domingo, 16 de junho de 2013

Adam Chaplin (Itália, 2011)

Filme: Adam Chaplin
Diretor: Emanuele De Santi, Giulio De Santi, Alessandro Gramanti 
Ano: 2011
País: Itália
Duração: 84 minutos
Elenco: Emanuele De Santi, Giulio De Santi, Alessandro Gramanti 










Depois de ler críticas favoráveis e a promessa de muito sangue, fiquei na expectativa de ver o filme italiano Adam Chaplin, de 2011. Vi e me decepcionei um pouco. Há sim muito sangue e violência extrema mas deixa a desejar. Mas vamos à sinopse do filme:

Em um futuro pós-apocalíptico, em um local com o nome idiota de "Heaven Valley", o chefe da máfia Denny Richards, um cruel homem mascarado e desfigurado que sobrevive por aparelhos que bombeiam sangue para manter o seu corpo, mata a esposa de Adam. Como de costume, Adam vai vingar sua amada mas, além de ter o físico de um lutador profissional, uma espécie de Corvo anabolizado, ainda conta com a ajuda de um demônio que reside em suas costas, que o dá força e poderes sobre-humanos, matando todos os que tentarem impedí-lo, inclusive a polícia, que é corrupta e controlada pela máfia.


A história, que não tem nada de mais, é complementada com muito sangue, violência e pessoas deformadas, tudo de forma muito exagerado. Até aí, tudo bem, mas Adam consegue, sem problemas, ir eliminando seus oponentes golpeando-os com milhares de socos em frações de segundos. As cenas violentas com muito sangue e efeitos não computadorizados, são o ponto alto e principal atrativo do filme, mas muitas são comprometidas, ao meu ver, pelo uso excessivo de efeitos de computador (CGI), que tornam o filme muito artificial e decepcionante neste sentido. Há uma cena em que Adam empala um dos vilões e o carrega como se fosse uma bandeira, mas isso é feito com um efeito computadorizado muito tosco. Seria melhor e mais fácil, se usassem um boneco.


Apenas lembrando que este é o meu ponto de vista, que prefiro aqueles velhos efeitos criativos e práticos, sem tanto uso tecnológico, mas acredito que muitos poderão gostar das cenas. 


Além disso, o filme chega a ser entediante durante alguns longos e desnecessários discursos. O final e melhor momento do filme, apresenta uma boa sequencia de luta, mais parecendo um anime live action ultra-violento (usando inclusive uma tecnologia chamada H.A.B.S - Hyperrealistic Anime Blood Simulation), mas não é difícil imaginar que o herói fortão e com super-poderes não terá dificuldades para matar o deformado e debilitado vilão.




O filme segue a linha do recente cinema gore japonês, com MUITO sangue e violência extremamente exageradas, mas diferente dos orientais, não espere se divertir como em Tokyo Gore Police ou The Machine Girl, pois este parece se levar a sério demais.  De qualquer forma, vale pelo sangue e também por ser um filme independente, escrito e dirigido pelo próprio Adam (Emanuele de Santi). Assistam e tirem suas conclusões.

domingo, 26 de maio de 2013

Tetsuo - The Iron Man (Japão, 1989)

Filme: Tetsuo - The Iron Man
Diretor: Shin'ya Tsukamoto
Ano: 1989
País: Japão
Duração: 67 minutos
Elenco: Tomorowo Taguchi, Kei Fujiwara, Nobu Kanaoka, Shin'ya Tsukamoto


Já falei e continuarei a comentar sobre os filmes gore japoneses em que é comum o corpo humano se fundir com máquinas, transformarmando-se em armas. Mas antes, não posso deixar de falar em Tetsuo - The Iron Man, filme de 1989 que inspirou muitos destes atuais que tanto nos entretém através da violência exagerada, embora Tetsuo possua uma abordagem mais complexa e profunda.

Tetsuo há muito constava na minha lista de filmes a assistir. Com uma certa demora o assisti e após o término deste, fiquei me questionando sobre o que acabara de ver, apesar de ter gostado do mesmo. Realmente é difícil definir este média metragem que mais parece um videoclipe de 67 minutos com uma temática cyberpunk onde o homem se funde com a máquina, tornando-se literalmente um homem de ferro. Isto tudo é marcado por uma excelente fotografia totalmente em preto e branco, com algumas cenas tremidas de câmera de mão, cortes rápidos e frenéticos, misturando a realidade com alucinação, acompanhado de uma ótima e perturbadora trilha sonora, que torna esta, uma insana e perturbadora experiência cinematográfica.

