domingo, 8 de fevereiro de 2015

Banana Motherfucker (Portugal, 2011)

Filme: Banana Motherfucker
Diretor: Fernando Alle, Pedro Florêncio
Ano: 2011
País: Portugal
Duração: 16 minutos
Elenco:  Fernando Alle, Ana Lúcia Chita, Pedro Florêncio

Depois de um longo período de férias bloguísticas, o Trashinema está de volta matando sua fome pelo mal feito. Peguem o pote de bananas e divirtam-se!

Uma equipe vai a uma ilha peruana, famosa por lendas macabras, filmar o que seria o filme de terror mais realista e apavorante de todos os tempos. 
No decorrer das filmagens, um dos integrantes come uma banana encontrada na ilha e em pouco tempo todos ficam desesperados com o misterioso ataque de bananas assassinas que saltam e voam, atravessando corpos, decepando membros, enfiando-se em lugares impróprios e ainda contando com as trapalhadas dos sujeitos que vão entrando em situações acidentais resultando em outras situações inusitadas e sangrentas.
Um deles, mesmo após ter uma banana cravada em seu olho, consegue fugir, mas não se dá conta que com ele vai uma casca de banana.



Um tempo depois, na cidade, aquela casca de banana contamina outras bananas, que passam a agir de forma inesperada, e começarão um verdadeiro massacre, atacando as pessoas das mais variadas formas, vingando as milhares de gerações anteriores de frutas dizimadas pelos humanos.



Banana Motherfucker retoma os filmes trash, em que seres inanimados ganham vida e tornam-se assassinos. Neste caso, as frutas, como acontece com O Ataque dos Tomates Assassinos, mas também trazendo características de filmes como Cannibal Holocaust e Evil Dead.
Este curta é dirigido pelos portugueses Fernando Alle e Pedro Florêncio, que mantém o grupo Clones - Produções de Merda, que também tem no currículo obras como Papá Wrestling e BLARGHAAARHGARG, todos recebendo prêmios em diversos festivais.


terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Fist Of Jesus (Espanha, 2012)


Filme: Fist Of Jesus
Diretor: Adrián Cardona, David Muñoz
Ano: 2012
País: Espanha
Duração: 15 minutos
Elenco: Marc Velasco, Noé Blancafort, Salvador Llós
IMDb: 7,1

Jesus está dando uma de suas habituais palestras tentando evangelizar seus seguidores, dizendo que deve-se perdoar os inimigos, quando Jacó chega dizendo que seu filho, Lazaro, morreu. Jesus tranquilamente diz que ele apenas está dormindo e vai até lá fazer seu milagre para ressuscitá-lo. Finalmente seu truque funciona e Lazaro volta à vida, porém, volta como um zumbi sedento por sangue. Logo a praga vai se espalhando e Jesus e Judas, seu camarada, se deparam com diferentes hordas de zumbis: os fariseus, os romanos e os cowboys, estes os mais perigosos, pois tem armas e sabem atirar!


Judas, desesperado, se enforca em uma árvore e, pela primeira vez, a mágica da ressuscitação funciona e Judas volta à vida pronto para ajudar Jesus no confronto com os zumbis.
Cercados por um bando de zumbis, Jesus faz outro de seus truques: a multiplicação dos peixes, para serem usados como armas. Mas os mais eficientes acabam sendo o peixe-espada e o peixe-serra, causando um verdadeiro mar de sangue e decapitações. Enquanto Judas se ressente ao matar os zumbis, Jesus encontra nisto a sua verdadeira vocação, resultando em uma verdadeira montanha de restos humanos. Ainda faz bom uso de uma grande cruz, usando-a para esmagar cabeças dos zumbis.


Por fim, Judas diz: "no fim, não conseguimos evangelizar ninguém" e Jesus responde com algo como: "pelo menos conseguimos levar muitos para o reino dos céus.".


