domingo, 27 de julho de 2014

Bagman: Profession Meurtier (Canadá, 2004)

Filme: Le Bagman - Profession: Meurtrier
Diretor: Jonathan Prévost, François Simard, Anouk Whissell
Ano: 2004
País: Canadá
Duração: 19 minutos
Elenco: Alain Bakayoko, Jimmy Beaudoin, Dave Bellerive, Jonathan Prévost, François Simard, Anouk Whissell
IMDb: 7,4

Um misterioso homem com um saco de pão na cabeça chamado Bagman sem motivo aparente, aparece e mata a todos que cruzam o seu caminho, afinal, esta é a sua profissão. E na tarefa de matar, o nosso "herói" não poupa esforços e usa seu vasto repertório de técnicas e armas para atingir este nobre objetivo, sem para isto, (quase nunca) usar armas de fogo. Ele dá o ar da sua graça após seu nome ser pronunciado três vezes (e nem precisa ser em frente ao espelho). 

A história começa em uma casa, após um aparente massacre, quando um dos sobreviventes chama uma garota escondida pensando que tudo tinha terminado. Tolo. Neste momento Bagman aparece com seu facão e corta o braço do sujeito (num efeito bem tosco) e em seguida, com mais um golpe divide a cabeça de sua vítima (em outro efeito bem tosco). A garota que estava escondida (nem tanto), por algum motivo consegue escapar. Este início não é tão bom quanto o que virá a seguir, portanto, não desista ainda.
Enquanto foge, ela é atropelada por uns gângsters e, após se recuperar, conta sobre o assassino mascarado implorando para que não mencionem o seu nome três vezes. Nada esperta ela. Bagman chega e começa o show! São chamados reforços para contê-lo, o que só faz jorrar mais sangue e aumentar a pilha de corpos.  Somente seus dois últimos oponentes lhe dão maior trabalho: uma atiradora de dardos e o chefão da gangue.





Seu arsenal de ferramentas, que ele tira de sua capa, além do já usado facão, é composto por duas machadinhas, que acabam parando nas nádegas de um de seus desafiantes; uma marreta;  facas; as próprias mãos para esmagar crânios ou arrancar testículos; ele também nos mostra novas utilidades para um guarda-chuva e ainda improvisa usando as tripas alheias como armas. 
Fica claro o baixo orçamento da produção, estimado em $ 2000 dinheiros canadenses, quando se nota o uso de bonecos, máscaras, bolsas de sangue nas mortes, mas que é compensado com muita criatividade, passagens cômicas, alguns clichês clássicos e uma incrível sequência de mortes que resulta em maior diversão do que muitos longas de maior orçamento. 



Bagman fez bastante sucesso na internet, onde era possível ver todo o curta no Youtube. O curta foi produzido pela Road Kill Superstar em 2004, inspirado em um personagem de uma história em quadrinhos criada por François e Anouk, dupla esta que também havia produzido um curta sobre o mascarado, chamado Bagman 2001. Acredito que uma das grandes inspirações foram os clássicos assassinos mascarados dos filmes slasher.
A Road Kill Superstar é um coletivo canadense de Quebec, formado em 2002 e composto por amigos que produzem curtas sangrentos, divertidos e de baixo orçamento, baseados no filmes trash/gore/exploitation dos anos 70 e 80, com grande influência da Troma e Peter Jackson do início. A equipe surgiu pequena, fundada por François Simard, Anouk Whissell e Jonathan Prévost, e depois também Yoann-Karl Whissell, estes que participam de diversas funções nas produções, incluindo a direção, além de serem atores recorrentes em seus curtas. 



Seu primeiro filme foi 2 Morts, de 2002, em seguida veio Bagman: Profession Meurtier, seu maior sucesso.
Outros curtas produzidos pela RKSS foram Chez Tony Spaghetti, Itsy Bitsy Grampy, La Roue Faucheuse, A Winner Is You, Total Fury, Kalashnipot e T Is For Turbo, curta que foi um dos mais votados para integrar a antologia The ABC's of Death, mas não chegou a ser o vencedor.  Também fizeram Red Head Red Dead, Ninja Eliminator I e II, que são espécies de trailers falsos no estilo dos grindhouse.
Devido ao sucesso de Bagman, a equipe chegou a ser convidada para trabalhar com Lloyd Kaufman no filme Poultrygeist, onde desenvolveram os storyboards e auxiliaram nos efeitos especiais.




