quinta-feira, 19 de junho de 2014

The Abomination (EUA, 1986)

Filme: The Abomination
Diretor: Bret McCormick (como Max Raven)
Ano: 1986
País: Estados Unidos
Duração: 100 minutos
Elenco: Scott Davis, Jude Johnson, Blue Thompson 
IMDb: 3,7


Logo nos primeiros minutos, são apresentados cenas da carnificina que está por vir, praticamente contando todo o filme. Tudo isso era um pesadelo de Coby e ele começa contar ao médico o que acontece nos seus pesadelos.

Cody vive com sua mãe doente que é viciada em programas televisivos de pregadores que exigem dinheiro dos fiéis, que lembram muito os programas que vemos atualmente na televisão em certos canais brasileiros. Ela acredita em tudo o que o irmão Fogg fala e, após uma prece em que coloca as mãos na TV, parece receber um tumor diretamente do aparelho.

Ela cospe o tumor e o joga no lixo, mas à noite o mesmo vai rastejando até o quarto de Cody e entra em sua boca enquanto ele dorme. Cody começa a passar mal, tossir e cuspir sangue, como se tivesse algo dentro dele, e não é que tinha mesmo?! Até que ele consegue expelir o tumor e, muito higienicamente, o deixa debaixo da cama. Imediatamente Cody se transforma e se torna possuído pelo tumor demoníaco que quer alimento, mas é folgado demais para ir procurar por si mesmo. Podemos facilmente notar quando está possuído quando está usando óculos escuros. Ele vai até a casa de sua amiga para matá-la, depois a deixa debaixo de sua cama e dorme tranquilamente. 

No dia seguinte, sem lembrar do ocorrido, se depara com um esqueleto ensanguentado debaixo da cama e percebe que o tumor cresceu e se transformou num monstro sedento por sangue. Mas a cada tossida de Cody, um novo tumor pulsante é expelido. Para alimentar sua nova família esfomeada, ele vai matar todos os seus conhecidos. Mata o seu amigo, e oferece a própria mãe para ser devorada. Seu chefe também não escapa e é morto tendo a cabeça serrada por uma motosserra, deixando escorrer seu cérebro melequento.



Cody também faz uma visita ao irmão Fogg. Ele entra escondido e deixa uma surpresa dentro de seu vaso sanitário: um dos seus tumores recém cuspidos e um gato. Sim, o tumor precisa se alimentar para crescer forte e saudável. Assim, quando o irmão Fogg vai "aos pés", o gigante tumor dentado (que não sei como ficou escondido na privada), literamente come a bunda do impostor Fogg.


Por fim, com sua casa transformada em um açougue, cheio de pedaços humanos e sangue por todo lado, sua namorada aparece para ver o que está acontecendo. Ela consegue atingí-lo com uma pá, mas aqui não temos heróis e ela é pega pela língua tentacular da asquerosa e tosca abominação cancerígena. 



Cody, em seu estado normal, trata tudo como um terrível pesadelo, mas talvez o pesadelo seja mais real do que ele imagina....



The Abomination é uma excelente e profunda análise psicológica de um assassino em série. Nada disso, é um filme tosco de doer, sem nenhum orçamento, resultando num divertido e sangrento filme trash, cheio de gore, nojeiras e jatos de sangue. Mesmo assim, podemos ver uma crítica ao fanatismo religioso e à cegueira e intolerância que isto pode causar, além de pastores que enriquecem se aproveitando destas pessoas. Cody não passa de um fiel cego que realiza todos os pedidos do seu tumor assassino. Enfim, são muitas análises que podem ser feitas deste filme complexo e filosófico.

Se por um lado os cinco minutos iniciais, que são uma espécie de melhores momentos do filme, são uma garantia de sanguinolência que está por vir, pelo mesmo motivo já acabamos sabendo basicamente todo o filme, só esperando pelas tais cenas.

O filme foi diretamente distribuído para vídeo, o que não é de se admirar, visto o orçamento praticamente inexistente e foi escrito e dirigido por Bret McCormick. Os efeitos são baratos e até funcionam bem (dentro do universo trash), as atuações são ótimas, também trashicamente falando, e o roteiro, bem... é um tumor assassino, oras!