Fist of Jesus é um curta espanhol, produzido pela Eskoria Films, que também fez o ótimo Brutal Relax. O filme é divertidíssimo e muito sangrento, com uma exagerada violência gráfica e muito sangue espirrando na tela, lembrando até as mais recentes produções do gore japonês. É recheado de situações engraçadas que resultam em mortes mirabolantes fazendo frente ao canadense Bagman.
Os efeitos são principalmente práticos, baseados na maquiagem ou em bonecos, meio toscos em momentos como os esmagamentos cranianos, mas que acabam sendo mais interessantes do que se utilizassem das facilidades da computação gráfica.
Enfim, uma versão muito mais interessante para a história de Jesus.


O curta chegou até a ganhar um jogo:

domingo, 21 de dezembro de 2014

Vampire Girl vs Frankenstein Girl (Japão, 2009)

Filme: Vampire Girl vs. Frankenstein Girl / Kyûketsu Shôjo tai Shôjo Furanken
Diretor: Yoshihiro Nishimura, Naoyuki Tomomatsu
Ano: 2009
País: Japão
Duração: 84 minutos
Elenco: Yukie Kawamura, Takumi Saitô, Eri Otoguro

Para mostrar a que veio, o filme inicia com um alto nível de trash quando, Monami, uma jovem vampira estudante, é atacada por três garotas frankenstein, retalhadas e costuradas. A vampira ataca e morde o pescoço de uma delas e vai puxando a pele, que vai saindo como se fosse um papel higiênico sendo desenrolado, sobrando apenas o crânio. Tudo isso com uns efeitos computadorizados meio duvidosos. Este crânio é arremessado até outra das frankensteins, que tem seu nariz mordido pela caveira e, com um pequeno exagero, é arrancado, juntamente com toda a pele do rosto. 



A vampira estrategicamente morde os pulsos e seu sangue se solidifica, formando duas espadas sanguinolentas que cortam a cabeça da moça restante. E claro, muito sangue espirrando como se não houvesse amanhã com uma alegre música japonesa ao fundo, no melhor estilo Tarantino, só que bem mais extremo e exagerado.

Calma, estes foram só os minutos iniciais, uma estratégia comum para prender a atenção do espectador para continuar assistindo. Enfim, depois vemos uma escolinha muito bizarra. Alunas afrodescendentes totalmente estereotipadas, atuações horríveis dignas de novelas mexicanas adolescentes. Não existem pessoas sãs nessa escola. Temos também a turma das cortadoras de pulsos, que fazem até saudáveis competições, inclusive cortando todo o braço em uma situação. 


Mas como é comum em filmes de vampiros hoje em dia, temos um pequeno romance, em que Monami dá um chocolate recheado com seu sangue contaminado a Mizushima, seu colega babaca. Ocorre então a “vampirização”, medo do sol e todas essas frescuras. 
Na escola, o diretor, que também é um excêntrico e sádico cientista, com o auxilio de uma enfermeira sensual, mata estudantes para ressuscitá-los. Os cortam em pedaços e tentam juntar com pregos e furadeira. Violência e sensualidade gratuita e banalizada, mas muito divertida, por sinal. A partir do que restou do corpo de Keiko, outra garota que disputava Mizushima com Monami, que acabara morrendo, junta-se com partes de outras pessoas, como as pernas da atleta, o braço da cortadora de pulsos. Assim, lembrando o clássico Frankenhooker, cria-se um ser híbrido super-humano e pronto pra destruir, que irá disputar Mizushima com a garota vampira.


O filme tem um final de violência surreal na Torre Eifel, com as garotas disputando a "posse" de Mizushima, que apenas assiste passivamente.


O filme coloca lado a lado, a personificação de dois dos principais monstros clássicos dos estúdios Universal: Drácula e Frankenstein. Curiosamente, ambos personagens surgiram da literatura em uma mesma ocasião, em 1816, quando os jovens, Mary Shelley, Percy Shelley, Lord Byron e John Polidori estavam confinados em casa, devido ao clima sombrio da época, resultante da erupção de um vulcão que bloqueara os raios solares. Byron sugeriu que cada um criasse uma história de horror e destas histórias surgiram mais tarde os romances Frankenstein, de Mary Shelley e O Vampiro, de Polidori, que mais tarde serviu de inspiração para Drácula, de Bram Stocker.


