quinta-feira, 6 de novembro de 2014

El Ataque Del Pene Mutante Del Espacio (Espanha, 2007)

Filme: El Ataque Del Pene Mutante del Espacio / Attack Of The Mutant Dick From Outer Space
Diretor: Dani Moreno
Ano: 2007
País: Espanha
Duração: 25 minutos
Elenco: David Abellán, Maria Lavarta, Dani Moreno

Um aviso antes de iniciar o filme: separem seus óculos 3D feitos de papel e celofane vermelho e azul, pois este é o primeiro filme com a tecnologia 3D Penevision. Então, quando aparecer o aviso de 3D, coloquem seus óculos e gozem!
Dito isso, podemos ir ao filme. 

Um grupo de cientistas está buscando uma cura para as crianças com hipertricose (uma doença rara que cobre de pêlos todo o corpo) e descobrem nos raios gama de um asteróide a solução.

Os três cientistas, dois homens e uma mulher, viajam ao espaço em uma moderna nave, de formato fálico. Depois de uma semana, o Dr. Dickinson não aguenta mais a falta de sexo e vai se aliviar no banheiro com uma revista. Neste instante a nave entra no campo dos raios gama e ele não coloca o capacete para proteger-se da radiação. 
Dickinson começa a derreter e transforma-se em um monstro peniano que expele um suco branco no topo de sua cabeça. Ele ataca a doutora e a derrete (em efeitos stop motion de massa de modelar).


De volta à Terra, o Dr. Pinto ataca mulheres ao ficar maluco vendo seus decotes e, uma a uma, as vai derretendo.
Um exército (de apenas dois soldados) é convocado e preparam uma armadilha no meio da floresta para pegá-lo: colocam um filme pornô em um telão. Rapidamente ele ouve os sons provindos da exibição e morde a isca. 
Para eliminá-lo, é usado um mortal espermicida e contar com bela pontaria do General.





Expressões como "que porra de filme é esse?", "esse filme é do caralho!" ou "que filme cabeça!" nunca antes fizeram tanto sentido.

Este curta espanhol de 24 minutos, feito em preto e branco e com efeitos 3D é uma grande homenagem aos filmes de ficção científica dos anos 50 com seus monstros alienígenas mutantes, tanto que o próprio título já remete à filmes como Plan 9 From Outer Space. É bastante divertido, com vozes forçadas e engraçadas, assim como as toscas atuações. 
Foi produzido pela Chaparra Entertainment, uma produtora independente dirigida por Dani Moreno, que neste curta atua como o General, e cujos principais filmes foram, além deste curta, Amazing Mask, Martians Go Home! e o trashíssimo Brutal Dogo. Também fizeram videoclipes com a temática de filmes B para bandas e editam a revista Amazing Monsters. 





Para assistir:


Making of e apresentação do 3D Penevision:

A banda de grindcore colombiana Absolut Terror fez uma uma música com o nome do filme em sua homenagem.

domingo, 19 de outubro de 2014

Island Of Death (Grécia, 1976)

Filme: Ta Paidia Tou Diavolou / Island Of Death 
Diretor: Nico Mastorakis
Ano: 1976
País: Grécia
Duração: 108 minutos
Elenco: Robert Behling, Jane Lyle, Jessica Dublin
IMDb: 5,1

Christopher e Celia são um feliz casal britânico procurado pela polícia que chegam a uma ilha grega (bem semelhante àquela do Anthropophagous), famosa por suas 365 igrejas. Um local ideal para devotos de deus e, porque não, para umas perversões. Os dois rapidamente se mostram bem à vontade no local, quando Christopher liga para sua mãe, para que ela escute os dois transando em uma cabine telefônica.

Até aí tudo bem, mas a coisa começa a ficar estranha quando Christopher, após ter o pedido de sexo matinal negado por Celia, vai ao pátio e encontra uma cabra. E sim, ele satisfaz suas necessidades com o pobre animal e depois arranca sua cabeça e a joga dentro do poço.



A seguir, em um bar, ele nota que um homem está observando Celia. Christopher o chama para a mesa apresentando Celia como a sua prima. Eles armam para Celia encontrar-se com ele na capela em que ele estava pintando. Enquanto os dois transam, Christopher fica escondido tirando fotos. 