O filme foi realizado com um baixíssimo orçamento, de forma até meio artesanal, mas muito criativa, utilizando até mesmo sequências em stop-motion interagindo com os personagens, resultando em efeitos muito interessantes. Foi filmado em 16mm e produzido por poucas pessoas, já que o diretor fez praticamente tudo, pois além de escrever o roteiro e dirigir o filme, ele atua como o Fetichista, e ainda fez a filmagem, edição, produção e direção de arte. Além dele, a equipe contou apenas com mais duas pessoas, além dos outros 5 atores. Um deles, inclusive, é também o responsável pela trilha sonora.

Muitos comparam o filme a Eraserhead de David Lynch, porém este é bem mais lento que Tetsuo. As mutações e junções do homem com a máquina são frequentemente relacionadas ao trabalho de David Cronenberg, como por exemplo em Videodrome. Além destes, um filme que me veio a mente foi Pi, de Darren Aronofsky, com um tema semelhante e que também utiliza cortes rápidos, fotografia em preto e branco e uma perturbadora trilha sonora.
Falei demais, aos que não viram ainda o filme, recomendo que o façam antes de continuar lendo.



O Fetichista é um sujeito obcecado por metal, cujo pequeno quarto é repleto de fios, peças e componentes, e posteres de atletas. Em meio a este cenário, ele tenta tornar-se sobre-humano inserindo um pino de metal em sua própria perna, que é rejeitado pelo seu corpo. Desesperado ele sai correndo pelas ruas e é atropelado pelo Assalariado e sua mulher e, como é apresentado mais tarde, estes o descartam como lixo, sem ressentimentos. Pelo contrário, a imagem do homem esfolado até os excita!


O Assalariado aparece depois contracenando e interagindo com as máquinas da indústria em uma dança insana acompanhada de uma música industrial. Mas o corpo do assalariado começa, gradualmente, a transformar-se em metal. Primeiramente aparece uma ponta metálica em seu rosto. Em seguida, no metrô senta-se ao lado de uma mulher que vê um monte de sucata metálica e, ao tocá-la, parece ser possuída pelo metal, que é acoplado ao seu braço. De alguma forma, naquele monte de peças estava o fetichista, que agora controla a mulher e vai a transformando em metal. Ela passa a perseguir o assalariado, que após muito esforço consegue derrotá-la. Em casa ele tem o braço começando a transformar-se em algo mecânico. Também surgem propulsores em seus pés que o levam para um passeio pela cidade enquanto tem alucinações em que é sodomizado por sua mulher, que tem uma espécie de tentáculo peniano de metal. Ele vai sofrendo mutações, seu pênis torna-se uma assustadora broca até ser totalmente coberto por peças metálicas e emaranhados de fios. 


A partir deste momento o fetichista acorda e irá confrontar o assalariado. Após o indescritível duelo, repleto de imagens que não nos deixam piscar, eles juntam-se com o intuito de transformar o mundo em metal. É a máquina vencendo o confronto com o homem.


Acredito que a ideia do filme é mostrar o impacto da tecnologia no homem, que é cada vez mais dependente e controlado por ela e vai perdendo a sua humanidade, como representado através de sua transformação em máquina. A falta de relações humanas também é algo prejudicado pela tecnologia, justificada no filme pela quase ausência de diálogos. 
A substituição do humano pelo mecânico, como ilustrado na capa do filme através do personagem em uma engrenagem, como uma peça do desumano sistema industrial, que além de tudo, acirra a competição entre as pessoas. Sem deixar de considerar que o filme se passa no Japão, terra de alta tecnologia e mecanização do trabalho. 

Deixando de lado a minha análise pouco confiável, é um bom filme de ficção científica e vale muito a pena ser assistido, ainda mais por ser curto e nem um pouco monótono.

Leia também: A Cibercultura e o Cinema de Shinya Tsukamoto: um estudo a partir do díptico Tetsuo, trabalho de mestrado de Marta Alves abordando Tetsuo e outros filmes de Shinya Tsukamoto. Bastante interessante. 


quinta-feira, 16 de maio de 2013

Terror Firmer (EUA, 1999)


Filme: Terror Firmer
Diretor: Lloyd Kaufman
Ano: 1999
País: EUA
Duração: 114 minutos
Elenco: Will Keenan, Alyce LaTourelle, Lloyd Kaufman 

Terror Firmer é um filme de 1999 que, além de distribuído pela Troma, foi produzido pela própria, sendo dirigido por Lloyd Kaufman, que juntamente com e Michael Herz foram os fundadores da produtora. 
De cara nos deparamos com uma assassina em série que arranca a perna de um homem e o espanca com esta; que faz um aborto manual, retirando um feto (que chora!) do ventre da mãe com as próprias mãos; e que mata um homem o soterrando sob montanhas de cereal, fazendo valer o trocadilho Cereal Killer. Acho que isso já é motivo o suficiente pra continuar assistindo, não acham?