Voltando ao cinema, ambos monstros tiveram suas clássicas adaptações cinematográficas realizadas em 1931, Drácula interpretado por Bela Lugosi e Frankenstein por Boris Karloff e, desde então, os personagens renderam uma infinidade de filmes, sendo que hoje muitas de suas características essênciais foram deturpadas. Entre eles, as versões da Hammer, dirigidos por Terence Fisher, revitalizando os vilões e que imortalizou Christopher Lee como um Drácula repaginado e mais violento, assim como Peter Cushing, que interpretou o Frankenstein em diversos filmes.

Filmes com os dois personagens juntos não são uma novidade, o mesmo já podia ser visto em House Of Dracula (1945), House Of Frankenstein (1944) e mais tarde no tosco Dracula vs Frankenstein, filme de 1972 com o selo de "qualidade" Troma Movies. Também nos anos 70, os personagens ganharam suas versões Blaxploitation com Blacula, a sequencia Scream Blacula Scream e Blackenstein.


Vampire Girl vs Frankenstein Girl, que foi inspirado em um mangá de Shungiku Uchida, é uma adaptação moderna e nipônica para estes clássicos monstros do cinema americano, substituindo-os por belas garotas, explorando toda a violência, erotismo e exageros característicos do atual gore japonês com suas histórias absurdas. Não deixa de ser uma boa opção frente às recentes adaptações destes monstros clássicos.

O filme é divertido e tudo mais, mas se ainda não é iniciado nesta nova safra do gore japonês, recomendaria antes os já comentados The Machine Girl (de Noboru Iguchi) ou Tokyo Gore Police (do próprio Yoshihiro Nishimura).  

domingo, 23 de novembro de 2014

Brutal Relax (Espanha, 2010)

Filme: Brutal Relax
Diretor: Adrián Cardona , Rafa Dengrá, David Muñoz
Ano: 2010
País: Espanha
Duração: 15 minutos
Elenco:  José María Angorrilla, Pep Sais, Mayka Dengrá
IMDb: 6,7


O Sr. Olivares, que sofre de fortes acessos de raiva, recebe a recomendação médica de ir à praia para relaxar e não se preocupar com nada. Assim, ele vai alegre e contente descansar na praia com sua sunga branca e seu walkman, senta em uma poça de lama e lá fica apreciando a paisagem e curtindo sua música, sem se importar com os outros rindo dele.

Enquanto todos estão se divertindo na praia, algumas criaturas escamosas e de baba verde saem do mar e, após um deles ser atingido por um frisbee, iniciam um sangrento confronto com as pessoas, que vão sendo brutalmente exterminadas, banhando a praia de sangue. Nada que interrompa a paz do Sr. Olivares, não fosse um problema: o walkman ficar sem pilhas! 




Desesperado por ficar sem sua musiquinha, ele irá despejar sua ira nos pobres monstros marinhos enchendo-os de porrada e fazendo seu sangue verde jorrar e seus corpos serem destruídos como se fossem simples bonecos.
O curta conta com alguns efeitos em computação gráfica que não comprometem e alguns mais toscos, como nos recentes gore japoneses. Os efeitos práticos são bem feitos, dentro do baixo orçamento.





Curta bem divertido e sem compromisso feito pela turma da Eskoria Films, produtora independente que lembra as já comentadas Roadkill Super Star e Farsa Producciones e que produz principalmente curtas trash cheios de gore, incluindo o excelente Fist Of Jesus, de 2012.


quinta-feira, 6 de novembro de 2014

El Ataque Del Pene Mutante Del Espacio (Espanha, 2007)

Filme: El Ataque Del Pene Mutante del Espacio / Attack Of The Mutant Dick From Outer Space
Diretor: Dani Moreno
Ano: 2007
País: Espanha
Duração: 25 minutos
Elenco: David Abellán, Maria Lavarta, Dani Moreno

Um aviso antes de iniciar o filme: separem seus óculos 3D feitos de papel e celofane vermelho e azul, pois este é o primeiro filme com a tecnologia 3D Penevision. Então, quando aparecer o aviso de 3D, coloquem seus óculos e gozem!
Dito isso, podemos ir ao filme. 