Quem gosta de trash e gore já deve conhecer este curta, além de outros da produtora. Caso contrário, tem a obrigação de assistir esta viciante e divertida carnificina. Se tiver 20 minutos sobrando e quiser que sejam bem aproveitados, veja ou reveja Bagman!
Posso dizer que foi um dos filmes que me motivou a criar o blog e escrever sobre filmes trash, e já estava na hora de escrever algo sobre ele.

Todo curta está disponível no Vimeo da RKSS:


E também vale a pena conferir o making off:

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Pink Flamingos (EUA, 1972)

Filme: Pink Flamingos
Diretor: John Waters
Ano: 1972
País: Estados Unidos
Duração: 93 minutos
Elenco: Divine, David Lochary, Mary Vivian Pearce
IMDb: 6,1


Após ser considerada por um jornal sensacionalista a pessoa mais asquerosa do mundo, Divine é obrigada a se refugiar em um trailer com sua família, agora adotando o nome de Babs Johnson. Ela vive com seu filho delinquente, Crackers; a mãe doente mental, Miss Edie, que fica seminua em um cercadinho de bebê e é maluca por ovos; e a sua colega de viagens, Cotton, que adora espiar as transas de Crackers.


O casal Raymong e Connie Marble invejam Divine e brigam pelo posto de pessoas mais asquerosas do mundo. Para isso eles se esforçam bastante, mantendo mulheres em cativeiro que são fecundadas pelo seu criado, para vender os bebês à casais de lésbicas; tem lojas de pornografia e negócios com traficantes que atuam em escolas. 

Para demonstrar o nível deste pessoal, Divine tem o hábito de comprar carne e passear conservando-a entre as pernas. Enquanto isso, Raymond desfila faceiro com uma linguiça amarrada à sua linguiça, assustando as mulheres que vê pelo caminho, isso até não ser surpreendido por um transexual que responde mostrando-lhe o que tem debaixo da saia. 
O casal Marble busca por informações sobre Divine e para isso contratam uma espiã, que consegue um encontro com Crackers. Mas ela não imagina pelo o que a aguarda. Crackers a leva para o galinheiro e lá eles transam com uma galinha esperneando e sendo esmagada entre eles.


Já sabendo o endereço de Divine, mandam um belo presente a ela: uma caixa com merda! Como é aniversário de Divine, temos uma festinha com um show de bizarrices. Divine ganha lindos presentes como um cutelo, uma cabeça de porco e, para animar a festinha, música ao vivo e artistas performáticos, como uma mulher seminua dançando com uma cobra ou um homem que indescritivelmente acompanha a música com seus lábios anais! É ver pra crer! Os Marble ficam escondidos assistindo enfurecidos de inveja e chamam a polícia. A polícia chega, mas isso não é problema para a turma de Divine, que retalha e devora os policiais.


Divine e Crackers vão à casa dos Marble se vingarem. Eles lambem tudo na casa espalhando seus germes. Para aumentar a nojeira, Divine abocanha o bilau do filho. Enquanto isso, os Marble aproveitam para incendiar o trailer, mas, quando voltam para casa, são capturados e passam por um julgamento hilário em frente às câmeras da imprensa.

Naturalmente os Marble são julgados e sentenciados, não restando dúvidas de quem são os mais asquerosos do mundo! Divine não se acomoda com o posto e termina o filme em grande estilo comendo uma deliciosa e ainda quentinha merda de cachorro. E sim, ela comeu merda mesmo!

Fazendo uma boquinha

Pink Flamingos, de John Waters, é um clássico underground que transgride os valores morais do cinema e da sociedade tradicional americana. Uma obra-prima da contracultura, subversão e escatologia que tenta de várias maneiras chocar mas mantendo boas doses de humor negro. Vejamos algumas das coisas que aparecem por aqui: coprofagia, canibalismo, zoofilia, incesto, sequestro, tráfico de bebês, enfim, diversão para toda a família. Ao invés do belo, heroico e correto, temos o sujo, o asqueroso, o degradante e tudo que há de mau gosto. Uma gozação com a decadente comunidade hippie, pouco depois do julgamento de Charles Manson e sua turma, tanto que em certo momento é visto a pichação com os dizeres "Free Tex Watson", este que era um dos integrantes do grupo de Manson responsável pelos assassinatos. O filme ainda pode ser visto como uma sátira àqueles que fazem o que for necessário por fama, sendo produto para a imprensa sensacionalista. 