No momento seguinte um homem atira em sua própria cabeça, espalhando carne moída por todo lado mas não morre. Uma cena tão absurda como esta só podia ser de um filme, que é exatamente o caso. Se trata de uma cena filmada por uma incomum equipe, tendo como diretor Larry Benjamin, interpretado por Lloyd Kaufman, só que no filme é cego e não pode ver as confusões, bagunças e orgias que a sua própria equipe apronta enquanto produz a sua arte.  Mesmo assim é um lugar razoavelmente pacífico, salvo algumas pequenas brigas, onde a segurança das pessoas é respeitada não fossem os assassinatos que passam a ocorrer.


Durante a produção do filme, a assassina vai eliminando integrantes da equipe. Isso acontece com Toddster, o sonoplasta que, pelas mãos da sádica maníaca, literalmente enche o rabo de cocaína por meio de um funil. Ela ainda o desfigura enquanto se masturba, arrancando o cérebro deste indivíduo, que depois é transformado em um bizarro chafariz. Outra vítima é o financiador do filme que é morto em uma memorável e absurda cena em que é triturado pela escada rolante. Um verdadeiro banho de sangue, gore e diversão para toda a família! Falando em família, vale ressaltar que enquanto a mulher que encontrou os restos do gorducho na escada dá uma entrevista ao repórter Lemmy (Motörhead), seu filho brinca com a cabeça do defunto. Nada mais natural.
De forma misteriosa, pessoas do set vão aparecendo mortas, obra de alguém que tenta a todo custo e com violência real, impedir Larry e sua equipe de produzir sua divertida e fictícia arte violenta. O que faz com que a polícia passe a investigar e Larry é o principal suspeito, mesmo sendo cego.  

Durante os assassinatos, se passa um triangulo amoroso entre Jennifer, Casey e Jerry. Jennifer é a assistente de produção; Jerry é o cara dos efeitos especiais e um entusiasta em filmes trash que brinca e se diverte durante esta produção. Já Casey (Will Keenan, o Tromeo de Tromeo & Juliet) é o sonoplasta otário metido a fortinho, com educação religiosa pelo pai (que é interpretado por Ron Jeremy, o ator pornô), e daqueles adoradores de Spielberg que não apreciam o cinema independente de baixo orçamento. 

O filme que é produzido pela equipe é do Vingador Tóxico e não há muito sentido ou ligação entre as cenas, o que não é necessariamente um ponto negativo. Vemos cenas do Toxie mandando ver em uma atriz com muito potencial, entre outras. Além do mítico Vingador Tóxico, outro personagem da Troma que aparece é o Sargento Kabukiman, como integrante da equipe de produção.

Apesar de toda bagunça que é o set de filmagem deste filme dentro de Terror Firmer, algumas coisas devem ser semelhantes ao que produtoras independentes como a Troma sofrem realmente, como o ataque por parte da crítica que apenas aponta falhas nos filmes sem ver nenhuma qualidade, ou pelos conteúdos tidos como tabu ou de preconceito que vão contra os "valores familiares" da sociedade, que são apresentados no filme como aborto e a homossexualidade, masculina e feminina. Inclusive há uma cena em que alguns figurões tentam convencer Larry a retirar a cena de aborto, mas o diretor se nega. 



O filme é bastante divertido e mostra tudo que a Troma tem de melhor a oferecer, com muitas piadas, tirando sarro de todo mundo (inclusive do Spielberg), cenas de nudez e sexo, brincadeiras metalinguísticas e sangue, que não é como nos filmes japoneses, mas há bastante nas várias cenas criativas de mortes. Não faltam cenas absurdas como o gorducho com o diminuto instrumento correndo pelado pelas ruas de Nova York, e a real identidade da vilã, entre várias outras e sem deixar de esquecer a cômica e sempre carismática atuação de Lloyd Kaufman, que fazem desta uma obra a ser assistida pelos apreciadores do trash.  Certamente um dos melhores filmes da Troma.



Outro ponto positivo é a boa trilha sonora, com bandas de punk rock não excelentes, mas até legais e o filme inicia bem com uma versão de Amazing Grace do Entembed. E ainda conta com a participação da banda Lunachiks. Só acho que a trilha poderia ser mais hardcore para se adequar mais com a violência do filme.