Um grupo de cientistas está buscando uma cura para as crianças com hipertricose (uma doença rara que cobre de pêlos todo o corpo) e descobrem nos raios gama de um asteróide a solução.

Os três cientistas, dois homens e uma mulher, viajam ao espaço em uma moderna nave, de formato fálico. Depois de uma semana, o Dr. Dickinson não aguenta mais a falta de sexo e vai se aliviar no banheiro com uma revista. Neste instante a nave entra no campo dos raios gama e ele não coloca o capacete para proteger-se da radiação. 
Dickinson começa a derreter e transforma-se em um monstro peniano que expele um suco branco no topo de sua cabeça. Ele ataca a doutora e a derrete (em efeitos stop motion de massa de modelar).


De volta à Terra, o Dr. Pinto ataca mulheres ao ficar maluco vendo seus decotes e, uma a uma, as vai derretendo.
Um exército (de apenas dois soldados) é convocado e preparam uma armadilha no meio da floresta para pegá-lo: colocam um filme pornô em um telão. Rapidamente ele ouve os sons provindos da exibição e morde a isca. 
Para eliminá-lo, é usado um mortal espermicida e contar com bela pontaria do General.





Expressões como "que porra de filme é esse?", "esse filme é do caralho!" ou "que filme cabeça!" nunca antes fizeram tanto sentido.

Este curta espanhol de 24 minutos, feito em preto e branco e com efeitos 3D é uma grande homenagem aos filmes de ficção científica dos anos 50 com seus monstros alienígenas mutantes, tanto que o próprio título já remete à filmes como Plan 9 From Outer Space. É bastante divertido, com vozes forçadas e engraçadas, assim como as toscas atuações. 
Foi produzido pela Chaparra Entertainment, uma produtora independente dirigida por Dani Moreno, que neste curta atua como o General, e cujos principais filmes foram, além deste curta, Amazing Mask, Martians Go Home! e o trashíssimo Brutal Dogo. Também fizeram videoclipes com a temática de filmes B para bandas e editam a revista Amazing Monsters. 





Para assistir:


Making of e apresentação do 3D Penevision:

A banda de grindcore colombiana Absolut Terror fez uma uma música com o nome do filme em sua homenagem.

domingo, 19 de outubro de 2014

Island Of Death (Grécia, 1976)

Filme: Ta Paidia Tou Diavolou / Island Of Death 
Diretor: Nico Mastorakis
Ano: 1976
País: Grécia
Duração: 108 minutos
Elenco: Robert Behling, Jane Lyle, Jessica Dublin
IMDb: 5,1

Christopher e Celia são um feliz casal britânico procurado pela polícia que chegam a uma ilha grega (bem semelhante àquela do Anthropophagous), famosa por suas 365 igrejas. Um local ideal para devotos de deus e, porque não, para umas perversões. Os dois rapidamente se mostram bem à vontade no local, quando Christopher liga para sua mãe, para que ela escute os dois transando em uma cabine telefônica.

Até aí tudo bem, mas a coisa começa a ficar estranha quando Christopher, após ter o pedido de sexo matinal negado por Celia, vai ao pátio e encontra uma cabra. E sim, ele satisfaz suas necessidades com o pobre animal e depois arranca sua cabeça e a joga dentro do poço.



A seguir, em um bar, ele nota que um homem está observando Celia. Christopher o chama para a mesa apresentando Celia como a sua prima. Eles armam para Celia encontrar-se com ele na capela em que ele estava pintando. Enquanto os dois transam, Christopher fica escondido tirando fotos. 

Após feito o serviço, Christopher entra em cena e eles crucificam o pintor ao lado da capela, afinal, consideram o adultério como algo errado. Não bastasse isto, ainda fazem o pintor engolir um balde de tinta (que tá muito mais pra leite). 
Seguindo os ensinamentos do livro sagrado, eles gostam de punir o que consideram perversões. É o que fazem com um casal de homossexuais recém-casados, espertamente registrando tudo com a câmera fotográfica. 