Sobre a última cena, em que Divine come as fezes do cachorro, Waters admite que foi apenas para chocar, pois, segundo ele, muitas coisas que não são ilegais podem ser chocantes. E isto é mostrado muito bem em Pink Flamingos. Lendo algumas críticas sobre o filme, vi que várias pessoas se ofendem mais com cenas de escatologia como esta, do que propriamente com os assassinatos que são realizados. Certa vez o diretor foi exibir o filme em uma prisão e foi acusado pelos detentos de tarado e pervertido, sendo que ironicamente eles eram estupradores ou assassinos.

Há também aqueles que se inspiram no filme e o diretor responde da seguinte forma:  "Às vezes as pessoas me escrevem e dizem que eu dei a elas coragem para fazer algo que eu provavelmente diria a elas para não fazer. Você tem que lembrar: são fantasias. Eu escrevo roteiros, eu não faço essas coisas.".

Com o pequeno orçamento de $ 10.000, John Waters, com 100 dólares conseguiu comprar o trailer em um ferro-velho e teve que puxar cabos de eletricidade por longas distâncias. Ele alugou ilegalmente o equipamento de filmagem de um canal de TV e ele mesmo filmou, talvez isto justifique a câmera amadora e cheia de zooms que vão e voltam, tecnicamente transgredindo os padrões do cinema de Hollywood.

O filme fez sucesso entre os Midnight Movies, filmes undergrounds da década de 70 que eram exibidos à meia noite (mesmo?), pois não tinham espaço no circuito tradicional. Pink Flamingos chegou a ficar em cartaz por um ano. Outros filmes que se destacaram naquelas exibições foram Eraserhead de David Lynch, El Topo de Alejandro Jodorovski, The Rocky Horror Picture Show de Jim Sharman e A Noite dos Mortos Vivos, de George Romero.
A trilha sonora é um espetáculo à parte, repleta de rockabilly e surf music dos anos 50 e 60 contrastando com as cenas grotescas de Divine e sua turma. Alguns dos nomes que integram a trilha sonora são Link Wray And His Ray Men, The Centurians, Lavern Baker, Little Richard, Bill Haley & His Comets, The Trashmen, entre outros. Esta trilha foi lançada em CD e vale a pena ir atrás dela, certamente algumas músicas terão outro gostinho ao serem ouvidas novamente.

Divine, a Drag Queen mais famosa e diva do cinema underground, fez vários filmes em parceria com John Waters. Sua primeira aparição foi em Roman Candles, de 1966, depois vieram Eat Your Makeup (1968), Mondo Trasho (1969), The Diane Linkletter Story (1970), Multiple Maniacs (1970), Female Trouble (1974), Polyester (1981), e Hairspray, de 1988, um de seus últimos filmes antes de falecer no mesmo ano com apenas 42 anos de idade.
Além de Divine, vários outros atores eram presença constante nos filmes de Waters, como o casal Marble (David Lochary e Mink Stole), Edie (Edith Massey) e Cotton (Mary Vivian Pearce).


John Waters, assim como Ed Wood, é considerado um dos diretores que mais representa o trash. Se formos analisar apenas suas maiores obras, Plan 9 From Outer Space e Pink Flamingos, pode-se notar que Ed Wood tentava e achava estar fazendo uma verdadeira obra de arte, mas que involuntariamente se torna trash por todos os seus defeitos. Já John Waters, sabe de suas limitações e faz propositalmente um filme o mais bizarro possível, sem se levar à sério e como um exercício de mau gosto, segundo o próprio. Isto nos prova como o trash pode ser algo abrangente.


Inspirado nas invenções de William Castle, Waters desenvolveu para os filmes Polyester (1981) e Female Trouble (1974), o odorama, um cartão onde os espectadores podiam interagir com o filme, sentindo os cheiros que os personagens sentiam.

Merecidamente, Pink Flamingos é citado no livro 1001 Filmes para ver antes de morrer, de Steven Jay Schneider.