O monstro do filme lembra levemente a planta carnívora da Loja dos Horrores (1960), de Roger Corman, em que seu dono precisa levar pessoas para alimentar a planta.

Quem quiser o filme para download, dê uma conferida no blog The Horror Trash.

domingo, 1 de junho de 2014

Feto Morto (Brasil, 2003)

Filme: Feto Morto
Diretor: Fernando Rick
Ano: 2003
País: Brasil
Duração: 58 minutos
Elenco: Di Babinski, Jajá, Paloma, Leandro, Zenom Gordo e Denise V.
IMDb: 3,1


João é um garoto como qualquer outro, mas com uma diferença. Ele nasceu com uma boneca, digo, um feto morto na cabeça, resultado de uma relação incestuosa que seu pai teve com a irmã. Ele têm problemas com um trio da pesada, liderado por Satan, que costuma passear pelas ruas espancando mães e pisando na cabeça de seus bebês, cortando as bolas e fazendo o seu dono engoli-las, matando deficientes, esfaqueando e queimando mendigos, entre outras atrocidades.  

Finalmente João, o nosso querido nerd perdedor e deformado, consegue um encontro com uma garota. A moça tem hábitos distintos de lamber o próprio absorvente ensanguentado, e se excita quando João vomita nela. Para saciá-la, ele apela para as divindades, ou seja, enfia uma estátua de santo nela.




Ainda tirando sarro da religião, vemos um padre pedindo dinheiro aos fiéis e o mesmo cheirando uma carreira de cocaína em nome de Jesus e queimando a bíblia.

João costuma apanhar do pai, até o dia em que decide se vingar envenenando a cerveja dele. Ele então foge de casa e vai encarar os perigos da cidade grande, mas é obrigado e passar a noite na rua, onde acaba mutilando um mendigo que o importuna. Cansado de só se dar mal, João faz macumba invocando o Exu, com quem faz um pacto. 


Com o Exu, João treina karatê até ficar pronto para enfrentar o trio perverso. Após facilmente surrar o casal de capangas de Satan, tem um luta disputada e coreografada com o chefão, até finalmente explodir sua cabeça com uma dinamite ACME. 

Como prêmio merecido, ele conquista uma garota (Denise V), que chega lhe mostrando os peitos e com quem têm um filho. Então temos um final a lá Nekromantik, com o bebê tarado se excitando com a mãe, que desfila pela casa com os peitos de fora, e ejaculando sangue.


Feto Morto é um filme é trash, divertido, com violência e nudez gratuitas, gore, humor negro, desmembramentos, escatologia e bizarrices de sobra e é totalmente politicamente incorreto, atirando contra todos os lados. No melhor estilo da Troma, ou pra ser mais próximo, da nacional Canibal Filmes.


Um filme feito à base de cerveja com os amigos e muito improviso, já que no quinto dia de gravação, o roteiro foi perdido. As gravações duraram um ano e as cenas iam sendo inventadas uma semana antes e os diálogos saindo no improviso. E no fim, ficou melhor que o planejado, segundo o próprio diretor. Tudo isso ao som de muito death metal/gore/grind, dando espaço para bandas nacionais, como podemos conferir durante a exibição do filme.
Feto Morto acabou se tornando um filme cult no circuíto nacional independente, sendo exibido em diversos bares e festas.

O filme foi dirigido por Fernando Rick em 2003, um ano após Rubão - O Canibal, o primeiro filme de sua produtora, a Black Vomit Filmes, fundada em 2000. Feto Morto foi lançado em 2003 e, além do formato em VHS, foi o primeiro filme de uma produtora independente a sair em DVD. 

Ainda temos a ilustre presença de Denise V, que fez vários filmes de horror independente, como Blerghhh! (1996) e Zombio (1999), da Canibal Filmes.