Após feito o serviço, Christopher entra em cena e eles crucificam o pintor ao lado da capela, afinal, consideram o adultério como algo errado. Não bastasse isto, ainda fazem o pintor engolir um balde de tinta (que tá muito mais pra leite). 
Seguindo os ensinamentos do livro sagrado, eles gostam de punir o que consideram perversões. É o que fazem com um casal de homossexuais recém-casados, espertamente registrando tudo com a câmera fotográfica. 


O detetive Foster finalmente os descobre, mas não contava que o casal o estaria esperando no avião. Assim, amarram uma corda no pescoço e dão uma volta com o homem pendurado no avião!

A próxima vítima no processo de limpeza da ilha é uma senhora que gosta de se divertir com homens e também aprecia uma chuvinha dourada. Mas Christopher, após este ato a espanca e a mata brutalmente, mas não tão discretamente, ao decepá-la com uma motoniveladora, mostrando ser um cara bastante versátil e criativo em suas formas de execução. O interessante também é que ele é bastante qualificado, não só sendo capaz de operar um avião, como a motoniveladora. Tudo isto vai sendo registrado em seu diário, sem medo de deixar provas.

Um dia Christopher vai pescar e Celia, sozinha, após ser seguida por dois hippies, é abusada por eles. Mas Chris chega com seu arpão atirando. Este crime desperta o interesse de um escritor, que passa a investigar o casal.
O novo alvo é a atendente de um bar que fica de olho em Celia. As duas vão para casa e a mulher, por ser lésbica e drogada, não pode ser perdoada por Christopher, que a considera uma pecadora. Para puni-la, ele injeta nela um super dose de droga e faz um lança-chamas com uma vela e um spray.


Celia sempre tinha um sonho em que era estuprada por um desconhecido. Até que um dia este sonho se realiza, mostrando que ela previa o futuro! Este homem espanca Chris e o sodomiza e em ato de extremo mal gosto, peida nele e o joga em um poço! Aí já é muito "desrespeido"!

Celia fica feliz com o agressor e de imediato troca Chris por ele quando também descobrimos que os dois eram irmãos! Se não ficou chocado com todas as bizarrices anteriores, isso até vai parecer tranquilo.


Enterrado em cal, Chris vai queimando lentamente quando começa a chover.

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O diretor grego Nico Mastorakis tentou pegar carona no sucesso de O Massacre da Serra Elétrica, lançado dois anos antes, e também quis ganhar uma graninha fazendo um filme violento e polêmico. Para isso ele escreveu o roteiro em uma semana (até que demorou), reunindo uma coleção de cenas que tentam a todo custo ser chocantes,  envolvendo questões relacionadas à zoofilia, homofobia, sexismo, maus tratos com animais, adultério, drogas, ninfomania, incesto, peidos gratuitos(?), além de cenas de nudez e sexo. 

Mas o que mais pode ter insultado as pessoas na época, e contribuído para o filme ser banido, foi que o casal adota os conceitos bíblicos para "limpar" o mundo do que consideram errado, sendo que são eles que realmente fazem as coisas ruins.

De certa forma o diretor conseguiu o que queria, já que o filme ganhou certa fama por entrar na lista das video nasties e sendo banido por muitos anos no Reino Unido e figurando em diversas destas listas de filmes perturbadores ou polêmicos que vemos na internet.  

Já sabendo desta fama do filme, na primeira vez que o vi, esperava algo mais chocante, mas é tudo tão tosco e forçado que chega até a ser engraçado. O orçamento é ridículo e as cenas são mal feitas, que não chegam a ser muito explícitas. Vale para quem gosta de um trash/exploitation, caso contrário, procure outro filme.

Os atores que tiveram um certo destaque foram Robert Behling (Christopher) e Jessica Dublin (Patricia), ambos americanos. Robert também participou de Sem Medo da Morte (1976) e Cujo (1983) e Jessica fez Trinity Ainda é Meu Nome (1971), Re-Juvenator (1988), e até alguns da Troma, como Troma's War (1988), O Vingador Tóxico II e III (1989) e a série Tromaville Café (1997).