O detetive Foster finalmente os descobre, mas não contava que o casal o estaria esperando no avião. Assim, amarram uma corda no pescoço e dão uma volta com o homem pendurado no avião!

A próxima vítima no processo de limpeza da ilha é uma senhora que gosta de se divertir com homens e também aprecia uma chuvinha dourada. Mas Christopher, após este ato a espanca e a mata brutalmente, mas não tão discretamente, ao decepá-la com uma motoniveladora, mostrando ser um cara bastante versátil e criativo em suas formas de execução. O interessante também é que ele é bastante qualificado, não só sendo capaz de operar um avião, como a motoniveladora. Tudo isto vai sendo registrado em seu diário, sem medo de deixar provas.

Um dia Christopher vai pescar e Celia, sozinha, após ser seguida por dois hippies, é abusada por eles. Mas Chris chega com seu arpão atirando. Este crime desperta o interesse de um escritor, que passa a investigar o casal.
O novo alvo é a atendente de um bar que fica de olho em Celia. As duas vão para casa e a mulher, por ser lésbica e drogada, não pode ser perdoada por Christopher, que a considera uma pecadora. Para puni-la, ele injeta nela um super dose de droga e faz um lança-chamas com uma vela e um spray.


Celia sempre tinha um sonho em que era estuprada por um desconhecido. Até que um dia este sonho se realiza, mostrando que ela previa o futuro! Este homem espanca Chris e o sodomiza e em ato de extremo mal gosto, peida nele e o joga em um poço! Aí já é muito "desrespeido"!

Celia fica feliz com o agressor e de imediato troca Chris por ele quando também descobrimos que os dois eram irmãos! Se não ficou chocado com todas as bizarrices anteriores, isso até vai parecer tranquilo.


Enterrado em cal, Chris vai queimando lentamente quando começa a chover.

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O diretor grego Nico Mastorakis tentou pegar carona no sucesso de O Massacre da Serra Elétrica, lançado dois anos antes, e também quis ganhar uma graninha fazendo um filme violento e polêmico. Para isso ele escreveu o roteiro em uma semana (até que demorou), reunindo uma coleção de cenas que tentam a todo custo ser chocantes,  envolvendo questões relacionadas à zoofilia, homofobia, sexismo, maus tratos com animais, adultério, drogas, ninfomania, incesto, peidos gratuitos(?), além de cenas de nudez e sexo. 

Mas o que mais pode ter insultado as pessoas na época, e contribuído para o filme ser banido, foi que o casal adota os conceitos bíblicos para "limpar" o mundo do que consideram errado, sendo que são eles que realmente fazem as coisas ruins.

De certa forma o diretor conseguiu o que queria, já que o filme ganhou certa fama por entrar na lista das video nasties e sendo banido por muitos anos no Reino Unido e figurando em diversas destas listas de filmes perturbadores ou polêmicos que vemos na internet.  

Já sabendo desta fama do filme, na primeira vez que o vi, esperava algo mais chocante, mas é tudo tão tosco e forçado que chega até a ser engraçado. O orçamento é ridículo e as cenas são mal feitas, que não chegam a ser muito explícitas. Vale para quem gosta de um trash/exploitation, caso contrário, procure outro filme.

Os atores que tiveram um certo destaque foram Robert Behling (Christopher) e Jessica Dublin (Patricia), ambos americanos. Robert também participou de Sem Medo da Morte (1976) e Cujo (1983) e Jessica fez Trinity Ainda é Meu Nome (1971), Re-Juvenator (1988), e até alguns da Troma, como Troma's War (1988), O Vingador Tóxico II e III (1989) e a série Tromaville Café (1997).