Se os dados do IMDb estão corretos, o orçamento do filme é estimado em $ 500.000 mas arrecadou apenas $ 1.434 sendo exibido em apenas dois cinemas. A Troma fez o documentário The Making Of Terror Firmer (2001) mostrando como foi a produção deste filme (que tem um filme dentro dele).

Terror Firmer é uma homenagem a gente como Lloyd Kaufman e a Troma que, mesmo com poucos recursos fazem filmes criativos, produzidos por pessoas que, principalmente, se divertem com o que fazem e se dedicam a isto sem preocuparem-se em fazer algo apenas para ganhar dinheiro. E como dito no fim do filme, este é o tipo de cinema criativamente livre, que não é dominado por organizações, sociedade, religião e autoridades, expondo com coragem temas controversos para estes. Além disso é um incentivo às pessoas criarem seus próprios filmes, pois com criatividade e boas ideias, podem ser feitos filmes interessantes e divertidos, mesmo que baratos.

Então... Let's make some art!!

Nota IMDb: 5,8
Minha Nota: 8,0

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Redneck Zombies (EUA, 1989)


Filme: Redneck Zombies
Diretor: Pericles Lewnes
Ano: 1989
País: EUA
Duração: 84 minutos
Elenco: Steve Sooy, Anthony M. Carr, Ken Davis 













Seguindo com outra produção distribuída pela Troma, Redneck Zombies inicia com um esteriotipado caipira reclamando do nome do filme e do preconceito com seus conterrâneos. Mas não é um simples caipira e sim um zumbi caipira lilás, que enquanto fala tem sangue esguichado do pescoço. 


Após esta apresentação, Lloyd Kauffman explica alguns detalhes sobre o filme, que foi todo produzido diretamente em vídeo e inspirado no Vingador Tóxico e que seu diretor, Pericles Lewnes, participou de outras produções da Troma como Troma's War e Vingador Tóxico 2 e 3.

O filme começa com legendas citando que um barril de líquido tóxico altamente perigoso desapareceu e que, para alguns cientistas, o seu conteúdo poderia significar o fim do mundo, e a seguir vemos como isso aconteceu. Com todo cuidado do mundo o barril é carregado solto em um jipe guiado por um motorista chapado que perde o controle do veículo fazendo o barril sair rolando e caindo nas mãos dos caipiras locais. Estes que são representados de forma estereotipada  como sendo pessoas idiotas, sujas e de dentes podres e que dão razão ao protesto daquele zumbi caipira antes do início do filme. Entre estes simples cidadães está um gorducho com uma atuação simplesmente cômica, digna de Os Trapalhões. Mas então, com o novo barril, eles decidem aproveitá-lo para fazer um novo alambique, já que o tal gordinho atrapalhado, "acidentalmente" furou todo o antigo a tiros.


Não muito distante está um grupo de pessoas da cidade acampando na floresta, contando histórias e se chapando. Neste momento os caipiras degustam sua nova produção de birita verde tóxica. A partir disso, começam a ter alucinações, visões psicodélicas e multicoloridas (com uns efeitos exagerados), iniciando um processo de mutação, criando bolhas em seu corpo e o fazendo derreter. O que pode ser uma referência ao filme Street Trash, de 1987, onde uma bebida chamada Viper fazia os mendigos derreterem, mas neste caso sem voltar à vida. Ou pode ser apenas uma semelhança acidental.


Após o derretimento dos caipiras pela misteriosa bebida, eles são agora zumbis e passam a atacar os indefesos turistas, os dilacerando com as próprias mãos com tripas por todos os lados. Tudo isto com aqueles efeitos baratos a lá Bad Taste, criativos e nojentos, que funcionam bem e que deixam o filme com aquele toque especial de trash que tanto gostamos. Aliás, se ainda não perceberam, este filme é MUITO TRASH. 



A bebida vai se espalhando pelas redondezas e é consumida inclusive por crianças. Vale aqui ressaltar uma cena épica em que a mãe dá a tóxica bebida na mamadeira de uma criança pequena, que parece usar como berço uma máquina de lavar. Deve ser prática comum por lá dar cachaça para bebês.

A epidemia zumbi vai se alastrando enquanto os turistas vão sendo exterminados. Estes que chegam até a fazer uma incomum e lisérgica autópsia zumbi, no qual o estudante de veterinária descobre que um determinado tipo de desodorante pode decompor os zumbis, mas esta arma nem mesmo é utilizada no restante do filme. 
Não vou contar o desfecho, mas o final eleva ainda mais o nível de trashismo, cheio de sangue, gosmas e nojeiras, ou seja, muita diversão. Ainda se tem uma ideia de continuação, que acho que nunca ocorreu.