Uma lição que podemos tirar com este filme:
Tome cuidado ao visitar ilhas gregas. Se não for devorado por um canibal, pode ser morto por um casal de psicopatas religiosos!

domingo, 3 de agosto de 2014

Splatter: Naked Blood (Japão, 1996)

Filme: Nekeddo burâddo: Megyaku / Splatter: Naked Blood
Diretor: Hisayasu Satô
Ano: 1996
País: Japão
Duração: 76 minutos
Elenco: Misa Aika, Yumika Hayashi, Mika Kirihara

Eiji é um jovem mimado metido a cientista que, sabe-se lá como, desenvolve uma droga que ele batiza de Myson, um líquido azul que traria às pessoas o sentimento de calma de um céu azul ou do mar calmo, acabando com o sofrimento e trazendo felicidade. Sua mãe, também cientista, está trabalhando em seu anticoncepcional, o qual ela julga ser uma forma de salvar o mundo. Eiji vai até a clínica e injeta a sua droga no anticoncepcional, que seria testado em três mulheres.


Cada uma das garotas tem uma personalidade específica: uma é obcecada por comida, outra pela aparência e Rika, a nossa querida protagonista, é insone e bastante tímida e introspectiva, sendo até comparada à uma planta por sua apatia. O que faz sentido, já que seu colega de apartamento é um cacto gigante, com o qual ela divide seus sonhos através de um aparelho de realidade virtual, pois ela é incapaz de dormir por traumas de infância envolvendo a sua menstruação. Ela vive isolada e sua maior vontade é matar todos os seres vivos (o que me faz pensar que ela não era a pessoa ideal para ser testada com um anticoncepcional, a menos que seu cacto fálico...) e desenvolveu uma super audição, devido à sua insônia, sendo capaz até de ouvir as plantas. 


Após 48 horas o Myson começa a fazer efeito. A garota comilona se corta e gosta de seu próprio sangue, depois, quando está cozinhando, tem a ideia de fazer uma mão à milanesa (lembrando a cena de Machine Girl). Isto mesmo, ela frita a própria mão e a devora. A garota das aparências começa a se encher de piercings e correntes, culminando em sua morte. A comilona tem o mesmo destino, mas de uma forma ainda mais impactante e absurda: ela corta parte de sua vagina e a come, assim como o mamilo e, para terminar, arranca seu próprio olho com um garfo e o devora.


Eiji, sempre filmando as garotas, finalmente percebe o seu experimento deu merda. A partir daí irão ocorrer uma série de bizarrices surreais que só uma mente oriental insana é capaz de conceber e que nem irei descrever para não atrapalhar a experiência surreal. Soma-se também à trama, a história do pai de Eiji, um cientista com a obsessão da vida eterna, que queria a todo o custo um filho, talvez por pensar como o nosso querido Zé do Caixão, buscando a continuidade do sangue. 


Rika, que aparentemente não havia sofrido com os efeitos do Myson, acaba tendo sua obsessão potencializada pela droga: matar! É o que presenciamos junto com Eiji, quando ambos estão brincando sexualmente no aparelho de realidade virtual. 

À primeira vista, baseado em cenas ou simplesmente no título em inglês que recebeu, Splatter: Naked Blood, imagina-se apenas um filme gore com violência gratuita, no estilo da série Guinea Pig. O gore existe e com bons efeitos práticos, mas também há uma história interessante por trás, o que torna as cenas sangrentas mais justificadas.  


Acredito que o filme trate da incessante busca humana por prazer e felicidade, utilizando-se para isso de drogas como fuga para a realidade. Pode-se fazer um pequeno e tosco paralelo entre o filme e o livro Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, em que as drogas são usadas constantemente como forma de buscar felicidade e evitar frustrações, o que é cada vez mais real. Porém, no filme, a droga tem o poder de potencializar as obsessões ao ponto das pessoas serem devoradas por seus prazeres. 


O alto nível de bizarrices talvez até faça o filme parecer mais profundo e complexo do que seria, de fato, chegando a ser confuso. Apesar disso, o que mais impressiona e realmente vale o filme são as brutais cenas sangrentas, em especial quando a garota está degustando de si mesma, com destaque para a refeição ocular, entre outras coisas . 

domingo, 27 de julho de 2014

Bagman: Profession Meurtier (Canadá, 2004)

Filme: Le Bagman - Profession: Meurtrier
Diretor: Jonathan Prévost, François Simard, Anouk Whissell
Ano: 2004
País: Canadá
Duração: 19 minutos
Elenco: Alain Bakayoko, Jimmy Beaudoin, Dave Bellerive, Jonathan Prévost, François Simard, Anouk Whissell
IMDb: 7,4

Um misterioso homem com um saco de pão na cabeça chamado Bagman sem motivo aparente, aparece e mata a todos que cruzam o seu caminho, afinal, esta é a sua profissão. E na tarefa de matar, o nosso "herói" não poupa esforços e usa seu vasto repertório de técnicas e armas para atingir este nobre objetivo, sem para isto, (quase nunca) usar armas de fogo. Ele dá o ar da sua graça após seu nome ser pronunciado três vezes (e nem precisa ser em frente ao espelho). 