Enfim, Pink Flamingos definitivamente não é um filme para todos, é preciso ter a mente aberta, não ser facilmente ofendido, não levá-lo tão à sério e talvez ter um pouco de estômago.

E para terminar, uma frase de John Waters:
“Para mim, mau gosto tem tudo a ver com entretenimento. Se alguém vomita assistindo algum dos meus filmes, é como ser ovacionado em pé.“.



quinta-feira, 19 de junho de 2014

The Abomination (EUA, 1986)

Filme: The Abomination
Diretor: Bret McCormick (como Max Raven)
Ano: 1986
País: Estados Unidos
Duração: 100 minutos
Elenco: Scott Davis, Jude Johnson, Blue Thompson 
IMDb: 3,7


Logo nos primeiros minutos, são apresentados cenas da carnificina que está por vir, praticamente contando todo o filme. Tudo isso era um pesadelo de Coby e ele começa contar ao médico o que acontece nos seus pesadelos.

Cody vive com sua mãe doente que é viciada em programas televisivos de pregadores que exigem dinheiro dos fiéis, que lembram muito os programas que vemos atualmente na televisão em certos canais brasileiros. Ela acredita em tudo o que o irmão Fogg fala e, após uma prece em que coloca as mãos na TV, parece receber um tumor diretamente do aparelho.

Ela cospe o tumor e o joga no lixo, mas à noite o mesmo vai rastejando até o quarto de Cody e entra em sua boca enquanto ele dorme. Cody começa a passar mal, tossir e cuspir sangue, como se tivesse algo dentro dele, e não é que tinha mesmo?! Até que ele consegue expelir o tumor e, muito higienicamente, o deixa debaixo da cama. Imediatamente Cody se transforma e se torna possuído pelo tumor demoníaco que quer alimento, mas é folgado demais para ir procurar por si mesmo. Podemos facilmente notar quando está possuído quando está usando óculos escuros. Ele vai até a casa de sua amiga para matá-la, depois a deixa debaixo de sua cama e dorme tranquilamente. 

No dia seguinte, sem lembrar do ocorrido, se depara com um esqueleto ensanguentado debaixo da cama e percebe que o tumor cresceu e se transformou num monstro sedento por sangue. Mas a cada tossida de Cody, um novo tumor pulsante é expelido. Para alimentar sua nova família esfomeada, ele vai matar todos os seus conhecidos. Mata o seu amigo, e oferece a própria mãe para ser devorada. Seu chefe também não escapa e é morto tendo a cabeça serrada por uma motosserra, deixando escorrer seu cérebro melequento.



Cody também faz uma visita ao irmão Fogg. Ele entra escondido e deixa uma surpresa dentro de seu vaso sanitário: um dos seus tumores recém cuspidos e um gato. Sim, o tumor precisa se alimentar para crescer forte e saudável. Assim, quando o irmão Fogg vai "aos pés", o gigante tumor dentado (que não sei como ficou escondido na privada), literamente come a bunda do impostor Fogg.


Por fim, com sua casa transformada em um açougue, cheio de pedaços humanos e sangue por todo lado, sua namorada aparece para ver o que está acontecendo. Ela consegue atingí-lo com uma pá, mas aqui não temos heróis e ela é pega pela língua tentacular da asquerosa e tosca abominação cancerígena. 



Cody, em seu estado normal, trata tudo como um terrível pesadelo, mas talvez o pesadelo seja mais real do que ele imagina....



The Abomination é uma excelente e profunda análise psicológica de um assassino em série. Nada disso, é um filme tosco de doer, sem nenhum orçamento, resultando num divertido e sangrento filme trash, cheio de gore, nojeiras e jatos de sangue. Mesmo assim, podemos ver uma crítica ao fanatismo religioso e à cegueira e intolerância que isto pode causar, além de pastores que enriquecem se aproveitando destas pessoas. Cody não passa de um fiel cego que realiza todos os pedidos do seu tumor assassino. Enfim, são muitas análises que podem ser feitas deste filme complexo e filosófico.

Se por um lado os cinco minutos iniciais, que são uma espécie de melhores momentos do filme, são uma garantia de sanguinolência que está por vir, pelo mesmo motivo já acabamos sabendo basicamente todo o filme, só esperando pelas tais cenas.