Depois de Feto Morto, Fernando dirigiu o curta Coleção de Humanos Mortos, que fez parte da antologia 3 Cortes, com uma proposta menos trash e mais como um horror sério e realista. Ele também dirigiu documentários de bandas de hardcore, como o excelente Guidable - A Verdadeira História do Ratos de Porão e Desagradável, um documentário sobre a banda Gangrena Gasosa. Também produziu o videoclipe Pedra, do Mukeka di Rato e Covardia de Plantão, do Ratos de Porão, entre outros. Ainda fez um curta de drama, chamado Ivan.

Rick também participou do programa Trash - A Série, do Canal Brasil, onde são entrevistados os principais nomes do cinema independente nacional, como Petter Baiestorf, Gurcius Gewdner, Kapel Furman, Felipe M. Guerra, Joel Caetano, Rodrigo Aragão, Pepa, entre outros. Vale a pena dar uma conferida!


O blog já tem mais de um ano e era realmente uma falha não ter postado ainda nenhum filme brasileiro. E Feto Morto é um bom representante do trash/gore nacional. Em breve virão outros.

domingo, 18 de maio de 2014

La Nave de Los Monstruos (México, 1960)

Filme: La Nave de Los Monstruos
Diretor: Rogelio A. González
Ano: 1960
País: México
Duração: 81 minutos
Elenco: Eulalio González, Ana Bertha Lepe, Lorena Velázquez
IMDb: 7,0


O planeta Vênus sofre um sério problema: a falta de homens! Para solucionar isto, duas destemidas mulheres venusianas, Gamma e Beta, são enviadas ao espaço para coletar espécimes masculinos para repovoar o planeta. A nave é cheia de equipamentos estranhos e inúteis, luzinhas piscantes e sons que parecem o piripaque do Chaves. Com elas também vai o robô Tor, uma espécie de Wikipedia de lata, com milhões de verbetes na memória.
Elas sequestram alguns exemplares de machos em vários planetas e os transportam congelados. Eles são monstros asquerosos e toscos ao extremo, que você mesmo pode fazer em casa! São eles: Tagual, um baixinho com cérebro gigante exposto; Uk, um ciclope; Zok, um amontoado de ossos com voz grossa e Crassus, um monstro aranha.

Crassus
Zok
Tagual
Uk




















Pergunto-me se o desespero delas é tanto para se relacionarem com tais criaturas. Mas prefiro acreditar que elas são mulheres com iniciativa e não ligam muito para a aparência. 
A nave começa a apresentar problemas e são obrigadas a parar no planeta mais próximo, o Antarssis 135-Sub-2, que supostamente é povoado por seres inteligentes (ou nem tanto) e humanos, assim como elas.

Mas, assim como os marcianos do filme de El Santo, as venusianas vão parar no México, em Chihuahua, mais especificamente. Lá conhecem Lauriano, uma espécie de Barão de Münchhausen mexicano que adora contar histórias absurdas e ficar cantarolando por aí. Entre suas histórias, ele fala como fez para dar dois tiros com uma única bala, como se deparou com dinossauros e como enfrentou um urso munido de uma vara.



Logo ao conhecê-lo, elas usam a sua arma paralisadora, bastante semelhante à aquela corneta do Chapolin. As duas e o robô são abrigados por Lauriano que depois de uma conversa, explica-lhes o que é o amor, algo desconhecido para elas. É claro que ele faz isso cantando mais uma de suas canções. As duas acabam brigando por Lauriano e Beta é ordenada a se retirar.
Chateada com isso, Beta transforma-se em uma vampira capaz de voar com sua capa! Assim ela vai atacando homens e sugando seu sangue. Mas parece que isso é algo proibido em Vênus e Beta é condenada à desintegração.


Gamma se distrai e Beta toma conta da situação e a tranca na nave enquanto solta os pavorosos monstros. Os monstros vão apavorando o povoado, um deles mata a vaca de Lauriano, sobrando apenas os seus ossos. Lauriano segue as pegadas do monstro e tem um confronto com ele, sempre mantendo o bom humor e fazendo piadinhas o tempo todo.
A seguir, feito de refém por Beta, Lauriano começa mais um número musical e, enquanto a venusiana está distraída cantando e dançando, ele pega o cinturão caixa de controle dela. Desta forma, apertando todos os botões, ele consegue entrar na nave e salvar Gamma.
Com o desfecho se aproximando, Gamma, Tor, Lauriano e seu sobrinho terão que impedir que Beta e os monstros dominem o mundo. Mas a solução é tão fácil e patética que chega a ser engraçada.