A história começa em uma casa, após um aparente massacre, quando um dos sobreviventes chama uma garota escondida pensando que tudo tinha terminado. Tolo. Neste momento Bagman aparece com seu facão e corta o braço do sujeito (num efeito bem tosco) e em seguida, com mais um golpe divide a cabeça de sua vítima (em outro efeito bem tosco). A garota que estava escondida (nem tanto), por algum motivo consegue escapar. Este início não é tão bom quanto o que virá a seguir, portanto, não desista ainda.
Enquanto foge, ela é atropelada por uns gângsters e, após se recuperar, conta sobre o assassino mascarado implorando para que não mencionem o seu nome três vezes. Nada esperta ela. Bagman chega e começa o show! São chamados reforços para contê-lo, o que só faz jorrar mais sangue e aumentar a pilha de corpos.  Somente seus dois últimos oponentes lhe dão maior trabalho: uma atiradora de dardos e o chefão da gangue.





Seu arsenal de ferramentas, que ele tira de sua capa, além do já usado facão, é composto por duas machadinhas, que acabam parando nas nádegas de um de seus desafiantes; uma marreta;  facas; as próprias mãos para esmagar crânios ou arrancar testículos; ele também nos mostra novas utilidades para um guarda-chuva e ainda improvisa usando as tripas alheias como armas. 
Fica claro o baixo orçamento da produção, estimado em $ 2000 dinheiros canadenses, quando se nota o uso de bonecos, máscaras, bolsas de sangue nas mortes, mas que é compensado com muita criatividade, passagens cômicas, alguns clichês clássicos e uma incrível sequência de mortes que resulta em maior diversão do que muitos longas de maior orçamento. 



Bagman fez bastante sucesso na internet, onde era possível ver todo o curta no Youtube. O curta foi produzido pela Road Kill Superstar em 2004, inspirado em um personagem de uma história em quadrinhos criada por François e Anouk, dupla esta que também havia produzido um curta sobre o mascarado, chamado Bagman 2001. Acredito que uma das grandes inspirações foram os clássicos assassinos mascarados dos filmes slasher.
A Road Kill Superstar é um coletivo canadense de Quebec, formado em 2002 e composto por amigos que produzem curtas sangrentos, divertidos e de baixo orçamento, baseados no filmes trash/gore/exploitation dos anos 70 e 80, com grande influência da Troma e Peter Jackson do início. A equipe surgiu pequena, fundada por François Simard, Anouk Whissell e Jonathan Prévost, e depois também Yoann-Karl Whissell, estes que participam de diversas funções nas produções, incluindo a direção, além de serem atores recorrentes em seus curtas. 



Seu primeiro filme foi 2 Morts, de 2002, em seguida veio Bagman: Profession Meurtier, seu maior sucesso.
Outros curtas produzidos pela RKSS foram Chez Tony Spaghetti, Itsy Bitsy Grampy, La Roue Faucheuse, A Winner Is You, Total Fury, Kalashnipot e T Is For Turbo, curta que foi um dos mais votados para integrar a antologia The ABC's of Death, mas não chegou a ser o vencedor.  Também fizeram Red Head Red Dead, Ninja Eliminator I e II, que são espécies de trailers falsos no estilo dos grindhouse.
Devido ao sucesso de Bagman, a equipe chegou a ser convidada para trabalhar com Lloyd Kaufman no filme Poultrygeist, onde desenvolveram os storyboards e auxiliaram nos efeitos especiais.




Quem gosta de trash e gore já deve conhecer este curta, além de outros da produtora. Caso contrário, tem a obrigação de assistir esta viciante e divertida carnificina. Se tiver 20 minutos sobrando e quiser que sejam bem aproveitados, veja ou reveja Bagman!
Posso dizer que foi um dos filmes que me motivou a criar o blog e escrever sobre filmes trash, e já estava na hora de escrever algo sobre ele.