O filme foi diretamente distribuído para vídeo, o que não é de se admirar, visto o orçamento praticamente inexistente e foi escrito e dirigido por Bret McCormick. Os efeitos são baratos e até funcionam bem (dentro do universo trash), as atuações são ótimas, também trashicamente falando, e o roteiro, bem... é um tumor assassino, oras!


O monstro do filme lembra levemente a planta carnívora da Loja dos Horrores (1960), de Roger Corman, em que seu dono precisa levar pessoas para alimentar a planta.

Quem quiser o filme para download, dê uma conferida no blog The Horror Trash.

domingo, 1 de junho de 2014

Feto Morto (Brasil, 2003)

Filme: Feto Morto
Diretor: Fernando Rick
Ano: 2003
País: Brasil
Duração: 58 minutos
Elenco: Di Babinski, Jajá, Paloma, Leandro, Zenom Gordo e Denise V.
IMDb: 3,1


João é um garoto como qualquer outro, mas com uma diferença. Ele nasceu com uma boneca, digo, um feto morto na cabeça, resultado de uma relação incestuosa que seu pai teve com a irmã. Ele têm problemas com um trio da pesada, liderado por Satan, que costuma passear pelas ruas espancando mães e pisando na cabeça de seus bebês, cortando as bolas e fazendo o seu dono engoli-las, matando deficientes, esfaqueando e queimando mendigos, entre outras atrocidades.  

Finalmente João, o nosso querido nerd perdedor e deformado, consegue um encontro com uma garota. A moça tem hábitos distintos de lamber o próprio absorvente ensanguentado, e se excita quando João vomita nela. Para saciá-la, ele apela para as divindades, ou seja, enfia uma estátua de santo nela.




Ainda tirando sarro da religião, vemos um padre pedindo dinheiro aos fiéis e o mesmo cheirando uma carreira de cocaína em nome de Jesus e queimando a bíblia.

João costuma apanhar do pai, até o dia em que decide se vingar envenenando a cerveja dele. Ele então foge de casa e vai encarar os perigos da cidade grande, mas é obrigado e passar a noite na rua, onde acaba mutilando um mendigo que o importuna. Cansado de só se dar mal, João faz macumba invocando o Exu, com quem faz um pacto. 


Com o Exu, João treina karatê até ficar pronto para enfrentar o trio perverso. Após facilmente surrar o casal de capangas de Satan, tem um luta disputada e coreografada com o chefão, até finalmente explodir sua cabeça com uma dinamite ACME. 

Como prêmio merecido, ele conquista uma garota (Denise V), que chega lhe mostrando os peitos e com quem têm um filho. Então temos um final a lá Nekromantik, com o bebê tarado se excitando com a mãe, que desfila pela casa com os peitos de fora, e ejaculando sangue.


Feto Morto é um filme é trash, divertido, com violência e nudez gratuitas, gore, humor negro, desmembramentos, escatologia e bizarrices de sobra e é totalmente politicamente incorreto, atirando contra todos os lados. No melhor estilo da Troma, ou pra ser mais próximo, da nacional Canibal Filmes.


Um filme feito à base de cerveja com os amigos e muito improviso, já que no quinto dia de gravação, o roteiro foi perdido. As gravações duraram um ano e as cenas iam sendo inventadas uma semana antes e os diálogos saindo no improviso. E no fim, ficou melhor que o planejado, segundo o próprio diretor. Tudo isso ao som de muito death metal/gore/grind, dando espaço para bandas nacionais, como podemos conferir durante a exibição do filme.
Feto Morto acabou se tornando um filme cult no circuíto nacional independente, sendo exibido em diversos bares e festas.

O filme foi dirigido por Fernando Rick em 2003, um ano após Rubão - O Canibal, o primeiro filme de sua produtora, a Black Vomit Filmes, fundada em 2000. Feto Morto foi lançado em 2003 e, além do formato em VHS, foi o primeiro filme de uma produtora independente a sair em DVD. 

Ainda temos a ilustre presença de Denise V, que fez vários filmes de horror independente, como Blerghhh! (1996) e Zombio (1999), da Canibal Filmes.