Algumas curiosidade, segundo o IMDb: 
O filme foi gravado em 32 dias no decorrer de um ano. 
O diretor Pericles Lewnes acabou sofrendo uma concussão na cena em que o barril de lixo tóxico cai.

Taí um filme barato (estimado em cerca de 10.000 dinheiros) e criativo, com muito trash e diversão, digno das produções da Troma e que merece ser assistido. Além disso, tem uma divertida trilha sonora especialmente feita para o filme. E não deixem de comentar aí.
Este e muitos outros filmes podem ser encontrados no blog Scary Torrent.

Nota IMDb: 4,1
Minha Nota: 7,0 

Leia mais aqui:

terça-feira, 30 de abril de 2013

Surf Nazis Must Die (EUA, 1987)


Filme: Surfistas Nazistas Devem Morrer (Surf Nazis Must Die)
Diretor: Peter George
Ano: 1987
País: EUA
Duração: 83 minutos
Elenco: Gail Neely, Robert Harden, Barry Brenner 


Em um não distante futuro pós-apocalíptico, após um terremoto que matou e desabrigou milhões de pessoas em Los Angeles, uma gangue busca o total controle da praia. Estes são os surfistas nazistas que, segundo os próprios, são surfistas de verdade pois surfam com o pé esquerdo na frente, diferente os surfistas fajutos, que são uma raça inferior.






E nada mais anos 80 que gangues de delinquentes cheios de maquiagem, inclusive com suásticas pintadas na cara. 


Os líderes dos surfistas assumem nomes reais como Adolf e Mengele. Adolf, é claro, é o líder do grupo e Mengele é o mecânico de pranchas, que desenvolve uma que aciona uma faca em sua ponta, mas que infelizmente é pouco aproveitada no filme. Também na turma dos vilões estão Eva, a namorada do Fuhrer da praia; Hook, um cara que parece ter saído do Laranja Mecânica, mas com um gancho substituindo sua mão; entre outros menores.

Lembrando uma versão barata do Warriors, Adolf tenta unificar todas gangues de surfistas, convertendo todos ao nazismo, mas a ideia não é bem recebida pelos outros grupos. Lá estão presentes os skatistas, os samurais, os fortinhos, entre outros.

Os nazistas seguem seu rastro de destruição eliminando outros surfistas e saqueando pessoas na praia. Até que Leroy, um cara negro impede um roubo mas acaba sendo morto pelos surfistas racistas. Até então o filme é parado e pouco acontece, com poucas mortes ou violência, somente é mostrado brevemente uns peitinhos sem graça. Nem mesmo a morte de Leroy é mostrada, já que este é um filme que não te dá todas as respotas e o instiga a pensar (não). Na verdade pouco vai acontecer durante quase todo o filme.

A mãe de Leroy, que aprontava as maiores confusões no asilo, convenientemente estava na praia quando os nazistas falam sobre a morte de Leroy, assim ela vai querer vingar seu filho.
Facilmente ela compra uma arma e granadas em uma loja de usados, enquanto os nazistas continuam atacando as outras gangues até serem surpreendidos pelos surfistas samurais, que incrivelmente não lutam nada e acabam se dando mal. As outras gangues também tentam atacar os nazistas, mas sempre sem sucesso em lutas toscamente coreografadas entre cenas desnecessárias de surfe. 

A mãe de Leroy, que havia sumido do filme, retorna e quer justiça. Depois dos sucessivos fracassos das outras gangues, a velha motoqueira, com suas granadas e sua arma vai a caça dos nazistas mostrando que a terceira idade pode sim ser páreo para o terceiro reich (rá!).

Há poucos momentos ou frases marcantes no filme, mas todas são protagonizadas pela senhora justiceira, como na cena em que os pescadores desanimados com a falta de peixes são surpreendidos por ela que diz a seguinte frase: "Hoje é o seu dia de sorte. Você e eu vamos pescar uns surfistas". Eles saem de barco caçando os nazistas, atropelando Eva e decepando sua cabeça. Depois, já com Adolf sob a mira de sua arma ela oferece uma comida caseira da mamãe e... Bang!.

Este filme de 1987 dirigido por Peter George se tornou um cult, talvez muito em virtude de ser distribuído pela Troma, o que para muitos já torna qualquer filme ruim em um ótimo filme ruim de culto. Fui conhecer o filme através da banda de hardcore alemã chamada Surf Nazis Must Die, a qual já escrevi algo a respeito em meu outro blog e que, inclusive, utiliza em suas músicas algumas vinhetas retiradas do filme. Recomendo a banda a quem não conhece, pode ser um complemento interessante à esta experiência cinematograficamente trash. 