Todo curta está disponível no Vimeo da RKSS:


E também vale a pena conferir o making off:

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Pink Flamingos (EUA, 1972)

Filme: Pink Flamingos
Diretor: John Waters
Ano: 1972
País: Estados Unidos
Duração: 93 minutos
Elenco: Divine, David Lochary, Mary Vivian Pearce
IMDb: 6,1


Após ser considerada por um jornal sensacionalista a pessoa mais asquerosa do mundo, Divine é obrigada a se refugiar em um trailer com sua família, agora adotando o nome de Babs Johnson. Ela vive com seu filho delinquente, Crackers; a mãe doente mental, Miss Edie, que fica seminua em um cercadinho de bebê e é maluca por ovos; e a sua colega de viagens, Cotton, que adora espiar as transas de Crackers.


O casal Raymong e Connie Marble invejam Divine e brigam pelo posto de pessoas mais asquerosas do mundo. Para isso eles se esforçam bastante, mantendo mulheres em cativeiro que são fecundadas pelo seu criado, para vender os bebês à casais de lésbicas; tem lojas de pornografia e negócios com traficantes que atuam em escolas. 

Para demonstrar o nível deste pessoal, Divine tem o hábito de comprar carne e passear conservando-a entre as pernas. Enquanto isso, Raymond desfila faceiro com uma linguiça amarrada à sua linguiça, assustando as mulheres que vê pelo caminho, isso até não ser surpreendido por um transexual que responde mostrando-lhe o que tem debaixo da saia. 
O casal Marble busca por informações sobre Divine e para isso contratam uma espiã, que consegue um encontro com Crackers. Mas ela não imagina pelo o que a aguarda. Crackers a leva para o galinheiro e lá eles transam com uma galinha esperneando e sendo esmagada entre eles.


Já sabendo o endereço de Divine, mandam um belo presente a ela: uma caixa com merda! Como é aniversário de Divine, temos uma festinha com um show de bizarrices. Divine ganha lindos presentes como um cutelo, uma cabeça de porco e, para animar a festinha, música ao vivo e artistas performáticos, como uma mulher seminua dançando com uma cobra ou um homem que indescritivelmente acompanha a música com seus lábios anais! É ver pra crer! Os Marble ficam escondidos assistindo enfurecidos de inveja e chamam a polícia. A polícia chega, mas isso não é problema para a turma de Divine, que retalha e devora os policiais.


Divine e Crackers vão à casa dos Marble se vingarem. Eles lambem tudo na casa espalhando seus germes. Para aumentar a nojeira, Divine abocanha o bilau do filho. Enquanto isso, os Marble aproveitam para incendiar o trailer, mas, quando voltam para casa, são capturados e passam por um julgamento hilário em frente às câmeras da imprensa.

Naturalmente os Marble são julgados e sentenciados, não restando dúvidas de quem são os mais asquerosos do mundo! Divine não se acomoda com o posto e termina o filme em grande estilo comendo uma deliciosa e ainda quentinha merda de cachorro. E sim, ela comeu merda mesmo!

Fazendo uma boquinha

Pink Flamingos, de John Waters, é um clássico underground que transgride os valores morais do cinema e da sociedade tradicional americana. Uma obra-prima da contracultura, subversão e escatologia que tenta de várias maneiras chocar mas mantendo boas doses de humor negro. Vejamos algumas das coisas que aparecem por aqui: coprofagia, canibalismo, zoofilia, incesto, sequestro, tráfico de bebês, enfim, diversão para toda a família. Ao invés do belo, heroico e correto, temos o sujo, o asqueroso, o degradante e tudo que há de mau gosto. Uma gozação com a decadente comunidade hippie, pouco depois do julgamento de Charles Manson e sua turma, tanto que em certo momento é visto a pichação com os dizeres "Free Tex Watson", este que era um dos integrantes do grupo de Manson responsável pelos assassinatos. O filme ainda pode ser visto como uma sátira àqueles que fazem o que for necessário por fama, sendo produto para a imprensa sensacionalista. 



Sobre a última cena, em que Divine come as fezes do cachorro, Waters admite que foi apenas para chocar, pois, segundo ele, muitas coisas que não são ilegais podem ser chocantes. E isto é mostrado muito bem em Pink Flamingos. Lendo algumas críticas sobre o filme, vi que várias pessoas se ofendem mais com cenas de escatologia como esta, do que propriamente com os assassinatos que são realizados. Certa vez o diretor foi exibir o filme em uma prisão e foi acusado pelos detentos de tarado e pervertido, sendo que ironicamente eles eram estupradores ou assassinos.