Beta, ao tentar atacar Gamma, cai cravada em um galho pontiagudo e morre. Enquanto isso, Lauriano e seu sobrinho duelam arduamente com os monstros, mas nada que uma criança não consiga impedir as terríveis ameaças intergalácticas. O menino domina o monstro com cérebro gigantesco e vazio e consegue matá-lo atirando uma pedra com seu estilingue no olho do monstro. Já Lauriano, genialmente faz o monstro "morder-se a si mesmo" o envenenado, sempre com suas performances e piadas a lá Trapalhões.
Por fim, como previsto, Beta fica na Terra com Lauriano, enquanto Tor volta à Vênus com sua nova paixão: a jukebox de Lauriano!




A Nave dos Monstros é uma divertida comédia de ficção científica/horror nos moldes dos filmes dos anos 50, abusando da tosquice. Temos de tudo neste filme: alienígenas, viagens espaciais, robôs, vampiras, tem romance e ainda consegue ser um musical rancheiro. Tudo isso em pouco mais de 80 minutos. Imagino que os produtores mexicanos tenham tido como uma das influências o Plan 9 From Outer Space, do genial e incompreendido Ed Wood. Outra coisa que nos vêm à mente é o episódio Planeta Selvagem (Aventuras en Un Planeta Habitado Por Salvajes Que Aunque Parezca Mentira, No Es La Tierra) do Chapolin em que ele vai atender o chamado das indefesas venusianas.

As inúmeras músicas durante o filme se devem à presença de Eulalio González, o Piporro, um cantor muito popular no México, que também atuou em dezenas de filmes. Já as garotas, foram as vencedoras do Miss México de 1959 e 1960, Ana Bertha Lepe e  Lorena Velázquez. Lorena, a Beta do filme, fez diversos filmes de horror e lucha libre, atuando em vários dirigidos por René Cardona, como Las Luchadoras Contra La Momia (1964) e Las Luchadoras Contra El Médico Asesino (1963). Ela também participou de filmes com o astro El Santo, como em Santo Contra Los Zombies (1962, de Benito Alazraki), Santo Vs. Las Mujeres Vampiro (1962, de Alfonso Corona Blake) e Atacan Las Brujas (1968, de José Diaz Morales).

Lorena Velázquez

Fui dar uma olhada na avaliação do filme no IMDb já esperando uma nota 3 ou 4, mas assustadoramente, está com a nota 7.0! Uma das mais elevadas dos filmes aqui do blog. Praticamente um Cidadão Kane dos filmes B. Acredito que isto se deve por ser um filme pouco conhecido e as poucas avaliações são de entusiastas de filmes ruins. Mas, pode-se dizer que é um bom filme ruim, em que suas falhas e roteiro infantil são suas maiores qualidades e que tornam o filme tão divertido.

Eu já tinha visto blogs falando sobre este filme e só as imagens dos monstros já me deixaram com vontade de assisti-lo. Mas foi só recentemente que consegui vê-lo, quando o excelente blog Cine Space Monster disponibilizou o filme com legendas para download. O filme também está completo no Youtube.


Fontes: 
http://cinespacemonster.blogspot.com.br/2012/08/a-nave-dos-monstros-1960.html

domingo, 11 de maio de 2014

Plaga Zombie: Zona Mutante (Argentina, 2001)

Filme: Plaga Zombie: Zona Mutante
Diretor: Pablo Parés, Hernán Sáez
Ano: 2001
País: Argentina
Duração: 101 minutos
Elenco: Berta Muñiz, Pablo Parés, Hernán Sáez 
IMDb: 5,9


Após a contaminação que zumbificou toda a cidade, descobrimos o motivo da epidemia. O governo havia feito um pacto com os alienígenas para testar um vírus em uma área limitada, mas rapidamente a cidade inteira foi contaminada tornando todos em zumbis, com exceção dos nossos três heróis.