Uma lição que podemos tirar com este filme:
Tome cuidado ao visitar ilhas gregas. Se não for devorado por um canibal, pode ser morto por um casal de psicopatas religiosos!

domingo, 3 de agosto de 2014

Splatter: Naked Blood (Japão, 1996)

Filme: Nekeddo burâddo: Megyaku / Splatter: Naked Blood
Diretor: Hisayasu Satô
Ano: 1996
País: Japão
Duração: 76 minutos
Elenco: Misa Aika, Yumika Hayashi, Mika Kirihara

Eiji é um jovem mimado metido a cientista que, sabe-se lá como, desenvolve uma droga que ele batiza de Myson, um líquido azul que traria às pessoas o sentimento de calma de um céu azul ou do mar calmo, acabando com o sofrimento e trazendo felicidade. Sua mãe, também cientista, está trabalhando em seu anticoncepcional, o qual ela julga ser uma forma de salvar o mundo. Eiji vai até a clínica e injeta a sua droga no anticoncepcional, que seria testado em três mulheres.


Cada uma das garotas tem uma personalidade específica: uma é obcecada por comida, outra pela aparência e Rika, a nossa querida protagonista, é insone e bastante tímida e introspectiva, sendo até comparada à uma planta por sua apatia. O que faz sentido, já que seu colega de apartamento é um cacto gigante, com o qual ela divide seus sonhos através de um aparelho de realidade virtual, pois ela é incapaz de dormir por traumas de infância envolvendo a sua menstruação. Ela vive isolada e sua maior vontade é matar todos os seres vivos (o que me faz pensar que ela não era a pessoa ideal para ser testada com um anticoncepcional, a menos que seu cacto fálico...) e desenvolveu uma super audição, devido à sua insônia, sendo capaz até de ouvir as plantas. 


Após 48 horas o Myson começa a fazer efeito. A garota comilona se corta e gosta de seu próprio sangue, depois, quando está cozinhando, tem a ideia de fazer uma mão à milanesa (lembrando a cena de Machine Girl). Isto mesmo, ela frita a própria mão e a devora. A garota das aparências começa a se encher de piercings e correntes, culminando em sua morte. A comilona tem o mesmo destino, mas de uma forma ainda mais impactante e absurda: ela corta parte de sua vagina e a come, assim como o mamilo e, para terminar, arranca seu próprio olho com um garfo e o devora.


Eiji, sempre filmando as garotas, finalmente percebe o seu experimento deu merda. A partir daí irão ocorrer uma série de bizarrices surreais que só uma mente oriental insana é capaz de conceber e que nem irei descrever para não atrapalhar a experiência surreal. Soma-se também à trama, a história do pai de Eiji, um cientista com a obsessão da vida eterna, que queria a todo o custo um filho, talvez por pensar como o nosso querido Zé do Caixão, buscando a continuidade do sangue. 


Rika, que aparentemente não havia sofrido com os efeitos do Myson, acaba tendo sua obsessão potencializada pela droga: matar! É o que presenciamos junto com Eiji, quando ambos estão brincando sexualmente no aparelho de realidade virtual. 

À primeira vista, baseado em cenas ou simplesmente no título em inglês que recebeu, Splatter: Naked Blood, imagina-se apenas um filme gore com violência gratuita, no estilo da série Guinea Pig. O gore existe e com bons efeitos práticos, mas também há uma história interessante por trás, o que torna as cenas sangrentas mais justificadas.  


Acredito que o filme trate da incessante busca humana por prazer e felicidade, utilizando-se para isso de drogas como fuga para a realidade. Pode-se fazer um pequeno e tosco paralelo entre o filme e o livro Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, em que as drogas são usadas constantemente como forma de buscar felicidade e evitar frustrações, o que é cada vez mais real. Porém, no filme, a droga tem o poder de potencializar as obsessões ao ponto das pessoas serem devoradas por seus prazeres. 


O alto nível de bizarrices talvez até faça o filme parecer mais profundo e complexo do que seria, de fato, chegando a ser confuso. Apesar disso, o que mais impressiona e realmente vale o filme são as brutais cenas sangrentas, em especial quando a garota está degustando de si mesma, com destaque para a refeição ocular, entre outras coisas .