Há também aqueles que se inspiram no filme e o diretor responde da seguinte forma:  "Às vezes as pessoas me escrevem e dizem que eu dei a elas coragem para fazer algo que eu provavelmente diria a elas para não fazer. Você tem que lembrar: são fantasias. Eu escrevo roteiros, eu não faço essas coisas.".

Com o pequeno orçamento de $ 10.000, John Waters, com 100 dólares conseguiu comprar o trailer em um ferro-velho e teve que puxar cabos de eletricidade por longas distâncias. Ele alugou ilegalmente o equipamento de filmagem de um canal de TV e ele mesmo filmou, talvez isto justifique a câmera amadora e cheia de zooms que vão e voltam, tecnicamente transgredindo os padrões do cinema de Hollywood.

O filme fez sucesso entre os Midnight Movies, filmes undergrounds da década de 70 que eram exibidos à meia noite (mesmo?), pois não tinham espaço no circuito tradicional. Pink Flamingos chegou a ficar em cartaz por um ano. Outros filmes que se destacaram naquelas exibições foram Eraserhead de David Lynch, El Topo de Alejandro Jodorovski, The Rocky Horror Picture Show de Jim Sharman e A Noite dos Mortos Vivos, de George Romero.
A trilha sonora é um espetáculo à parte, repleta de rockabilly e surf music dos anos 50 e 60 contrastando com as cenas grotescas de Divine e sua turma. Alguns dos nomes que integram a trilha sonora são Link Wray And His Ray Men, The Centurians, Lavern Baker, Little Richard, Bill Haley & His Comets, The Trashmen, entre outros. Esta trilha foi lançada em CD e vale a pena ir atrás dela, certamente algumas músicas terão outro gostinho ao serem ouvidas novamente.

Divine, a Drag Queen mais famosa e diva do cinema underground, fez vários filmes em parceria com John Waters. Sua primeira aparição foi em Roman Candles, de 1966, depois vieram Eat Your Makeup (1968), Mondo Trasho (1969), The Diane Linkletter Story (1970), Multiple Maniacs (1970), Female Trouble (1974), Polyester (1981), e Hairspray, de 1988, um de seus últimos filmes antes de falecer no mesmo ano com apenas 42 anos de idade.
Além de Divine, vários outros atores eram presença constante nos filmes de Waters, como o casal Marble (David Lochary e Mink Stole), Edie (Edith Massey) e Cotton (Mary Vivian Pearce).


John Waters, assim como Ed Wood, é considerado um dos diretores que mais representa o trash. Se formos analisar apenas suas maiores obras, Plan 9 From Outer Space e Pink Flamingos, pode-se notar que Ed Wood tentava e achava estar fazendo uma verdadeira obra de arte, mas que involuntariamente se torna trash por todos os seus defeitos. Já John Waters, sabe de suas limitações e faz propositalmente um filme o mais bizarro possível, sem se levar à sério e como um exercício de mau gosto, segundo o próprio. Isto nos prova como o trash pode ser algo abrangente.


Inspirado nas invenções de William Castle, Waters desenvolveu para os filmes Polyester (1981) e Female Trouble (1974), o odorama, um cartão onde os espectadores podiam interagir com o filme, sentindo os cheiros que os personagens sentiam.

Merecidamente, Pink Flamingos é citado no livro 1001 Filmes para ver antes de morrer, de Steven Jay Schneider.

Enfim, Pink Flamingos definitivamente não é um filme para todos, é preciso ter a mente aberta, não ser facilmente ofendido, não levá-lo tão à sério e talvez ter um pouco de estômago.

E para terminar, uma frase de John Waters:
“Para mim, mau gosto tem tudo a ver com entretenimento. Se alguém vomita assistindo algum dos meus filmes, é como ser ovacionado em pé.“.



quinta-feira, 19 de junho de 2014

The Abomination (EUA, 1986)

Filme: The Abomination
Diretor: Bret McCormick (como Max Raven)
Ano: 1986
País: Estados Unidos
Duração: 100 minutos
Elenco: Scott Davis, Jude Johnson, Blue Thompson 
IMDb: 3,7


Logo nos primeiros minutos, são apresentados cenas da carnificina que está por vir, praticamente contando todo o filme. Tudo isso era um pesadelo de Coby e ele começa contar ao médico o que acontece nos seus pesadelos.