Agora, eles são liberados pelo FBI e deixados novamente na cidade repleta de zumbis multicoloridos. Max Giggs, Bill Johnson e John West, que de alguma forma se recuperou da morte no filme anterior, juntamente com mais alguém deixado em um saco e que é carregado por eles por boa parte do filme.

Rapidamente os zumbis aparecem e se iniciam os confrontos e fugas. Uma coluna arrancada pelo pescoço, zumbis rasgados ao meio e um braço usado como arma são alguns destaques do primeiro duelo. A comédia também está presente durante todo o filme. Em uma das cenas, Bill se depara com um zumbi segurando seu intestino “peidante” e o usando como uma mangueira de fluídos fecais. Sua própria arma acaba munindo o adversário, que pega o intestino, sai correndo e depois o amarra com ele.  



Max e Bill, tentando encontrar a saída da cidade, descobrem que estão ilhados e não há como escapar. Neste instante Bill encontra um agente do FBI que possui um DISQUETE (sim, o filme se passa no longínquo ano de 1997), com o mapa da única saída da cidade.


Com o disquete, o trio vai até a casa de Max para usar o computador e tentar abrir o mapa, porém, a decodificação do mesmo levaria 12 horas!  A informática ainda tinha muito a evoluir.
John inocentemente atende a ligação do FBI e informa a sua localização, o que faz com que os mesmo tenham que sair da casa, enquanto o computador fica processando.


Rodeados por uma legião de zumbis, percebem que os mesmos ficam catatônicos olhando para o céu e são controlados por uma nave alienígena. Esta cena me lembrou a do filme brasileiro Zombio (1999) de Petter Baiestorf. 

Eles vão à casa de John e Bill percebe que as facas misteriosamente desapareceram. Enquanto John e Max se divertem em um momento videoclipe de ídolo e fã, com as canções do passado famoso de John West, Bill abre o saco e de lá saí um garoto bobo e muito chato, também chamado Max e que, por coincidência também é grande fã de Bill. Isto deixa Max Giggs enciumado e raivoso por perder a atenção.

Matar zumbis com garfos e colheres não é pra qualquer um


Quando Bill e John saem atrás de suprimentos, Max não controla sua raiva e acaba por esquartejar o corpo do novo Max. Logo a seguir a casa é invadida por zumbis e Max é atacado.
Pra complicar, após as 12 intermináveis horas de decodificação do disquete, é necessário inserir o segundo disco.

Os remanescentes sofrem um ataque surpresa e acordam em um caminhão carregado de humanos e são deixados no comitê central dos zumbis. A sociedade dos zumbis é organizada e sindicalizada, e agora comandada por Max, que se transformou parcialmente em zumbi. 


Eles são salvos pelos rebeldes que chegam massacrando os rebeldes das mais diferentes formas e mostram-se os responsáveis pelo desaparecimento das facas da cidade.
Neste momento os três se desentendem e discutem sua relação. Após discurso inspirado (e com direito à cola), eles voltam a se unir. 


Os rebeldes parecem se divertir ao facilmente ir exterminando os zumbis, mas eles se enganam se pensam que o desfecho será assim tão tranquilo. Os seres começam a se decomporem, mas ainda contarão com uma ajuda externa, provando a profundidade e as muitas camadas deste filme. 
Não se desespere, a aventura ainda não chegou ao fim! Continua em Plaga Zombie: Zona Mutante: Revolución Tóxica.

Plaga Zombie: Zona Mutante, apesar de feito 4 anos depois, é a sequencia direta do primeiro filme, acontecendo alguns minutos após os fatos finais do anterior. Com um orçamento de $ 3000, seis vezes maior que o primeiro, mas ainda baixíssimo, eles fizeram um ótimo filme dentro de suas possibilidades, apresentando muitas evoluções técnicas. Os efeitos são funcionais, é até bem filmado, com diálogos engraçados e existem boas cenas de lutas, com direito à uma edição com cortes rápidos. 
Plaga Zombie: Zona Mutante é repleto de humor com cenas hilárias e muitas mortes criativas. Ainda conta com composições próprias, como a música de John West, cena que mais parece um videoclipe, coisa que a produtora acabou fazendo bastante.
Os argentinos da Farsa Producciones conseguiram algo não muito comum no cinema: fazer uma sequência melhor que o filme original. Fizeram bem ao explorar mais do universo criado com o primeiro filme, contando com um trio de heróis carismáticos e engraçados, que lembram outros matadores de zumbis/aliens como Lionel do Fome Animal, Ash do Evil Dead e a turma do Bad Taste.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Ilsa: She Wolf of the SS (Canadá, 1975)