Na verdade esperava mais, há pouca ação e violência, quase nada de sangue. Na primeira vez que o assisti, há alguns anos, pouco lembrava sobre o filme, e realmente, agora o revendo, há pouco mesmo a se lembrar além de uns surfistas nazistas caçados pela impiedosa Mama, ou vai ver eu que não entendi a poesia do filme. Felizmente o filme não se leva a sério em nenhum momento e é até divertido por vezes, então, não deixem de assistir pelo menos uma vez esta obra.

Foi distribuído no Brasil pel DIV (Distribuidora Internacional de Vídeos) em VHS.
Mais filmes da Troma estarão presentes no blog em breve.

Minha Nota: 5,5

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Zardoz (Reino Unido, 1974)



Filme: Zardoz
Diretor: John Boorman
Ano: 1974
País: Reino Unido
Duração: 105 minutos
Elenco: Sean Connery, Charlotte Rampling, Sara Kestelman 


Zardoz é um filme muito visto como um trash hoje em dia, muito em virtude dos efeitos toscos e datados, afinal, é um filme de 1974, mas principalmente pelos bisonhos figurinos. Ao buscarmos informações sobre o filme, nos deparamos com Sean Connery já com seus 43 anos, um imponente bigode, rabo de cavalo, tanga e botas vermelhas, o que faz muitos já desistirem de assisti-lo ou acharem se tratar de uma comédia. Porém, se deixarmos um pouco de lado coisas supérfluas como o mau gosto estético, vemos um filme sério e que, se pensarmos um pouco, traz reflexões realmente interessantes a respeito de fé, religião, imortalidade e ciência.

No longínquo futuro de 2293, ao invés de termos uma sociedade tecnológica e futurista, vemos seres primitivos e selvagens, trajando as já citadas roupas diminutas e usando cavalos como locomoção. Estes são chamados de exterminadores, que com sua fé cega, seguem tudo o que é dito pelo seu deus Zardoz, que trata-se de uma gigantesca e voadora cabeça de pedra. Este é um deus intolerante e impiedoso que odeia a humanidade e diz que o pênis é maligno e a arma é boa. Afim de impedir a reprodução dos "brutos", o cabeção cospe armas e manda os exterminadores caçá-los e matá-los, para assim "purificar" a terra.





Zed (Sean Connery), que aparece em cena já matando o próprio expectador, não é mais uma ovelha do rebanho dos exterminadores e pretende parar de aceitar as ordens e buscar a verdade. Assim, ele consegue entrar na cabeça gigante e lá vê muito trigo e pessoas, em sua maioria mulheres, nuas e ensacadas. Zardoz nada mais é do que um símbolo controlado por um homem para obter vantagens para si. Zed volta-se contra o seu antigo deus e mata este homem. O cabeção então acaba pousando em Vortex, um lugar visto com o paraíso para os exterminadores, que acreditam ser seu destino após a morte.  

Vortex é um lugar calmo e aparentemente evoluído que é, diferentemente da terra de Zed, habitado principalmente por mulheres, e onde a população é imortal e impotente. Não existe polícia, as punições para os crimes são através do envelhecimento. É um lugar democrático onde as escolhas são feitas através de votações telepáticas. Ao invés de religiosos como no Exterior (terra dos exterminadores), temos pessoas dedicadas à ciência, estes que conseguiram algo que o homem tanto buscou, e que os exterminadores esperam quando morrerem: a imortalidade. Porém, ser imortal é algo muito tedioso. Além das pessoas comuns de Vortex, exitem dois grupos: os apáticos, cujo nome já explica, e os renegados, que são velhos punidos com tempo por se rebelarem e serem contra a imortalidade.
Mas como Zed se rebelou contra Zardoz? Através do conhecimento, a melhor forma de combater uma religião, pois, ao encontrar uma biblioteca e aprender a ler, ele passa a conhecer mais através dos livros. Descobre que Zardoz forçou os brutos para cultivarem trigo para servirem de alimento para Vortex, sendo como escravos para sustentar esta sociedade matriarcal, intelectual, rica e "superiora". Zardoz nada mais é do que uma abreviação de Wizard Of Oz, cuja história era de um homem que amedrontava as pessoas com uma voz grave e uma máscara. Ou seja, cria-se um deus para fortalecê-los, usando e destruindo aqueles de grupos diferentes que vêem tudo como algo normal. Mas além da crítica à religião do exterior, em Vortex coloca-se a ciência como um novo deus, sendo capaz de dar-lhes a imortalidade, mas deixando de lado coisas naturais, como o próprio sexo, o que também acaba sendo prejudicial. 