Cody vive com sua mãe doente que é viciada em programas televisivos de pregadores que exigem dinheiro dos fiéis, que lembram muito os programas que vemos atualmente na televisão em certos canais brasileiros. Ela acredita em tudo o que o irmão Fogg fala e, após uma prece em que coloca as mãos na TV, parece receber um tumor diretamente do aparelho.

Ela cospe o tumor e o joga no lixo, mas à noite o mesmo vai rastejando até o quarto de Cody e entra em sua boca enquanto ele dorme. Cody começa a passar mal, tossir e cuspir sangue, como se tivesse algo dentro dele, e não é que tinha mesmo?! Até que ele consegue expelir o tumor e, muito higienicamente, o deixa debaixo da cama. Imediatamente Cody se transforma e se torna possuído pelo tumor demoníaco que quer alimento, mas é folgado demais para ir procurar por si mesmo. Podemos facilmente notar quando está possuído quando está usando óculos escuros. Ele vai até a casa de sua amiga para matá-la, depois a deixa debaixo de sua cama e dorme tranquilamente. 

No dia seguinte, sem lembrar do ocorrido, se depara com um esqueleto ensanguentado debaixo da cama e percebe que o tumor cresceu e se transformou num monstro sedento por sangue. Mas a cada tossida de Cody, um novo tumor pulsante é expelido. Para alimentar sua nova família esfomeada, ele vai matar todos os seus conhecidos. Mata o seu amigo, e oferece a própria mãe para ser devorada. Seu chefe também não escapa e é morto tendo a cabeça serrada por uma motosserra, deixando escorrer seu cérebro melequento.



Cody também faz uma visita ao irmão Fogg. Ele entra escondido e deixa uma surpresa dentro de seu vaso sanitário: um dos seus tumores recém cuspidos e um gato. Sim, o tumor precisa se alimentar para crescer forte e saudável. Assim, quando o irmão Fogg vai "aos pés", o gigante tumor dentado (que não sei como ficou escondido na privada), literamente come a bunda do impostor Fogg.


Por fim, com sua casa transformada em um açougue, cheio de pedaços humanos e sangue por todo lado, sua namorada aparece para ver o que está acontecendo. Ela consegue atingí-lo com uma pá, mas aqui não temos heróis e ela é pega pela língua tentacular da asquerosa e tosca abominação cancerígena. 



Cody, em seu estado normal, trata tudo como um terrível pesadelo, mas talvez o pesadelo seja mais real do que ele imagina....



The Abomination é uma excelente e profunda análise psicológica de um assassino em série. Nada disso, é um filme tosco de doer, sem nenhum orçamento, resultando num divertido e sangrento filme trash, cheio de gore, nojeiras e jatos de sangue. Mesmo assim, podemos ver uma crítica ao fanatismo religioso e à cegueira e intolerância que isto pode causar, além de pastores que enriquecem se aproveitando destas pessoas. Cody não passa de um fiel cego que realiza todos os pedidos do seu tumor assassino. Enfim, são muitas análises que podem ser feitas deste filme complexo e filosófico.

Se por um lado os cinco minutos iniciais, que são uma espécie de melhores momentos do filme, são uma garantia de sanguinolência que está por vir, pelo mesmo motivo já acabamos sabendo basicamente todo o filme, só esperando pelas tais cenas.

O filme foi diretamente distribuído para vídeo, o que não é de se admirar, visto o orçamento praticamente inexistente e foi escrito e dirigido por Bret McCormick. Os efeitos são baratos e até funcionam bem (dentro do universo trash), as atuações são ótimas, também trashicamente falando, e o roteiro, bem... é um tumor assassino, oras!


O monstro do filme lembra levemente a planta carnívora da Loja dos Horrores (1960), de Roger Corman, em que seu dono precisa levar pessoas para alimentar a planta.

