porão?) podem ser mortos quando atingidos pelos tiros, mas eles conseguem desbloquear a janela com sua super-força e entrar VOANDO, dando inveja aos Pássaros de Hitchcock. E quando estão prester a atacar a mocinha, Cummings consegue parar a usina nuclear da melhor forma possível: explodindo-a com dinamite! O que acaba com a energia vital dos monstros. Assim, as criaturas morrem instantaneamente e vão derretendo até desaparecerem, em um efeito stop-motion que lembra um pouco o final de Evil Dead (1981) e pode até ser visto como um dos ancestrais dos efeitos gore nojentos que se desenvolveriam futuramente.



Fiend Without a Face foi dirigido em 1958 por Arthur Crabtree baseado no conto "The Thought Monster" de Amelia Reynolds Long, que havia sido publicado na revista Weird Tales Magazine.

É um filme interessante, rápido e bastante divertido, e como os monstros são invisíveis por boa parte do filme, não são necessários muitos efeitos especiais. A ameaça deste filme lembra, inclusive, a do filme Planeta Proibido, de 58, com o até então jovem e sério Leslie Nielsen. 

Após os cada vez mais frequentes experimentos nucleares, a queda das bombas em Hiroshima e Nagasaki e com início da guerra fria, que dividiu o mundo em capitalista e socialista, os filmes de ficção científica dos anos 50 substituíram os antigos monstros como Drácula e Frankenstein por um medo sofrido pela população na época: a ameaça nuclear, representada por seres modificados por estas experiências. Assim surgiram filmes denominados de Atomic Horror, que traziam monstros gigantescos, como aranhas e formigas, e, mais adiante por uma ameaça mais real e cruel: o maligno cérebro humano! Na década de 50 eram comuns filmes sci-fi com esta temática. Apenas para citar alguns temos O Cérebro do Planeta Arous (The Brain From Planet Arous, 1957), O Cérebro que não queria morrer (The Brain That Wouldn't Die, 1962), Experiência Diabólica (Donovan's Brain, 1953), entre outros.

Apesar de se passar nos Estados Unidos, na divisa com o Canadá, foi filmado na Inglaterra e foi uma espécie de resposta inglesa, bem sucedida, aos filmes B produzidos pela American International. 

No Brasil o filme recebeu o genial título de O Horror veio do espaço, sendo que nada vêm do espaço.
Fiend Without a Face é um ótimo filme de baixo orçamento que, resumindo, temos cérebros com antenas que se locomovem, voam, emitem ruídos, matam pessoas estrangulando-as, ficam invisíveis e ainda derretem quando atingidos! É ou não um excelente filme B? Imperdível!

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Zardoz (Reino Unido, 1974)



Filme: Zardoz
Diretor: John Boorman
Ano: 1974
País: Reino Unido
Duração: 105 minutos
Elenco: Sean Connery, Charlotte Rampling, Sara Kestelman 


Zardoz é um filme muito visto como um trash hoje em dia, muito em virtude dos efeitos toscos e datados, afinal, é um filme de 1974, mas principalmente pelos bisonhos figurinos. Ao buscarmos informações sobre o filme, nos deparamos com Sean Connery já com seus 43 anos, um imponente bigode, rabo de cavalo, tanga e botas vermelhas, o que faz muitos já desistirem de assisti-lo ou acharem se tratar de uma comédia. Porém, se deixarmos um pouco de lado coisas supérfluas como o mau gosto estético, vemos um filme sério e que, se pensarmos um pouco, traz reflexões realmente interessantes a respeito de fé, religião, imortalidade e ciência.

No longínquo futuro de 2293, ao invés de termos uma sociedade tecnológica e futurista, vemos seres primitivos e selvagens, trajando as já citadas roupas diminutas e usando cavalos como locomoção. Estes são chamados de exterminadores, que com sua fé cega, seguem tudo o que é dito pelo seu deus Zardoz, que trata-se de uma gigantesca e voadora cabeça de pedra. Este é um deus intolerante e impiedoso que odeia a humanidade e diz que o pênis é maligno e a arma é boa. Afim de impedir a reprodução dos "brutos", o cabeção cospe armas e manda os exterminadores caçá-los e matá-los, para assim "purificar" a terra.





Zed (Sean Connery), que aparece em cena já matando o próprio expectador, não é mais uma ovelha do rebanho dos exterminadores e pretende parar de aceitar as ordens e buscar a verdade. Assim, ele consegue entrar na cabeça gigante e lá vê muito trigo e pessoas, em sua maioria mulheres, nuas e ensacadas. Zardoz nada mais é do que um símbolo controlado por um homem para obter vantagens para si. Zed volta-se contra o seu antigo deus e mata este homem. O cabeção então acaba pousando em Vortex, um lugar visto com o paraíso para os exterminadores, que acreditam ser seu destino após a morte.  

Vortex é um lugar calmo e aparentemente evoluído que é, diferentemente da terra de Zed, habitado principalmente por mulheres, e onde a população é imortal e impotente. Não existe polícia, as punições para os crimes são através do envelhecimento. É um lugar democrático onde as escolhas são feitas através de votações telepáticas. Ao invés de religiosos como no Exterior (terra dos exterminadores), temos pessoas dedicadas à ciência, estes que conseguiram algo que o homem tanto buscou, e que os exterminadores esperam quando morrerem: a imortalidade. Porém, ser imortal é algo muito tedioso. Além das pessoas comuns de Vortex, exitem dois grupos: os apáticos, cujo nome já explica, e os renegados, que são velhos punidos com tempo por se rebelarem e serem contra a imortalidade.
Mas como Zed se rebelou contra Zardoz? Através do conhecimento, a melhor forma de combater uma religião, pois, ao encontrar uma biblioteca e aprender a ler, ele passa a conhecer mais através dos livros. Descobre que Zardoz forçou os brutos para cultivarem trigo para servirem de alimento para Vortex, sendo como escravos para sustentar esta sociedade matriarcal, intelectual, rica e "superiora". Zardoz nada mais é do que uma abreviação de Wizard Of Oz, cuja história era de um homem que amedrontava as pessoas com uma voz grave e uma máscara. Ou seja, cria-se um deus para fortalecê-los, usando e destruindo aqueles de grupos diferentes que vêem tudo como algo normal. Mas além da crítica à religião do exterior, em Vortex coloca-se a ciência como um novo deus, sendo capaz de dar-lhes a imortalidade, mas deixando de lado coisas naturais, como o próprio sexo, o que também acaba sendo prejudicial. 

Em certo momento Zed é disputado pelos apáticos e pelos renegados, para dar vida e morte a estes, respectivamente. Zed acaba recebendo mais conhecimentos em Vortex e percebe, citando Nietzsche, que caçando monstros tornaria-se um deles. Possivelmente o escritor alemão tenha sido inspiração para este filme, pois vê-se a religião como algo perigoso, punindo, criando guerras, sendo contra o sexo, privando prazeres em vida para prometê-los após a morte. Mas também vemos um homem buscando a verdade e matando seu deus.


E no fim, talvez o melhor seja deixar que a vida siga o seu curso, livre de crenças.


Apesar da boa história, o filme acaba sendo um pouco arrastado em alguns momentos, além dos já citados figurinos e efeitos datados, mas no geral é um bom filme, principalmente pela reflexão que nos proporciona e deve ser visto além de sua superfície "tosca", e o considero muito mais como um filme cult do que trash.

O filme foi escrito e dirigido por John Boorman, tendo como orçamento $ 1.000.000.

Minha Nota: 7,5