Depois de Feto Morto, Fernando dirigiu o curta Coleção de Humanos Mortos, que fez parte da antologia 3 Cortes, com uma proposta menos trash e mais como um horror sério e realista. Ele também dirigiu documentários de bandas de hardcore, como o excelente Guidable - A Verdadeira História do Ratos de Porão e Desagradável, um documentário sobre a banda Gangrena Gasosa. Também produziu o videoclipe Pedra, do Mukeka di Rato e Covardia de Plantão, do Ratos de Porão, entre outros. Ainda fez um curta de drama, chamado Ivan.

Rick também participou do programa Trash - A Série, do Canal Brasil, onde são entrevistados os principais nomes do cinema independente nacional, como Petter Baiestorf, Gurcius Gewdner, Kapel Furman, Felipe M. Guerra, Joel Caetano, Rodrigo Aragão, Pepa, entre outros. Vale a pena dar uma conferida!


O blog já tem mais de um ano e era realmente uma falha não ter postado ainda nenhum filme brasileiro. E Feto Morto é um bom representante do trash/gore nacional. Em breve virão outros.

domingo, 18 de maio de 2014

La Nave de Los Monstruos (México, 1960)

Filme: La Nave de Los Monstruos
Diretor: Rogelio A. González
Ano: 1960
País: México
Duração: 81 minutos
Elenco: Eulalio González, Ana Bertha Lepe, Lorena Velázquez
IMDb: 7,0


O planeta Vênus sofre um sério problema: a falta de homens! Para solucionar isto, duas destemidas mulheres venusianas, Gamma e Beta, são enviadas ao espaço para coletar espécimes masculinos para repovoar o planeta. A nave é cheia de equipamentos estranhos e inúteis, luzinhas piscantes e sons que parecem o piripaque do Chaves. Com elas também vai o robô Tor, uma espécie de Wikipedia de lata, com milhões de verbetes na memória.
Elas sequestram alguns exemplares de machos em vários planetas e os transportam congelados. Eles são monstros asquerosos e toscos ao extremo, que você mesmo pode fazer em casa! São eles: Tagual, um baixinho com cérebro gigante exposto; Uk, um ciclope; Zok, um amontoado de ossos com voz grossa e Crassus, um monstro aranha.

Crassus
Zok
Tagual
Uk




















Pergunto-me se o desespero delas é tanto para se relacionarem com tais criaturas. Mas prefiro acreditar que elas são mulheres com iniciativa e não ligam muito para a aparência. 
A nave começa a apresentar problemas e são obrigadas a parar no planeta mais próximo, o Antarssis 135-Sub-2, que supostamente é povoado por seres inteligentes (ou nem tanto) e humanos, assim como elas.

Mas, assim como os marcianos do filme de El Santo, as venusianas vão parar no México, em Chihuahua, mais especificamente. Lá conhecem Lauriano, uma espécie de Barão de Münchhausen mexicano que adora contar histórias absurdas e ficar cantarolando por aí. Entre suas histórias, ele fala como fez para dar dois tiros com uma única bala, como se deparou com dinossauros e como enfrentou um urso munido de uma vara.



Logo ao conhecê-lo, elas usam a sua arma paralisadora, bastante semelhante à aquela corneta do Chapolin. As duas e o robô são abrigados por Lauriano que depois de uma conversa, explica-lhes o que é o amor, algo desconhecido para elas. É claro que ele faz isso cantando mais uma de suas canções. As duas acabam brigando por Lauriano e Beta é ordenada a se retirar.
Chateada com isso, Beta transforma-se em uma vampira capaz de voar com sua capa! Assim ela vai atacando homens e sugando seu sangue. Mas parece que isso é algo proibido em Vênus e Beta é condenada à desintegração.


Gamma se distrai e Beta toma conta da situação e a tranca na nave enquanto solta os pavorosos monstros. Os monstros vão apavorando o povoado, um deles mata a vaca de Lauriano, sobrando apenas os seus ossos. Lauriano segue as pegadas do monstro e tem um confronto com ele, sempre mantendo o bom humor e fazendo piadinhas o tempo todo.
A seguir, feito de refém por Beta, Lauriano começa mais um número musical e, enquanto a venusiana está distraída cantando e dançando, ele pega o cinturão caixa de controle dela. Desta forma, apertando todos os botões, ele consegue entrar na nave e salvar Gamma.
Com o desfecho se aproximando, Gamma, Tor, Lauriano e seu sobrinho terão que impedir que Beta e os monstros dominem o mundo. Mas a solução é tão fácil e patética que chega a ser engraçada.