Filme: Ilsa: She Wolf of the SS / Ilsa, a Guardiã Perversa da SS
Diretor: Don Edmonds
Ano: 1975
País: Canadá
Duração: 96 minutos
Elenco: Dyanne Thorne, Gregory Knoph, Tony Mumolo
IMDb: 5,2


Ilsa é a comandante do Campo 9 da SS que, diga-se de passagem, tem seios fartos e usa decotes generosos (falo isso pois é um ponto fundamental do filme). Ela tem o hábito de satisfazer suas necessidades sexuais com os prisioneiros, garantindo a eles que não precisarão voltar ao campo de concentração. De fato não voltam, já que, após o ato a viúva negra ordena que eles sejam mortos por castração. 

Ela examina as mulheres nuas, que serão usadas para "servir" aos soldados. Outras são torturadas para provar uma teoria de Ilsa, a qual ela acredita que as mulheres são capazes de suportar mais dor que os homens, visando recrutar mais mulheres às tropas da SS para mandá-las à combate, estando preparadas para os possíveis sofrimentos. Vale ressaltar que as oficiais ajudantes de Ilsa, por algum motivo apelatório ou fetichista, costumam ficar com os peitinhos à mostra dando chicotadas nas pobres prisioneiras.
Entre outras torturas aplicadas, são usados vibradores eletrificados, câmaras de pressão, mergulhos em água fervente e deixar as prisioneiras com feridas expostas por dias, criando vermes. Chegam até mesmo à infectar uma delas com pus gangrenado, buscando uma cura para usar nos soldados.


Ilsa não tolera que os homens falem com as mulheres e os mesmos são punidos com a morte. Como boa nazista que é, ela considera que as raças inferiores, têm membros inferiores. Mas, certo dia chega ao Campo 9 um homem chamado Wolfe, que enlouquece Ilsa por ter o super poder de se manter ereto o quanto quiser, o que faz com que seja mantido vivo, satisfazendo regularmente a safadinha da Ilsa.
Em outra das muitas crueldades, uma prisioneira é colocada nua em cima de uma barra de gelo com uma forca no pescoço, enquanto os oficiais jantam e se divertem esperando que ela morra. 


Um general aparece para vistoriar os trabalhos de Ilsa e quando os dois estão à sós no quarto, ele aproveita para pedir à ela uma chuvinha molhada! 
Depois de várias noites com Ilsa, Wolfe promete algo diferente a ela. Neste dia, ele a amarra na cama e Ilsa parece gostar de ser submissa por uns instantes, quando Wolfe pega a arma dela e faz um guarda de refém. Os prisioneiros, que haviam planejado uma rebelião com as prisioneiras, saem armados com paus e facas e vão matando guardas. O desejo por vingança os torna extremamente cruéis, enforcando, cortando pescoços, metralhando e empilhando corpos enquanto os guardas vão saindo de seus acampamentos.
Wolfe decide fugir mas os outros preferem ficar e continuar com a sangrenta vingança. Isto até que as tropas alemãs chegam matando a todos, desde os prisioneiros até Ilsa, destruindo o acampamento para que as tropas aliadas não encontrem registros do era feito naquele lugar.


Ilsa é um bom exploitation dos anos 70 e talvez o melhor filme de uma de suas muitas ramificações, nomeado como Nazisploitation (depois falaremos mais sobre isso). Se por alguma razão, você acha que este filme faz alguma apologia ao nazismo, os dizeres iniciais do filme já deixam bem claro a posição dos produtores, esperando que coisas como estas nunca mais venham a acontecer. Mas também não dá pra dizer que não são oportunistas, fazendo dinheiro com um filme dedicado à estas atrocidades.