Em certo momento Zed é disputado pelos apáticos e pelos renegados, para dar vida e morte a estes, respectivamente. Zed acaba recebendo mais conhecimentos em Vortex e percebe, citando Nietzsche, que caçando monstros tornaria-se um deles. Possivelmente o escritor alemão tenha sido inspiração para este filme, pois vê-se a religião como algo perigoso, punindo, criando guerras, sendo contra o sexo, privando prazeres em vida para prometê-los após a morte. Mas também vemos um homem buscando a verdade e matando seu deus.


E no fim, talvez o melhor seja deixar que a vida siga o seu curso, livre de crenças.


Apesar da boa história, o filme acaba sendo um pouco arrastado em alguns momentos, além dos já citados figurinos e efeitos datados, mas no geral é um bom filme, principalmente pela reflexão que nos proporciona e deve ser visto além de sua superfície "tosca", e o considero muito mais como um filme cult do que trash.

O filme foi escrito e dirigido por John Boorman, tendo como orçamento $ 1.000.000.

Minha Nota: 7,5

terça-feira, 2 de abril de 2013

Videodrome (Canadá, 1983)



Filme: Videodrome: A síndrome do vídeo (Videodrome)
Diretor: David Cronenberg
Ano: 1983
País: Canadá
Duração: 87 minutos
Elenco: James Woods Deborah Harry Sonja Smits



Videodrome é o oitavo filme (sem contar curtas e produções para a TV) do genial diretor canadense David Cronenberg, que na época ainda fazia filmes de horror e suspense, como por exemplo Calafrios (Shivers, 1976), A Mosca (The Fly, 1986), Gêmeos - Mórbida Semelhança (Dead Ringers, 1988), Scanners (1981), Os Filhos do Medo (The Brood, 1979), entre outros. Cronenberg, além do horror, tenta com seus filmes passar importantes mensagens e críticas, mesmo que de formas bizarras e surreais. Outra característica marcante em sua filmografia é o chamado "body horror", onde são normais ocorrerem mutações nos corpos dos personagens, além de diversas referências ao sexo. Em Videodrome não é diferente, este talvez seja o filme mais surreal, repleto de violência e, possivelmente o meu favorito do diretor.

Max Renn (James Woods) é o proprietário de uma pequena emissora de TV a cabo, a Civic TV, e aparenta ser uma pessoa muito dependente da televisão, já que recebe os recados de sua secretária através de fitas de vídeo. Com seu canal, para obter maior audiência, transmite baratos programas pornográficos e violentos, coisa que os grandes canais não proporcionam. Sem se preocupar com o conteúdo dos programas apresentados, ele busca algo novo e mais extremo afim de satisfazer o público sedento por violência e sexo e, naturalmente, lucrar mais. Através de um técnico designado a encontrar sinais piratas de TV, descobre-se um canal clandestino cuja programação resume-se a torturas, estupro e assassinato, sem qualquer roteiro e aparentando ser algo bastante real, caracterizando o que hoje chamamos de filmes snuff. Este programa é denominado Videodrome e é exatamente o que Max estava procurando para o seu canal. À princípio o Videodrome é identificado como sendo uma transmissão vinda da Malásia, mas depois é constatado que o sinal vem dos próprios Estados Unidos, em Pittsburgh, e as mortes não são encenadas e sim reais, o que não impede Max de continuar em busca de tais atrocidades.

Ao assistir tais vídeos, Max começa a apresentar alucinações que confundem-se com a realidade e geram uma certa dependência do Videodrome, como se fosse uma droga. Segundo o professor Brian O'blivion, uma estranha figura que apenas aparece através da tela de uma TV, a televisão torna-se mais real que a própria realidade e esta passa a ser como uma extensão do próprio corpo humano, pois os raios catódicos emitidos formam tumores responsáveis por criar estas alucinações, além de outras mutações a serem mais detalhadas adiante.

Em um programa de TV com Max, o professor O'blivion que, como de costume, aparece na TV através da tela de outro aparelho, e Nicki, (Deborah Harry, vocalista do Blondie) que apresenta uma espécie de programa de auto-ajuda em uma estação de rádio, discutem a respeito dos efeitos na sociedade de programas violentos. Nicki, que à primeira vista parece não ser favorável a este tipo de programação, envolve-se com Max e mais tarde mostra-se uma adepta ao sado-masoquismo e interessa-se pelo Videodrome, querendo até mesmo participar do programa.