Beta, ao tentar atacar Gamma, cai cravada em um galho pontiagudo e morre. Enquanto isso, Lauriano e seu sobrinho duelam arduamente com os monstros, mas nada que uma criança não consiga impedir as terríveis ameaças intergalácticas. O menino domina o monstro com cérebro gigantesco e vazio e consegue matá-lo atirando uma pedra com seu estilingue no olho do monstro. Já Lauriano, genialmente faz o monstro "morder-se a si mesmo" o envenenado, sempre com suas performances e piadas a lá Trapalhões.
Por fim, como previsto, Beta fica na Terra com Lauriano, enquanto Tor volta à Vênus com sua nova paixão: a jukebox de Lauriano!




A Nave dos Monstros é uma divertida comédia de ficção científica/horror nos moldes dos filmes dos anos 50, abusando da tosquice. Temos de tudo neste filme: alienígenas, viagens espaciais, robôs, vampiras, tem romance e ainda consegue ser um musical rancheiro. Tudo isso em pouco mais de 80 minutos. Imagino que os produtores mexicanos tenham tido como uma das influências o Plan 9 From Outer Space, do genial e incompreendido Ed Wood. Outra coisa que nos vêm à mente é o episódio Planeta Selvagem (Aventuras en Un Planeta Habitado Por Salvajes Que Aunque Parezca Mentira, No Es La Tierra) do Chapolin em que ele vai atender o chamado das indefesas venusianas.

As inúmeras músicas durante o filme se devem à presença de Eulalio González, o Piporro, um cantor muito popular no México, que também atuou em dezenas de filmes. Já as garotas, foram as vencedoras do Miss México de 1959 e 1960, Ana Bertha Lepe e  Lorena Velázquez. Lorena, a Beta do filme, fez diversos filmes de horror e lucha libre, atuando em vários dirigidos por René Cardona, como Las Luchadoras Contra La Momia (1964) e Las Luchadoras Contra El Médico Asesino (1963). Ela também participou de filmes com o astro El Santo, como em Santo Contra Los Zombies (1962, de Benito Alazraki), Santo Vs. Las Mujeres Vampiro (1962, de Alfonso Corona Blake) e Atacan Las Brujas (1968, de José Diaz Morales).

Lorena Velázquez

Fui dar uma olhada na avaliação do filme no IMDb já esperando uma nota 3 ou 4, mas assustadoramente, está com a nota 7.0! Uma das mais elevadas dos filmes aqui do blog. Praticamente um Cidadão Kane dos filmes B. Acredito que isto se deve por ser um filme pouco conhecido e as poucas avaliações são de entusiastas de filmes ruins. Mas, pode-se dizer que é um bom filme ruim, em que suas falhas e roteiro infantil são suas maiores qualidades e que tornam o filme tão divertido.

Eu já tinha visto blogs falando sobre este filme e só as imagens dos monstros já me deixaram com vontade de assisti-lo. Mas foi só recentemente que consegui vê-lo, quando o excelente blog Cine Space Monster disponibilizou o filme com legendas para download. O filme também está completo no Youtube.


Fontes: 
http://cinespacemonster.blogspot.com.br/2012/08/a-nave-dos-monstros-1960.html

domingo, 11 de maio de 2014

Plaga Zombie: Zona Mutante (Argentina, 2001)

Filme: Plaga Zombie: Zona Mutante
Diretor: Pablo Parés, Hernán Sáez
Ano: 2001
País: Argentina
Duração: 101 minutos
Elenco: Berta Muñiz, Pablo Parés, Hernán Sáez 
IMDb: 5,9


Após a contaminação que zumbificou toda a cidade, descobrimos o motivo da epidemia. O governo havia feito um pacto com os alienígenas para testar um vírus em uma área limitada, mas rapidamente a cidade inteira foi contaminada tornando todos em zumbis, com exceção dos nossos três heróis.

Agora, eles são liberados pelo FBI e deixados novamente na cidade repleta de zumbis multicoloridos. Max Giggs, Bill Johnson e John West, que de alguma forma se recuperou da morte no filme anterior, juntamente com mais alguém deixado em um saco e que é carregado por eles por boa parte do filme.