O que mais assusta no filme é que, apesar do exagero, muitas destas brutalidades foram realmente cometidas e a Ilsa foi baseada em uma pessoa real, Ilse Koch. Ela era esposa do comandante dos campos de extermínio de Buchenwald. Ilse tinha o hábito de usar pedaços de peles tatuadas de prisioneiros como cúpulas de abajures. Ela também costumava andar nua nos campos de concentração com um chicote, ameaçando surrar aqueles que a olhavam duas vezes. Isso lhe rendeu apelidos carinhosos como "a maldita de Buchenwald" ou "a bruxa de Buchenwald", entre outros.



Outra coisa interessante do filme é mostrar que em uma guerra, todas podem ser cruéis. Uns por seguirem ordens de uma ideologia fascista, outros por serem violentados e buscarem vingança. 

Enfim, é um bom filme com história interessante e bom final. Ainda rende certo humor por conta dos personagens estereotipados, o sotaque de Ilsa e o fetiche do general, além de boa dose de nudez e visual sadomasoquista.


O Nazisploitation, como o nome já sugere, é um subgênero do exploitation que vai de encontro com outro subgênero, o WIP (filmes de mulheres prisioneiras) explorando às atrocidades cometidas pelas tropas alemãs durante a segunda guerra mundial. Estes filmes, além de abusarem de cenas de violentas torturas, também apelam para fator erótico, geralmente com prisioneiras nuas e, no caso de Ilsa, a própria comandante e suas assistentes. 


Mesmo que o Nazisploitation tenha ficado mais conhecido com Ilsa, A Guardiã Perversa da SS (Ilsa: She Wolf of The SS, 1975), dirigido por Don Edmonds e que eternizou Dyanne Thorne como a cruel musa do gênero, o primeiro filme do gênero foi Love Camp 7, de 1969, dirigido por Lee Frost, que também fez muitos filmes de exploitation. 

Dyanne Thorne em 1976 fez Ilsa, Harem Keeper of The Oil Sheiks, também dirigido por Don Edmonds, onde ela assume o mesmo papel da primeira Ilsa, mas aplicado em outros contextos: trabalhando para um sheik árabe que importa mulheres para satisfazê-lo sexualmente.

Ela repete a personagem em Ilsa, The Tigress of Siberia (1977), passado em um campo de concentração comunista,  e Greta - Haus Ohne Männer (1979), dirigido por Jess Franco, e que em alguns países, aproveitando a fama da personagem, também teve títulos como Ilsa, The Wicked Warden. Ou seja, Ilsa foi a representação da comandante vil em diversas culturas.
O Nazisploitation foi amplamente explorado pelos italianos como em Gestapo, Esquadrão da Tortura (Le Deportate Della Sezione Speciale SS, 1976) de Rino Di Silvestro, Calígula Reencarnado como Hitler (L'ultima orgia del III Reich, 1977) de Cesari Canevari, Garotas da SS (Casa Privata Per Le SS, 1977) de Bruno Mattei, La Bestia In Calore (1977) de Luigi Barzella e As Noites Rosas da Gestapo (Le Lunghe Notti Della Gestapo, 1977) de Fabio de Agostini.

domingo, 20 de abril de 2014

The Brain From Planet Arous (EUA, 1957)

Filme: The Brain from Planet Arous / O Cérebro do Planeta Arous
Diretor: Nathan Juran
Ano: 1957
País: Estados Unidos
Duração: 71 minutos
Elenco:  John Agar, Joyce Meadows, Robert Fuller

O cientista Steve está fazendo experimentos em seu laboratório e percebe sinais estranhos de radiação vindos do Monte Mistério. Ele vai junto com Dan, seu assistente, averiguar o que se passa por lá. 
Ao chegarem lá, se deparam com uma caverna que até então não existia no monte. Lá dentro encontram com um cérebro gigantesco e translúcido com olhos e incrível poder, capaz de atordoá-los instantaneamente. Enquanto Dan morre queimado pela radiação, Steve passa a ser o hospedeiro do cérebro maligno, chamado Gor. 