Quem quiser o filme para download, dê uma conferida no blog The Horror Trash.

domingo, 1 de junho de 2014

Feto Morto (Brasil, 2003)

Filme: Feto Morto
Diretor: Fernando Rick
Ano: 2003
País: Brasil
Duração: 58 minutos
Elenco: Di Babinski, Jajá, Paloma, Leandro, Zenom Gordo e Denise V.
IMDb: 3,1


João é um garoto como qualquer outro, mas com uma diferença. Ele nasceu com uma boneca, digo, um feto morto na cabeça, resultado de uma relação incestuosa que seu pai teve com a irmã. Ele têm problemas com um trio da pesada, liderado por Satan, que costuma passear pelas ruas espancando mães e pisando na cabeça de seus bebês, cortando as bolas e fazendo o seu dono engoli-las, matando deficientes, esfaqueando e queimando mendigos, entre outras atrocidades.  

Finalmente João, o nosso querido nerd perdedor e deformado, consegue um encontro com uma garota. A moça tem hábitos distintos de lamber o próprio absorvente ensanguentado, e se excita quando João vomita nela. Para saciá-la, ele apela para as divindades, ou seja, enfia uma estátua de santo nela.




Ainda tirando sarro da religião, vemos um padre pedindo dinheiro aos fiéis e o mesmo cheirando uma carreira de cocaína em nome de Jesus e queimando a bíblia.

João costuma apanhar do pai, até o dia em que decide se vingar envenenando a cerveja dele. Ele então foge de casa e vai encarar os perigos da cidade grande, mas é obrigado e passar a noite na rua, onde acaba mutilando um mendigo que o importuna. Cansado de só se dar mal, João faz macumba invocando o Exu, com quem faz um pacto. 


Com o Exu, João treina karatê até ficar pronto para enfrentar o trio perverso. Após facilmente surrar o casal de capangas de Satan, tem um luta disputada e coreografada com o chefão, até finalmente explodir sua cabeça com uma dinamite ACME. 

Como prêmio merecido, ele conquista uma garota (Denise V), que chega lhe mostrando os peitos e com quem têm um filho. Então temos um final a lá Nekromantik, com o bebê tarado se excitando com a mãe, que desfila pela casa com os peitos de fora, e ejaculando sangue.


Feto Morto é um filme é trash, divertido, com violência e nudez gratuitas, gore, humor negro, desmembramentos, escatologia e bizarrices de sobra e é totalmente politicamente incorreto, atirando contra todos os lados. No melhor estilo da Troma, ou pra ser mais próximo, da nacional Canibal Filmes.


Um filme feito à base de cerveja com os amigos e muito improviso, já que no quinto dia de gravação, o roteiro foi perdido. As gravações duraram um ano e as cenas iam sendo inventadas uma semana antes e os diálogos saindo no improviso. E no fim, ficou melhor que o planejado, segundo o próprio diretor. Tudo isso ao som de muito death metal/gore/grind, dando espaço para bandas nacionais, como podemos conferir durante a exibição do filme.
Feto Morto acabou se tornando um filme cult no circuíto nacional independente, sendo exibido em diversos bares e festas.

O filme foi dirigido por Fernando Rick em 2003, um ano após Rubão - O Canibal, o primeiro filme de sua produtora, a Black Vomit Filmes, fundada em 2000. Feto Morto foi lançado em 2003 e, além do formato em VHS, foi o primeiro filme de uma produtora independente a sair em DVD. 

Ainda temos a ilustre presença de Denise V, que fez vários filmes de horror independente, como Blerghhh! (1996) e Zombio (1999), da Canibal Filmes.

Depois de Feto Morto, Fernando dirigiu o curta Coleção de Humanos Mortos, que fez parte da antologia 3 Cortes, com uma proposta menos trash e mais como um horror sério e realista. Ele também dirigiu documentários de bandas de hardcore, como o excelente Guidable - A Verdadeira História do Ratos de Porão e Desagradável, um documentário sobre a banda Gangrena Gasosa. Também produziu o videoclipe Pedra, do Mukeka di Rato e Covardia de Plantão, do Ratos de Porão, entre outros. Ainda fez um curta de drama, chamado Ivan.

Rick também participou do programa Trash - A Série, do Canal Brasil, onde são entrevistados os principais nomes do cinema independente nacional, como Petter Baiestorf, Gurcius Gewdner, Kapel Furman, Felipe M. Guerra, Joel Caetano, Rodrigo Aragão, Pepa, entre outros. Vale a pena dar uma conferida!


O blog já tem mais de um ano e era realmente uma falha não ter postado ainda nenhum filme brasileiro. E Feto Morto é um bom representante do trash/gore nacional. Em breve virão outros.