Rapidamente os zumbis aparecem e se iniciam os confrontos e fugas. Uma coluna arrancada pelo pescoço, zumbis rasgados ao meio e um braço usado como arma são alguns destaques do primeiro duelo. A comédia também está presente durante todo o filme. Em uma das cenas, Bill se depara com um zumbi segurando seu intestino “peidante” e o usando como uma mangueira de fluídos fecais. Sua própria arma acaba munindo o adversário, que pega o intestino, sai correndo e depois o amarra com ele.  



Max e Bill, tentando encontrar a saída da cidade, descobrem que estão ilhados e não há como escapar. Neste instante Bill encontra um agente do FBI que possui um DISQUETE (sim, o filme se passa no longínquo ano de 1997), com o mapa da única saída da cidade.


Com o disquete, o trio vai até a casa de Max para usar o computador e tentar abrir o mapa, porém, a decodificação do mesmo levaria 12 horas!  A informática ainda tinha muito a evoluir.
John inocentemente atende a ligação do FBI e informa a sua localização, o que faz com que os mesmo tenham que sair da casa, enquanto o computador fica processando.


Rodeados por uma legião de zumbis, percebem que os mesmos ficam catatônicos olhando para o céu e são controlados por uma nave alienígena. Esta cena me lembrou a do filme brasileiro Zombio (1999) de Petter Baiestorf. 

Eles vão à casa de John e Bill percebe que as facas misteriosamente desapareceram. Enquanto John e Max se divertem em um momento videoclipe de ídolo e fã, com as canções do passado famoso de John West, Bill abre o saco e de lá saí um garoto bobo e muito chato, também chamado Max e que, por coincidência também é grande fã de Bill. Isto deixa Max Giggs enciumado e raivoso por perder a atenção.

Matar zumbis com garfos e colheres não é pra qualquer um


Quando Bill e John saem atrás de suprimentos, Max não controla sua raiva e acaba por esquartejar o corpo do novo Max. Logo a seguir a casa é invadida por zumbis e Max é atacado.
Pra complicar, após as 12 intermináveis horas de decodificação do disquete, é necessário inserir o segundo disco.

Os remanescentes sofrem um ataque surpresa e acordam em um caminhão carregado de humanos e são deixados no comitê central dos zumbis. A sociedade dos zumbis é organizada e sindicalizada, e agora comandada por Max, que se transformou parcialmente em zumbi. 


Eles são salvos pelos rebeldes que chegam massacrando os rebeldes das mais diferentes formas e mostram-se os responsáveis pelo desaparecimento das facas da cidade.
Neste momento os três se desentendem e discutem sua relação. Após discurso inspirado (e com direito à cola), eles voltam a se unir. 


Os rebeldes parecem se divertir ao facilmente ir exterminando os zumbis, mas eles se enganam se pensam que o desfecho será assim tão tranquilo. Os seres começam a se decomporem, mas ainda contarão com uma ajuda externa, provando a profundidade e as muitas camadas deste filme. 
Não se desespere, a aventura ainda não chegou ao fim! Continua em Plaga Zombie: Zona Mutante: Revolución Tóxica.

Plaga Zombie: Zona Mutante, apesar de feito 4 anos depois, é a sequencia direta do primeiro filme, acontecendo alguns minutos após os fatos finais do anterior. Com um orçamento de $ 3000, seis vezes maior que o primeiro, mas ainda baixíssimo, eles fizeram um ótimo filme dentro de suas possibilidades, apresentando muitas evoluções técnicas. Os efeitos são funcionais, é até bem filmado, com diálogos engraçados e existem boas cenas de lutas, com direito à uma edição com cortes rápidos. 
Plaga Zombie: Zona Mutante é repleto de humor com cenas hilárias e muitas mortes criativas. Ainda conta com composições próprias, como a música de John West, cena que mais parece um videoclipe, coisa que a produtora acabou fazendo bastante.
Os argentinos da Farsa Producciones conseguiram algo não muito comum no cinema: fazer uma sequência melhor que o filme original. Fizeram bem ao explorar mais do universo criado com o primeiro filme, contando com um trio de heróis carismáticos e engraçados, que lembram outros matadores de zumbis/aliens como Lionel do Fome Animal, Ash do Evil Dead e a turma do Bad Taste.