Uma semana depois ele volta para casa controlado por Gor, que se mostra bastante safadinho com Sally, a noiva de Steve, como se nunca tivesse visto uma mulher. Mas como corpos femininos não existem no planeta Arous, de onde ele veio, é até bem compreensível. 
Sally acha que ele têm agido de forma estranha e agressiva, e que ele está cada vez mais obcecado por dinheiro e poder.


Quando ela e seu pai vão até a montanha investigar o que poderia ter acontecido, encontram o corpo de Dan e surge outro cérebro de Arous, Vol, que conta que Gor é um ser mau que havia fugido de Arous.

Nos momentos em que Gor está fora do corpo de Steve, ele volta a sua consciência e tenta destruir o cérebro voador do mal, mas sem sucesso. Quando Gor o está controlando, pode usar seu poder destrutivo, podendo, em um simples olhar negro e metálico, queimar e explodir coisas.


Vol quer capturar Gor quando este não está no corpo de Steve e precisa da ajuda deles. Enquanto isso, para não ser visto, Vol fica no corpo do cachorro do casal.
Após destruir um avião apenas com o seu olhar sádico, ele é investigado pelo xerife local. Steve admite que matou Dan e derrubou o avião e em seguida o xerife segue o mesmo caminho.

No dia em que seriam realizados os testes atômicos, Steve mostra o seu poder destruindo toda uma cidade de testes, como se fosse uma bomba atômica, só com sua olhadinha marota pela janela. Ele conta seus planos diabólicos aos militares, visando escravizar a raça humana para produzir armamentos para dominar Arous e todo o universo, AH AH AH AH AH!!

Ele pede uma reunião com os líderes dos países (mas bem poucos aparecem) ameaçando destruir as capitais daqueles que não concordarem com seus planos.
Vol, que se diz mais poderoso que Gor, apenas diz a Sally o ponto fraco deles: a cada 24 horas eles precisam voltar a sua forma física natural para respirarem oxigênio e neste momento podem ser mortais se atacados na fissura de rolando.
(A fissura de rolando é também chamado de sulco central, que é uma fenda que separa no sentido longitudinal os dois hemisférios do cérebro.)


Sally pesquisa sobre a tal fissura em um livro e deixa uma anotação para Steve na sua mesa. Quando ele chega exausto, Gor sai de seu corpo sob a forma sólida (e suspenso por fios de nylon) e Steve, por sorte, vê o bilhete de Sally e, com o machado convenientemente deixado próximo por ela, começa a atacar Gor diretamente nesta fissura e assim, sem muitos problemas, o mundo está salvo mais uma vez. Enquanto isso, o poderoso Vol fica escondido confortavelmente no cachorro. Quando Sally vai mostrar Vol, ele já não estava mais no cão, e Steve não acredita na história. Seria Vol a representação do poderoso cérebro humano? 


Como já comentado na postagem de Fiend Without a Face, os anos 50 presenciaram uma epidemia de filmes toscos de horror e ficção científica abordando as consequências do uso indevido das armas atômicas. Entre estes filmes, surgiram vários abordando os poderes malignos dos cérebros.

Assim como em muitos outros filmes B da época, a terrível ameaça que pode comandar o universo é um tanto quanto ingênua e facilmente pode ser derrotada.

Este filme lembra muito O Cérebro (The Brain, 1988), um clássico do cinema trash dos anos 80, certamente prestando uma homenagem a estes filmes dos anos 50. 


O diretor austríaco Nathan Juran (aqui creditado como Nathan Hertz) dirigiu diversos clássicos filmes B de ficção científica e fantasia, incluindo A Mulher de 15 Metros (Attack of the 50 Foot Woman), The Deadly Mantis (1957), Os Primeiros Homens na Lua (First Men in the Moon, 1964), A Vinte Milhões de Léguas da Terra (20 Million Miles to Earth, 1957), e Simbad e a Princesa (The Seventh Voyage of Sinbad, 1958), estes três últimos com o mestre dos efeitos stop-motion, Ray Harryhausen. Nathan também trabalhou bastante com séries para TV, como Terra de Gigantes, Perdidos no Espaço, Túnel do Tempo e Viagem ao Fundo do Mar.

Não deixe de ver este filme "cerebral"!