A filha do professor O'blivion mantém uma espécie de centro para emissão de raios catóditos aos pobres, que já estão dependentes de tais doses de programação televisiva. Algo semelhante a uma igreja onde a televisão é a religião e as pessoas são viciadas e aceitam cegamente tudo que vêm dela. 
Neste centro, Max descobre que O'blivion já está morto há algum tempo e é mantido "vivo" por sua filha através de fitas de vídeo. O'blivion conta que foi a primeira vítima do videodrome.

Abaixo algumas falas do professor O'blivion durante o filme:
"A batalha pela mente da América do Norte será travada na arena dos vídeos, o Videodrome. A tela da televisão é a retina da mente. Portanto, a tela da televisão é parte da estrutura física do cérebro. Portanto, o que aparece na tela da televisão surge como pura experiência para aqueles que assistem. Portanto, a televisão é a realidade e a realidade é menos do que a televisão."
"Acho que este desenvolvimento na minha cabeça, esta cabeça, esta aqui, não acredito que seja realmente um tumor, uma forma borbulhante descontrolada de carne, mas que seja, na verdade, um novo órgão, uma nova parte do cérebro. Acho que doses maciças do sinal do Videodrome criarão um novo desenvolvimento do cérebro humano, que produzirá e controlará a alucinação a ponto de mudar a realidade humana. Afinal, não há nada real, além de nossa percepção da realidade."

O nome O'blivion, que significa esquecimento, não é real, apenas um codinome usado nesta "realidade" do vídeo, algo semelhante ao que ocorre muito na internet atualmente.

O corpo de Max passa a sofrer mutações, abre-se uma fenda em sua barriga onde podem ser inseridas fitas de vídeo o programando, como se este fosse um videocassete e fazendo com que ele siga e tome como verdade tudo aquilo que vê pela televisão. Além disto, enquanto ocorre este processo de desumanização, coisas como a televisão e fitas de vídeo parecem ganhar vida e tornam-se mais humanas. Uma cena emblemática do filme é quando Nicki está falando com Max através da tela da TV e, quando ele vai beijá-la, é engolido pelo aparelho. Esta cena pode representar, assim como a forma de comunicação de O'blivion, que as relações estão cada vez menos humanas e feitas por vídeos, o que hoje pode ser substituídos por tecnologias como internet e telefones celulares.

O filme ainda mostra o duelo de dois grupos pela dominação do povo através da TV, uma organização que vende diversos produtos e que mantém o videodrome e outro grupo mantido pelo "virtual" O'blivion e sua filha, que são contra o videodrome mas defendem a "nova carne" e da mesma forma, produzem mutações no corpo humano, através de suas doses viciantes e alienantes de programação televisiva. Ambos conseguem programar Max facilmente.

No final, Max se vê suicidando-se na televisão, coisa que ele repete sem questionar, mostrando a auto-destruição causada pela tecnologia e a forma com que pode nos manipular.
Os ótimos efeitos especiais ficaram a cargo de Rick Baker, um dos melhores especialistas nesta área que também fez filmes desde o trash O Incrível Homem Que Derreteu, a outros como Um Lobisomem Americano em Londres, MIB, O Chamado, entre muitos outros.
Como de costume no cinema de Cronenberg, este é um filme complexo que necessita ser visto mais do que uma vez para ser melhor compreendido. Muitos poderão achar o filme confuso e sem sentido. Também é recheado de críticas sociais, às mídias, entre outros.

Este filme, apesar de ser produzido há 30 anos, mantêm-se atual com a TV e outros meios de comunicação (hoje, em especial a internet), nos despejando informações muitas vezes sem conteúdo, nos tornando dependentes e alienados, e nos fazendo esquecer de pensar e ter uma opinião, já que esperamos receber tudo pronto. Além disto, estes meios tem a capacidade de determinar tendências, comportamentos, modas, tornar as relações menos humanas, nos manipular facilmente e ser uma forte ferramenta de suporte para o capitalismo, com propagandas incitando o consumo, criando necessidades que não tínhamos.
Também não podemos deixar de considerar que estas tecnologias ainda podem ser úteis para ampliar nossos conhecimentos, mas tudo depende de como fazemos uso delas para assim evoluirmos e ao invés de nos auto-destruirmos.
A manipulação constante dos meios de comunicação pode afetar nossa percepção da realidade, assim, este profético filme antecede algo que foi abordado no filme que Cronenberg faria em 1999, eXistenZ, que acabou ofuscado por outro filme que trata do mesmo tema e lançado na mesma época, o Matrix.

Nota IMDb: 7,3
Minha Nota: 9,0

Para mais informações sobre este e muitos outros filmes trash, recomendo que ouçam o PodTrash, com um pessoal que realmente entende do assunto.